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Os dias que passam (VIII)

por Torradaemeiadeleite, em 26.08.09

 

 

       Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Não... não me esqueci desta morada e não... não fugi para parte incerta.

Tenho estado apenas enleada nos pequenos caprichos dum Agosto que sabe a pouco e é já com pena que sinto aproximar-se a despedida deste ócio .

Mas há sempre tempo porém para brindar ao Sol e à herança que deixa em cada néctar saboreado...

 

 

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O meu primeiro texto culinário

por Torradaemeiadeleite, em 13.08.09

Não gosto de cozinhar ( e cá está um rico começo para um texto sobre culinária...). Mas gosto muito de ver cozinhar.

Prendo-me aos programas dos mestres  que desmistificam a boa cozinha, que a tornam mais próxima do comum mortal e não fazem  "caixinha" dos truques. Parece que vieram a este mundo com o propósito de libertar o epicurista dentro de nós. Vieram para elevar as nossas refeições a momentos genuinamente gourmet.

Jamie Oliver faz parte desse grupo de bem-aventurados que iluminam a escuridão da minha ignorância culinária. E gosto do jeito solto, até atabalhoado, mas inteligente de abordar os alimentos, a sua confecção e a sua apresentação no prato. Sem cerimónia e com muita generosidade, contextualiza e brinca, diverte-se mesmo e ensina muito.

É já em Setembro que começa uma nova série de programas no britânico Channel 4. "Jamie's American Road Trip" vai mostrar-nos tudo o que Jamie aprendeu nas suas deslocações pela vasta e escondida terra do Tio Sam, com a culinária feita por anónimos que contrariam o rótulo de desinteressante, monótona e pouco equilibrada que se atribui à gastronomia americana.

Ora espreitem lá...

                                     

 

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"Como a Arte antecipa a Ciência "

por Torradaemeiadeleite, em 11.08.09

 

 

                                                 Marcel Proust retratado por Jacques Emile Blanche (1892).

 

Jonah Lehrer é um jovem cientista que se estreou nos livros com o título "Proust era um Neurocientista". O livro é editado em Portugal pela Lua de Papel e a primeira edição é de Fevereiro deste ano.

Faltam-me três capítulos para o acabar de ler e já não acredito que seja nesses que eu  vá encontrar algo que me desiluda! Os que li até agora já são suficientes para o recomendar aos restantes mortais que ainda não o conhecem.

É com grande simplicidade que Jonah nos mostra como a Arte consegue antecipar algumas "descobertas" da ciência, como é que as ideias e  os talentos das mais diversas áreas artísticas previram aquilo que , mais tarde, os cientistas comprovaram no laboratório.

Para mim já cativa assim, mas ver depois o rol dos  protagonistas que o autor pesquisou e perceber que contributo, para além do cultural, deram em termos científicos foi o click que desencadeou um maremoto de curiosidade e inevitavelmente a compra do livro. Ora vejam: Marcel Proust, Igor Stravinsky, George Eliot, Walt Whitman, Auguste Escoffier, Virginia Wolf, Gertrude Stein e Paul Cézanne. Temos quatro romancistas, um compositor, um poeta, um chefe de cozinha e um pintor.

A memória, a origem da música, a biologia da liberdade, a substância do sentimento, a essência do paladar, a consciência do "eu", a linguagem e o processo da visão são os temas abordados e que nos fazem conhecer melhor aqueles artistas e simultaneamente o funcionamento do nosso cérebro.


"Lehrer mostra que há um preço a pagar quando se reduz tudo a átomos, acrónimos e genes: medir não é o mesmo que compreender e é aqui que a Arte suplanta a Ciência".


Então, o maremoto da curiosidade chegou aí?


 

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Apontamentos duma viagem - O quarto ( e último )

por Torradaemeiadeleite, em 07.08.09

 

 

                                              Fotografia de Torradaemeiadeleite ( Bragança ).

 

Haverá muitos epílogos para esta jornada. Este escreve-se à mesa, na comunhão de sentidos e estados de alma.

Mesmo no canto da sala, junto à janela aberta para um jardim interior timidamente iluminado e enredados na decoração solarenga, trocámos impressões e revisitámos as horas do dia. Que breve pareceu.  Um privilégio tê-lo vivido.

O pão com azeite fintava o cansaço, marcava o ritmo das palavras e, pouco depois, o vinho predispunha para o sonho. Multiplicar tempos assim, aligeirar os grilhões do dia-a-dia, ser mais donos de nós mesmos.

