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Regresso à escola

por Torradaemeiadeleite, em 26.09.08

 

 

  Fotografia de Torradaemeiadeleite ( Abril de 1993 ).

 

A última vez que deambulei por esta sala de aulas, há 15 anos, tirei algumas fotografias que agora se revestem de maior importância do que naquele dia. Claro que os meus afectos, já na altura, me guiaram para esse registo mas foi ontem mesmo, quando as revi com mais cuidado que me apercebi da oportunidade desse momento.

Antes disso nunca tinha fotografado aquele interior e desde então não voltei a entrar porta adentro, limitei-me a espreitar pelas janelas e a resignar-me perante o abandono  daquele espaço...

Vislumbro ainda algumas lições, as brincadeiras nos intervalos, a lareira ( que era também o local onde íamos afiar o lápis ) e a nossa biblioteca, uma modesta estante com duas portas de vidro, mais baixa que a professora, onde repousava ainda o globo terrestre e outros volumes que na minha memória se apresentam desfocados.

Preservo ainda  um breve momento do primeiro dia de aulas, aquele em que me sentei ao lado duma colega um pouco mais velha do que eu, numa daquelas carteiras de madeira já sovada e com o banco preso, olhando a professora que falava ainda com a minha mãe. Senti-me pequena, um pouco perdida talvez.  A roupa aprumada e nova denunciava a importância do momento. O Sol comtemplava-nos com a luz de um Outubro iniciático e que estranho foi, anos mais tarde, começar as aulas em Setembro.

Os quadros de lousa, com tantas recordações apagadas, o soalho de tábuas tão torturadas por pezinhos de várias gerações, os enfeites de papel abandonados no tecto, as janelas altas que interrompiam as paredes outrora brancas, algumas carteiras tristes e até um ninho desabitado, foram os protagonistas das minhas fotografias. O globo sobrevivia ainda à época e não hesitei em fazer brincadeiras fotográficas tendo a minha priminha por modelo... paciente e solicitamente ela correspondia com perfeição aos meus devaneios.

Com o olhar e a vivência de agora com certeza acrescentaria outras perspectivas e elementos às  fotografias da minha primeira escola, mas também por isso aquelas imagens adoptam um significado próprio e irrepetível. A meu ver, uma fotografia pode revelar muito do objecto capturado, mas diz  ainda mais de quem a tirou e do momento em que se gerou...

 

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Humores

por Torradaemeiadeleite, em 24.09.08

Porque hoje o meu gene revivalista manifesta-se dominante e recusa o silêncio...

 

                

                               "Lullaby" - The Cure, 1989 ( do álbum Disintegration ).

 

                     

"More" - The Sisters of Mercy, 1990 ( do álbum Vision Thing ).

 

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Ovelha tresmalhada...

por Torradaemeiadeleite, em 22.09.08

 

 

Imagem no site oficial "shaunthesheep.com".

 

Lembram-se destes que me obrigaram a "uma investigação ao contrário"? Continuo apaixonada pela sua criatividade e eis-me rendida a mais um boneco, a ovelha Shaun ( a.k.a  Choné ). O traço de Nick Park é inconfundível e o trabalho dos estúdios Aardman Animations é novamente admirável!

A série televisiva nasceu em Março de 2007 mas a primeira aparição desta ovelhinha pouco convencional data de 1995, num papel secundário na curta-metragem premiada de Wallace e Gromit, “A Close Shave”. Os fãs foram-se multiplicando, um pouco por todos os continentes, dos pequenos papéis passou para uma série própria e chegou a terras lusas pelos caminhos do canal 2 da RTP.

Bem visto, é um desenho animado que conquista miúdos e muitos, muitos graúdos… O humor é inteligente, refinado até, e não deixa de ser delicioso mesmo quando há “pancadaria”. Os episódios de 7 minutos centram-se nas tropelias de um rebanho pacato quanto baste mas que se rende às iniciativas duma  ovelha ( direi antes um carneirinho pois é dum macho que se trata ) radical, muito inteligente, curiosa e criativa, decidida a sacudir o dia-a-dia da quinta onde vivem. Todas as “aflições” acabam resolvidas a bem, mesmo a tempo do final de cada episódio e sem que o dono da quinta sequer suspeite das actividades “extra-curriculares” dos seus animais.

Outros personagens contribuem para o sucesso desta série e destaco estes: Bitzer, o cão-pastor que impõe um pouco de ordem na quinta ( desde que não esteja a participar ele próprio nas brincadeiras de Shaun ou a ouvir música electrónica no seu MP3 ou a lanchar sandes com chá ou a brincar em jogos de “busca e traz”… ), os 3 porquinhos   sempenhados em infernizar a vida das ovelhas e o próprio agricultor, dono da quinta, um humano solitário e algo rezingão, amante de novas tecnologias mas cujos “distraimentos” podem dar o mote para a brincadeira.

