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Da Finlândia, com amor

por Torradaemeiadeleite, em 26.04.12

 

 Imagem googlada.


Para lá da porta deste moinho encontrei uma entrevista com Aki Kaurismäki, um realizador descrente no cinema contemporâneo e que assume que "Le Havre" é o primeiro filme de sua autoria que não detesta.

Revela-se um sentimental e é o seu trabalho que lhe dá razão, mais do que o seu aspecto "cool" e desprendido.

Faz humor dos seus excessos alcoólicos e dos políticos, explica a alta taxa de suicídio finlandês e tem pouca esperança no futuro da Humanidade ( a não ser que se elimine aquele 1% da população mundial responsável pela miséria humana, o 1% mais rico que a seu ver subjuga o valor humano e faz jogo de marionetas com os políticos ). Brinda às coisas boas da vida: "bebida, cogumelos, morte, a sua esposa, o Amor".

Para alguém que parece ser miserabilista, o fruto do seu trabalho exibe ternura, romantismo e optimismo: "é simples, diz ele, quando toda a esperança se vai não há razão para se ser pessimista".

 

 

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O Retorno

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.12

Feliz coincidência esta de saber o final do livro de Dulce Maria Cardoso em festejos de Abril. Na voz de Rui, um adolescente de quinze anos, a literatura de ficção portuguesa ganha pontos num aspecto que eu entendo ser legítimo a toda a ficção mas mais descurado por cá: o de prencher lacunas da nossa história recente, o de assimilar e tratar os episódios que nos construíram socialmente, o de poder ser um documento do dia-a-dia das pessoas, o de poder ser no futuro um objecto de estudo sobre o nosso modo de entender o que nos vai acontecendo.

( Onde eu já vou... volto ao livro ).

O repatriamento dos cidadãos portugueses então a viver nas colónias como uma das consequências imediatas da revolução na metrópole, o impacto que as suas vidas dele absorveram e a revelação dum Portugal desorganizado e imaturo evidenciado também pela sua chegada são os fios condutores do enredo. Não se tomam partidos nem se exorcizam demónios nesta escrita que admirei. O que li mostrou-me vários lados dum facto do nosso passado recente em que o dia-a-dia da família protagonista é o veículo para essas informações, umas bem explícitas, despudoradas e sem rodeios como o pode ser o olhar e entendimento dum adolescente e outras que a autora entrega ao nosso discernimento.

Questões sociais, culturais e geracionais são escalpelizadas com mestria mas também com a vivência do repatriamento pela autora, uma mais-valia pelos detalhes reveladores que não vêm nos livros de história.

Não há pontos de exclamação nem pontos de interrogação, reticências ou ponto-e-vírgulas. E nunca lhes senti a falta ( como em Saramago, Valter Hugo Mãe ou Gonçalo M. Tavares ). Sonho, ilusão, medo, culpa, desilusão, raiva, incompreensão, alegria e esperança sucedem-se sem que a pontuação nos tolha o entendimento.

"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso, editado pela Tinta-da-China em Outubro de 2011 é também um retorno à certeza de que temos escritores excepcionais. Não hesito ao recomendar a sua leitura.

 

 

 

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Dia do Livro

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.12

Não, não me escapou. Não o homenageei com imagens ou texto próprio na data oficial ( 23 de Abril ) mas não me sinto culpada. É que neste meu cantinho todos os dias são dias do livro!

 

 

 

 

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Musicando este domingo

por Torradaemeiadeleite, em 22.04.12



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Talvez um dia

por Torradaemeiadeleite, em 21.04.12

Estou a ler "O Retorno" de Dulce Maria Cardoso, numa recente estreia da edição de bolso da Tinta-da-China, muito cuidada e muito apetecível.

Sinto que será difícil deparar-me com a desilusão a ver pelo que já saboreei mas vou aguardar pelo final para tecer um veredicto. Um texto nascerá para esse propósito.

Para já, o que me leva a escrever este aperitivo foram umas linhas que li ontem, que me fizeram sorrir e o porquê está ao alcance dos que me leram ultimamente:

 

"(...) De vez em quando as cartas traziam retratos, bebés vestidos com lã grossa, sentados numa mesa redonda coberta por uma toalha de croché, noivos surpreendidos pelo flash ao lado da mesma mesa e na mesa a mesma toalha, raparigas na comunhão solene com o terço e o catecismo em poses de santas, a mesma mesa e a mesma toalha, não havia outra mesa nem outra toalha na metrópole.(...)"

 

Sinto-me a esborcelar um mundo de sensibilidades artísticas.

O que é que dizia o outro sobre a vaidade?

 

 

Dicionário crastejo:

Esborcelar (ou esbrocelar ) - esboicelar, esboucelar, esbotenar.


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Maratona das Areias

por Torradaemeiadeleite, em 19.04.12

 

 

  Fotografia Cimbaly/Saulem - 13/04/012 - 5ª etapa.


