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Sob o signo d'Anaman

por Torradaemeiadeleite, em 25.09.10

 

                Foto da mãe de Torradaemeiadeleite ( vista sobre a capela e Pena d'Anaman - 1985 ).    

   

A estrada despretensiosa que nos leva a Anaman é de terra lavrada pelas águas de Inverno. É contudo um fruto da modernidade comparada com os carreiros e rodeiras desenhados  no monte, chão outrora bem batido pelos passos castrejos e carros de bois. À "troula" e carregados com merenda percorriam-se, nalguns locais, autênticos trilhos para chegar ao local da festa onde a Senhora d'Anaman é homenageada. Eu própria vivi essa experiência peregrina com os meus avós. Não, não se sentia a força dum sacrifício nessa jornada, pelo contrário, era o gosto simples de passar um dia num local cuja geografia e natureza são singulares. Acrescia a vantagem de no dia da festa não faltar convívio e música.

Se há recantos que convidam naturalmente à contemplação e meditação, que detém um véu de mistério e uma capa de protecção, a Anaman é um deles.

Mesmo sem festa, este é território familiar e amigo, ao qual se volta sempre que apetece e onde levamos os que acarinhamos, quantas vezes em forma de dádiva, partilha, que só os mais sensíveis podem compreender. 

Tive também a fortuna de subir à Pena algumas vezes ( esse marco imponente do relevo castrejo ) e sentir-me no alto dum firme pedestal a observar sem medo, mas com respeito,  a capelinha à escala da formiga, o velho castanheiro à escala dum carrasquinho recém-nascido e os lugares à minha volta humildemente espalhados.

Que perene reino de granito nos envolve... lembra-me a fragilidade da minha matéria e o inevitável moldar da minha forma de ser. 

Muitas vezes me sento à beira da fonte velha, olhando ainda o fragaredo que devolve o eco da festa ou o piar da águia e do "gabilan", colho nas mãos a redenção da minha sede e na memória os fragmentos daqueles com quem vivi este "meu" lugar. 

Quanto  tempo e quanto espaço posso ainda esconder nesta corga e nestas tocas, nas frinchas e nos côtos das fragas d'Anaman?

  

 

Dizeres castrejos:

à troula - acompanhado, com companhia.

gabilan - gavião.  


 

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Apontamento biográfico

por Torradaemeiadeleite, em 15.09.10

 

 

 

                                                                   Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Não... não morri, não estou doente, não me "desinspirei" e não, não me esqueci do meu estaminé... Estou, isto sim, completamente atordoada pelo ritmo da vida e pelas mudanças de horário.

 

 

Assim que a respiração voltar ao normal virei cá gatafunhar!

 

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