A música clássica roçava as partículas de ar quase pedindo licença para se movimentar e preenchia o silêncio que levava de uma memória a outra.

O soalho de madeira gemia, teimava de vez em quando em sobrepor-se às delicadas notas. Mas nada abafava o meu pensamento. Voltar, voltar sempre. Aos lugares, aos sentimentos, ao interior de nós mesmos, ousar ainda voltar ao dos outros.

Viajar, de muitas formas, viajar.
As pequenas asas batendo nas lâmpadas do jardim, a luz que sempre se procura. Os aromas dispersando-se e o tacto e os gestos que nos fazem humanos.

 

 

 

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Apuntamentos dua biaige - L terceiro

por Torradaemeiadeleite, em 06.08.09

 

 

   Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Alhá atrás deixámos Sendin i Dues Eigreijas. A la nuossa frente yá ne ls speraba la formosa Miranda de l Douro, cul cuorpo stendido al sol de l meidie.

 

Duma tela widescreen parecia irromper a luz mirandesa. Entre mim e os desígnios de Apolo apenas um chapéu. Uma luta desigual mas auspiciosa. Comprei-o em Miranda e tinha pronúncia espanhola. A invasão continua mas agora nem o Menino pode milagrar a vitória portuguesa. Outrora deu ânimo aos que se defendiam do cerco prolongado e na lenda ficou a sua invulgar cartolinha. Dele a cartolinha, de mim o chapéu com provas ainda por dar.

Compreendo esta persistência de nuestros hermanos pois  é mirando-te da fronteira, oh bela! que me rendo ao teu encanto.

Alta e espirituosa, Miranda confia ao  planalto o viver das suas gentes. Serpenteia a seus pés, murado por fragas nuas e acidentadas, o Douro em espelho de abismo. Não posso deixar de imaginar como seria o seu leito e quão maiores pareceriam ainda as suas arribas se o homem não o tivesse domado.

Alta e vaidosa. Fica-me na memória o recorte do casario e da Sé encimando um grandioso pedestal de granito.

Teço desejos de a rever, quem sabe sob o manto do Inverno, no solstício  acompanhada pelo singular canto das gaitas de foles.

 

Ah guapa, que pequeinhas fúrun las horas para te coincer!

 

 

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Entre apontamentos

por Torradaemeiadeleite, em 04.08.09

Só ontem conheci a sua voz, numa interpretação hipnotizante da canção "If it be your will" de  Leonard Cohen.

Antony Hegarty nasceu inglês mas cresceu nos E.U.A. e canta como imagino que os anjos cantam.

Em 2005 ganhou o Mercury Prize com o seu 2º álbum "I am a bird now" e já actuou várias vezes em Portugal. 

Antony and The Johnsons. Querem ouvir?

                                   

 

 

 

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Apontamentos duma viagem - O segundo

por Torradaemeiadeleite, em 01.08.09

 

 

 

 Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Seguíamos o percurso traçado vencendo cada quilómetro da estrada nacional com a admiração de quem tudo vê pela primeira vez. "(...) We're free to fly the crimson sky/ the sun w'ont melt our wings tonight(...)".

De Mogadouro ainda nem um vislumbre, que a paisagem é aqui a dona dos nossos olhos e contrapõe-nos primeiro subidas e descidas, curvas e contracurvas e só depois nos oferece um panorama a 360º, o lenitivo merecido.

O perfume da esteva acompanhava-nos fielmente e nas breves paragens à beira da estrada outros odores florais se acentuavam, imprecisos, mas compondo um bouquet inegualável.

A vista pousava sobre os olivais e sobre os vinhedos, nos campos ceifados e nos carrascais,  notava os terrenos abandonados cobertos de giestas e espreitava, lá em baixo, os cursos de água minimizados.

 

Eis a vila, onde Mogadouro antigo e novo se vão encostando aparentemente sem ressentimento. Optámos por demorar na parte mais antiga. Guardei detalhes de casas seculares, do pelourinho e da capela, mas foi no recinto da Torre que entreguei o meu olhar: uma manta de retalhos, de cores variadas, estendia-se em redor até ao horizonte distante, cobria  relevos ondulantes e contrastava com um céu grandioso, absoluto, imaculadamente azul. E a brisa refrescava-nos. Tão próximos da perfeição.

Antes das despedidas, uma pausa para a fiel cafeína e depois, já em movimento, continuou o nosso amigo: "(...) no, no line on the horizon/ no, no line(...)".


 

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