Esqueçam diálogos ou monólogos, tudo é visto pela perspectiva do carneirinho Shaun e portanto as palavras nada mais parecem que uns balbucios ou resmungos. Ao bom jeito das produções Aardman, o silêncio diz muito juntamente com a linguagem corporal, expressões faciais e movimentos oculares sui generis. As aventuras têm temas simples, mesmo  banais, se preferirem, mas a imaginação do autor dá-lhes o tratamento  necessário para revelarem a sua faceta de surpresa, humor e até moralidade.

Se tiverem uns minutinhos, espreitem este episódio  com futebol do melhor e espero que fiquem contagiados... 

                                                                                     

                                   

 

 

 

 P.S.: está previsto já para este Outono, o lançamento dum jogo para Nintendo da ovelha Choné produzido pela Art Co.

 

 

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"Duas Linhas Paralelas"

por Torradaemeiadeleite, em 19.09.08

 

 

  Fotografia de Joergen.

 

Porque há símbolos perenes e que nos marcam a memória, achei curiosas estas fotografias que testemunham a  contínua presença das torres do World Trade Center nas tarefas mais comuns do dia-a-dia de Nova Iorque.

São da autoria de Fred J. DeVito, um designer gráfico de Manhattan que tem uma colecção com mais de 750 imagens sobre o valor gráfico  associado a estas torres.

Na sua essência, demonstram também como algo fisicamente ausente pode permanecer vivo e revestir-se dum novo simbologismo.

Muitas destas imagens de marca já existiam antes do "11 de Setembro" mas, a meu ver,  neste tempo   assumem também  um papel de  homenagem e  afirmação cultural.

 

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Venham mais cem!

por Torradaemeiadeleite, em 17.09.08

 

  Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

O meu “post” número 100 merece um tema centenário.

Mas bom, muito bom mesmo, seria um tema centenário, histórico, artístico e ( porque não? ) raro…

Perdoem-me esta ambição, mas “astronómico” é outro adjectivo que assentaria tão bem ao meu centésimo tema!

Exponho-me ao juízo de quem me ler mas, cá para mim, consegui o que queria . O relógio de Sol que mora na igreja que me baptizou e onde casei, cumpre todos os requisitos e assume hoje um lugar de destaque neste desfile das minhas vontades.

Luz e sombra repetem-se sobre o granito desde há séculos, o gnómon ( o ponteiro ) marca a sucessão dos dias alheio à concorrência do seu parente mecânico, já ali na torre  e nunca, como agora, me pareceu tão solene o seu semblante…

Prezo este pequeno tesouro por permanecer numa era que já não é a sua e continuar  a cumprir os desígnios para que foi esculpido. Se eu não soubesse melhor, diria que é de teimosia que se trata, mas disto o “meu” relógio não sabe nada. Para ele nada mudou: o Sol continua a nascer e a pôr-se, os dias grandes continuam a suceder aos pequenos, a terra continua a girar sobre si mesma e à volta do Sol e a “sua” igreja continua no mesmo chão. Por quê a admiração? Compreendo-o mas venero a sua longevidade…

Em todo o país  estão inventariados poucos mais que 700 relógios de Sol ( nem todos em bom estado ) e são ainda mais raros aqueles que nasceram antes do séc. XVIII. Os seus estilos e ornamentos variam imenso, também consoante a cultura local, aglomerando no seu ser conhecimentos científicos, artísticos, históricos e técnicos numa simbiose que brilha!!

Longa vida ao “meu” relógio de Sol e que eu possa fotografá-lo daqui a muitos anos!

 

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O meu 1º ( único ) solo de guitarra

por Torradaemeiadeleite, em 16.09.08

Muito antes de saber ler tudo o que estas palavras encerram, orgulhava-me de mim própria por saber de cor esta belíssima letra e atrevia-me até a imitar o solo da guitarra... Convenci-me a tal ponto da qualidade da minha performance que a apresentei àquele que agora é o meu partner in crime... para o impressionar, achava eu... mas ainda hoje ele não se atreve a dizer-me a verdade sobre o que viu e ouviu.

Então, reza assim uma letra que nasceu para o público em 15 de Setembro de 1975:

 

 

 

 Imagem "emprestada" pelo Google...

 

                       So, so you think you can tell 
                       Heaven from Hell, 
                       Blue skys from pain. 
                       Can you tell a green field
                       From a cold steel rail? 
                       A smile from a veil? 
                       Do you think you can tell? 

                       And did they get you to trade 
                       Your heros for ghosts? 
                       Hot ashes for trees? 
                       Hot air for a cool breeze? 
                       Cold comfort for change?
                       And did you exchange
                       A walk on part in the war 
                       For a lead role in a cage? 

                      How I wish, how I wish you were here 
                      We're just two lost souls 
                       Swimming in a fish bowl, 
                       Year after year, 
                       Running over the same old ground. 
                       What have we found? 
                       The same old fears. 
                       Wish you were here.

 

               ( Waters, Gilmour - Pink Floyd, álbum "Wish You Were Here" de 1975 )

 

 

P.S.: farewell, Richard Wright...

