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Não há feira, mas há escritores.

por Torradaemeiadeleite, em 23.06.13

Não tenho fotos. Não daquelas que outros também vejam, só as que tirei com os olhos e guardo na massa pensante. São as fotos dos escritores e dos leitores que partilharam a indignação duma ausência, a da feira do livro no Porto.

Não temos feira, mas ontem tivemos escritores e leitores nas esplanadas com vista para a  Praça da Liberdade. Liberdade para pensar, para falar, para desabafar a indignação que vai na cidade. Como foi lembrado, a cidade será aquilo que os seus cidadãos desejarem.

Pensamentos e dizeres  com muita crença na cultura e esperança na cidadania. Na sombra só ficaram mesmo os nossos penteados, alvos incautos dos desígnios dos pombos também eles em reunião, jocosos pareciam, por não se moderarem nos ímpetos que a natureza lhes cobra. Mas vá, acidentes com risota não são graves.

Foi bom confirmar a natureza corpórea das obras que me deliciam, os senhores e senhoras têm mesmo figura humana. É que às vezes  esqueço que o divino é mesmo cá na terra que vive e trabalha.

Foi muito bom ouvir e comentar o estado das letras na avenida. O espaço não é determinante, a Inbicta tem felizmente muito por onde escolher, já experimentou a rotunda da Boavista e o Palácio ( para sempre de Cristal ) e todos foram cenários inesquecíveis. Será determinante o dinheiro? Já experimentou outras épocas de crise económica e sobreviveu para contar. Determinante é a vontade. Determinante é a voz para exigir uma mudança de rumo.

"Fotografei" o texto de Pedro Guilherme-Moreira, um quadro pintado com a pronúncia tripeira e com cores dos trabalhos dos colegas escritores, cores das suas memórias pessoais, cores da geografia portuense, cores de sonhos de menino que quer escrever e mais, cor das cores, viver da sua escrita. Lindo. Humorado. Oportuno. Um bouquet dos sentimentos que iam na praça àquela hora.

Improvisos, aplausos, agradecimentos. Vontade. Homens e mulheres ( lá estavam Inês Botelho e Adélia Carvalho, mobilizadora, animada, contagiante ) que não tiveram medo de politizar as letras, que eu entendo por política a acção pensante interventiva, cívica, democrática que quer melhorar as condições de vida dum povo, que acorda consciências,  que prepara o futuro e o salvaguarda da repetição de erros.

Nos candeeiros e troncos protestavam os textos de outros escritores que não quiseram deixar de estar presentes, ainda que em corpo de letra. A corda prendia-os à árvore, sempre esse símbolo de vida, mas a inspiração passeava depois à boleia de cada um que lia e seguia para outra paragem.

Nada de tristezas. Dia 29 de Junho outros voltam à praça, à da Liberdade que não quer acomodar-se. À cidade, que não quer adormecer.

 

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