Ultramaratona: corrida a pé com distância superior a 42. 195 metros. Pode ser realizada em diversas vertentes: estradas, caminhos, montanhas, trilhos,  em provas de condições extremas ou muito longas e que ocupam vários dias.

 

Foi no contexto de uma das ultramaratonas mais conhecidas de condições extremas, a Marathon des Sables, que Carlos Sá se tornou notícia nos nossos jornais pelo 4º lugar que conseguiu na classificação final ( o melhor português e o melhor europeu ). Fala-se duma prova com 251 quilómetros, em 6 dias, no deserto do Sahara.

A organização apenas fornece a água e as tendas. Cada atleta é responsável por si mesmo e leva na mochila a roupa e a comida adequadas.

A autonomia é posta em xeque pelas temperaturas extremas de frio e calor e obviamente pelas características intrínsecas do terreno. Como em qualquer desporto, a auto-superação é o prémio maior mas outro exemplo nos é dado por Carlos Sá. No Jornal de Notícias de hoje refere que outrora era muito sedentário, dono de 94 quilos ( agora tem 65 ) e avesso ao exercício. Acrescenta que espera ser um exemplo para todos aqueles que se revejam nestas circunstâncias e conclui que com força de vontade e espírito de sacrifício se conseguem feitos formidáveis.

 

Podemos conhecer com mais detalhe cada etapa desta prova invulgar no blogue de Carlos Sá.
 

Parabéns, Carlos!

 

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Pequena Abelha

por Torradaemeiadeleite, em 18.04.12

O título é de Chris Cleave , um autor nascido nos Camarões mas que vive actualmente em Londres, desconhecido para mim até me terem emprestado o livro há duas semanas.

Gostei da história propriamente dita, pelo confronto cultural que evidencia e pela sua actualidade. Gostei do enredo pelo acontecimento dramático que o autor imaginou para relacionar as personagens, pela narração em saltos no tempo e pela voz alternada entre as duas principais personagens ( a Abelhinha e a Sarah ).

Não gostei porém das quebras de ritmo que aparecem em vários pontos da narração originadas por descrições que, a meu ver, não criam mais-valia ou ainda pelas explicações desnecessárias sobre pequenos acontecimentos. Neste ritmo dual o texto tem parágrafos muito bons, curiosamente os mais dramáticos e outros que roçam o facilitismo literário ("Parei a apreciar aquele belo nascer do sol e pensei: sim, sim, a partir de agora tudo vai ser belo como este sol. Nunca mais terei medo. Nunca mais passarei outro dia presa no cinzento." ).

Confesso esta impressão que me ficou: que o autor tinha muito mais para dar mas retraíu-se para não "atemorizar" o leitor ou mesmo afugentar muitos. Faz-me pensar se isso valerá a pena, artisticamente falando.

Em todo o caso, não são estes meus "mas" ( de relativa importância entre leitores ) que obstaculizam a recomendação desta leitura, reconheço que são mais as razões para o ler do que aquelas para o ignorar. Na verdade, bebendo nesta e naquela fonte matamos a sede de nos conhecermos como leitores, apreendendo o que é que nos impressiona ou o que buscamos na literatura de ficção.

Está editado em Portugal pela ASA desde Março de 2011.

 

 

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Com sotaque açoriano

por Torradaemeiadeleite, em 18.04.12

 

Celebrando o 170º aniversário do nascimento de Antero de Quental.

 

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Sobre um fundo de quase Outono

por Torradaemeiadeleite, em 15.04.12

As fotos "oficiais" que tenho respiram a solenidade do estúdio fotográfico e das manobras que o fotógrafo encetava para a dignidade do registo. Figuras estáticas contra cenas pintadas de natureza, jardins apalaçados ou ainda breves composições com pequenas floreiras e cadeiras escultóricas. Os corpos compostos à espera do passarinho e descompostos assim que se desistia de o ver.

Mas é sobre o cenário em fundo de uma delas que vos vou escrever. Nesse tempo, no estúdio que hoje me inspirou, reinava um bucólico fundo de Outono, ou quase Outono porque as árvores mantinham as folhas verdes miudinhas viçosas  mas quase todo o espaço à sua volta era de vários tons de castanho esfumado e assim  imprimi na minha memória aquela meia-estação. Não deve existir casa no município que não tenha fotografia com fundo de tons outonais daquele bosque de parte incerta onde ficávamos entre árvores emolduradas por céu um pouco azul, muito castanho e branco ainda pelo meio, as nuvens talvez.

Nunca me pareceu, disso tenho certeza, mata portuguesa e eu gostava mesmo daquele "exotismo".

O cadeirão de vime entrançado com costas em arco generoso, desenhos retorcidos, muito da moda, também fazia parte da composição quando era preciso distribuir vários figurinos na mesma fotografia ou ainda quando um recém-nascido se apresentava pela primeira vez ao pai emigrado, com anteparo de almofada grande e fofa, o olhar preso à luz da máquina habilmente oportuna ( Verão ou Inverno, com eterno Outono ao fundo, nasci para ti ).