 

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Os dias que passam (IV)

por Torradaemeiadeleite, em 12.09.08

 

 

Respiro antecipadamente o Outono. Basta-me ver o Sol despedir-se mais cedo, ver o anúncio dos livros escolares nas montras das papelarias, as colecções novas nas lojas, sentir o ar mais fresco de manhã e a luz da tarde mais meiga para logo se precipitar o meu calendário interior.  Aguardo os restantes elementos outonais, os mais sugestivos e os mais característicos mas, para mim, ele  está oficialmente instalado... Já se sabe, temos tendência a apressar a chegada das coisas boas e esta faz-me bem.

 

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O "Air Race" visto por mim...

por Torradaemeiadeleite, em 07.09.08

 

 

  Fotografia de Torradaemeiadeleite

 

Há fotos inusitadas... Esta saiu-me assim, quando me distraía com outros "pormenores" antes mesmo de chegar ao palco da prova de qualificação para a corrida Red Bull de hoje.

Atenta à focagem desta portuense figura numa varanda antiga, que já há tanto tempo me desafiava, e com o barulho dos aviões já em prova a ecoar pela Baixa, nunca  me ocorreu que estava  bem colocada para uma fotografia, no mínimo, curiosa.

O avião da equipa Breitling, pilotado pelo britânico Nigel Lamb ( que se revelou depois o 4º lugar  desta qualificação ), irrompeu na imagem a todo o gás, desenhando no ar um looping,   mesmo à beirinha da ponte  Luiz I.

Com a mesma  velocidade de entrada assim continuou, invadindo o meu espaço, preparando-se para sair  mais veloz ainda ( quase!... só fugiu o nariz e um bocadinho da asa... ).

Quando revi a foto, ri-me sozinha... A multidão passava, alheia ao meu momento e apressados para  ver mais de perto a prova aérea.

Depois de ter percebido a minha posição em relação ao percurso da prova, armei-me em especialista e esperei mais algum tempo para fazer a fotografia, a tal, a "especial da corrida"!

Desiludi-me de seguida! Nada mais interessante consegui fixar, as tentativas saíram todas goradas e desci novamente à terra, consciente das minhas limitações. Para mim, esta imagem foi o  melhor que consegui obter da imensa fotogenia da Red Bull Air Race!

Quando me abeirei da multidão na margem do rio, estive mais atenta ao desempenho dos pilotos e, nos intervalos dos voos, ia captando o que me rodeava: os balões do artista de rua, os chapéus amarelos dum patrocinador, as mãos no ar com telemóveis prontos para apanhar mais um avião, os pregões de água e cerveja, as aves a fugir espavoridas, os gelados, as palmas, o helicóptero das câmaras, os narizes virados para o ar, o apoio ao piloto espanhol porque era o mais parecido que tínhamos com um português, uma luz intensa e o rio... sempre o Douro... majestoso e indiferente ao que se passava.

Assimilei cada instante, diverti-me e imaginei-me ainda com umas asinhas velozes, tão velozes como 370 Km/h,  a velocidade máxima atingida durante a qualificação  e  propriedade do  piloto americano Kirby Chambliss...

 

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Do "caldo primitivo" à conquista galáctica!

por Torradaemeiadeleite, em 04.09.08

 

 

 Imagem de EA Games fase Criatura do jogo Spore ).

 

 A Evolução Natural já não é o que era… Libertou-se dos debates, das publicações científicas e dos livros escolares para se revelar agora num jogo de computador criado pelo designer de SimCity, Will Wright. Este novo jogo chama-se SPORE e espera-se o lançamento europeu a partir de 5 de Setembro ( está quase, quase, quase… ).

Salvando as devidas proporções e os erros inerentes à simplificação de algo muito complexo, pode dizer-se que os mecanismos da evolução biológica serão mais facilmente compreendidos pelo comum dos mortais, basta perceber o abecedário desta linguagem milenar, ser criativo e juntar muitos pontos de ADN.

SPORE é produzido pela “Electronic Arts” e faz-nos percorrer um caminho com milhões de anos de existência em minutos ou horas apenas. Os jogadores vão “desenhando”, a partir dum ser unicelular, seres vivos cada vez mais complexos, dotando-os progressivamente de estratégias de sobrevivência, cooperação e partilha de conhecimentos. Como podem imaginar, os seres criados resultam então muito personalizados podendo, ou não, conter a “fórmula” certa para viver e prosperar (os resultados maus não se fazem esperar num mundo que fervilha de predadores…).

Obviamente este jogo não é cem por cento fiel aos parâmetros científico-naturais e isso deverá estar presente na mente de quem o questiona. O jogo de computador e a vida real não podem ser confundidos mas aquele tem este benefício de abordar questões fundamentais da Biologia e aproximar, duma forma lúdica, a ciência do cidadão comum.

Sr. Will Wright, daqui lhe faço uma vénia por criar alternativas aos temas habituais dos jogos de computador!

Aguardemos, então, a reacção do público.

 

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