As caras ou as poses mais fotogénicas tinham direito a figurar na montra do pequeno estúdio ou então aquelas que assertavam as qualidades singulares do fotógrafo experimentado. De facto, era honroso destacar-se alguém por entre tantos iguais Outonos, quase Outonos, mais ainda na vizinhança de baptizados e casamentos com caras pomposamente adequadas à ocasião. Era também nesta montra que eu demorava algumas vezes e sempre gostei de ver aquelas fotografias com fundo quase Outono, mesmo de pessoas desconhecidas, pelas razões imaginadas ou comprovadas para ali terem ido fotografar-se.

E via que posavam as moças solteiras ( para mandar a foto ao namorado secreto? ), aprumadas e bem penteadas, cabelo solto em eterno feminino, ah Rapunzel de olhos doces, sorriso acanhado, em sedução camuflada ou inocência enlevada ( Verão e Inverno esperarei por ti e  com o Outono por testemunha saberás que penso em ti ).

Voltava meses ou anos mais tarde a mesma moça para posar, já com o seu bem esperado, ou então poderia ser outro que não aquele para quem ultimamente posara, mas tudo o tempo compõe e o tempo é feito de mudança, vamos fotografar o namoro que depois nos casamos e a próxima será uma nova andança.

Verão ou Inverno, com eterno Outono ao fundo, a vida era geminada nas fitas dos negativos, mostrada aos vindouros e emoldurada solene sobre o móvel da sala ou na parede do quarto.

Os anos passavam afinal e aquela estação continuava presente na montra, destronada só às vezes pelos que tinham a certeza de merecerem ser diferentes e exigiam um fundo de fotografia mais raro.

Noutros estúdios outras estações estacionaram, outros gestos gesticularam, outros flashes flasharam e muitos passarinhos foram mesmo vistos e voados. Mas escrevo-vos agora que todos vinham depois bater asas para estas ramagens de Outono ou quase Outono de paragem incerta, naquele estúdio agora fechado, poisavam entre as folhas verdes viçosas em animada chinfrineira, perscrutavam o céu castanho, posavam com muitos dos meus conhecidos nas suas fotos oficiais e serenavam por fim naquela ingenuidade bucólica. Ficaram para sempre nos lares daquele interior minhoto.

 


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Continuando além-mar

por Torradaemeiadeleite, em 12.04.12

Nem só nas letras a América Latina brilha. Na música tem aquele Sol tão próprio que nos bronzeia a alma.

 

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Vaidades

por Torradaemeiadeleite, em 10.04.12

"Sobre a vaidade nada digo, mas creio que de ninguém está ausente esse notável motor do progresso humano. (...) Mesmo quando pensamos que a vaidade não existe em absoluto, descobrimo-la, de repente, na sua mais subtil forma: a vaidade da modéstia. (...) A vaidade encontra-se nos lugares mais inesperados, lado a lado com a bondade, a abnegação e a generosidade."

 

          Juan Pablo Castel, protagonista de "O Túnel" de Ernesto Sabato

          (Relógio D'Água, 1ª ed. -  Julho 2009)

 

 

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Instantâneo do dia

por Torradaemeiadeleite, em 06.04.12

Abril em Castro Laboreiro cumpre a normalidade. Estou habituada a Páscoa fria.

Veio a neve hoje de manhã e continua agora em flocos mansinhos. Cobre a terra escura lavrada há poucos dias.

Nem vento, nem trabalhos, esta é uma Sexta-feira deveras Santa. O único barulho que ouço, abstraindo-me do tac-tac das teclas, é o ladrar dum cão que chega insistente mas limpo, como sempre em guarda, também de pensamentos.

Atrás das portas as chamas mansas abrigadas do gelo.

E nunca os contrários ficaram tão bem lado a lado.

 

 Foto de Torradaemeiadeleite, 06 Abril 2012.

 

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"Ler é escrever"

por Torradaemeiadeleite, em 04.04.12

 "Reading Girl" de Gustav Adolph Hennig (Alemão, 1797-1869).

 

Depois de ter acompanhado estes vídeos no sítio da LER ficou-me como um eco a frase "ler é escrever" que coincidentemente três dos intervenientes responderam ( no primeiro vídeo - Ana L. Amaral, Jaime rocha e Manuel A. Pina ). Claro, claríssimo.

Nunca o tinha concretizado desta forma mas no acto de ler somos também "escritores": tecemos  pormenores que incluimos no que nos é apresentado, perpetuamos as palavras e frases que gostamos, gravamos também as que não gostamos,  compomos  cenários alternativos, representamos papéis, evocamos memórias e outras leituras.

Como diz  Luis Sepúlveda "todos lemos de maneira diferente", o que para mim vai agora lado a lado com a constatação que "ler é escrever" e por isso mesmo um livro pode ter afinal múltiplos escritores. E não é múltiplo em si próprio o leitor ao longo da vida?  Não se transforma um livro com a caminhada do leitor? Claro, claríssimo.

 

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Novamente a poesia

por Torradaemeiadeleite, em 02.04.12

 

 

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