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Nas bancas

por Torradaemeiadeleite, em 31.10.12

 

Ver os detalhes aqui.


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Passeio dos Clérigos

por Torradaemeiadeleite, em 28.10.12

A praça chama-se de Lisboa mas o seu novo rosto inclui o Passeio dos Clérigos, uma rua  nova com a Igreja dos Clérigos num extremo e a Livraria Lello no outro. De permeio cafés, lojas e restaurantes, olhares curiosos e a promessa dum comércio aberto à envolvência.

Conheci este espaço antes da remodelação, o  comércio fechado sobre si mesmo, o parque de estacionamento lúgubre e por fim o abandono total. Concluo que o histórico Parque das Oliveiras renasceu, resgatado ao passado da cidade com um projecto pensado para valorizar os edifícios envolventes, tornar o espaço mais permeável e o ar mais respirável. Parece-me conseguido. O que antes repelia é agora atractivo e funcional. Na parte mais alta são protagonistas as oliveiras ( algumas centenárias ) e os passos de quem aqui se demorar em passeio, fotografia, leitura e conversas.

Agora o intróito visual mas nada como ir lá e averiguar pessoalmente.

 

 Passeio dos Clérigos, Out. 2012. Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

Passeio dos Clérigos, Out. 2012. Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

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Bond, James Bond

por Torradaemeiadeleite, em 24.10.12
Aqui está um tema que daria à luz  uma enciclopédia. Mas vamos aos poucos. Começo na letra "M" de música e de mulheres.
No ADN deste filme, que já vem dos anos sessenta do século passado, está o gene da música, geralmente marcante, direi mesmo icónica e o gene das mulheres em contra-luz, corpos dançantes, voadoras, armadas, saltitantes, ginastas, nadadoras, cobertas de ouro, petróleo, areia, sedutoras e seduzidas.
A propósito do novo Bond  - Skyfall - estive a recordar algumas músicas dos predecessores. Temos as que fizeram o artista e aquelas que sobreviveram por causa do artista. Há os temas inesquecíveis, os esquecidos e os que nem deviam ter nascido.
A evolução técnica trouxe às introduções do filme imagens poderosas, perfeitas, algumas mutações genéticas à ideia original de Ian Fleming e perdeu-se a natureza de artefacto que agora me faz rir de alguns genéricos  mas que lhe emprestam tanto carisma. 
As músicas propriamente ditas, bem, há-as fantásticas em todas as eras. Uma das minhas favoritas é da responsabilidade de Chris Cornell ( a voz dos ditosos Soundgarden ) à qual chamou You Know My Name e ouvimo-la em Casino Royale. Curiosamente deve ser dos poucos genéricos que não vem acompanhado de mulheres esvoaçantes portanto vou escolher em seguida um que justifique o "M" de mulheres. Dou espaço então aos "velhinhos" Bond para uma imagem "corpórea" deste filme sem idade. Admirem as acrobacias no cano da pistola ( automática, semi-automática, revólver não me parece, invenção do Q? ,  arma de mão, pronto, as acrobacias isso sim).

 

 
   

 

 

 

 

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Manuel António Pina

por Torradaemeiadeleite, em 20.10.12

Sempre que morre o corpo dum ser literário suspiro também pelas frases que ficam por nascer, pela beleza que ficará informe na poeira do nada. Continua eterna porém a alma do que deixou construído e é nessa beleza que me aninho em conforto.

 

A surpresa da morte de Manuel António Pina aquietada com as palavras que deixou na entrevista para a LER de Janeiro último.

 

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Hemingway e o medo da morte

por Torradaemeiadeleite, em 16.10.12
Do filme "Meia-Noite em Paris" ( realização de Woody Allen, 2011 ).

 

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Na agenda: As Linhas de Wellington

por Torradaemeiadeleite, em 13.10.12

 

Realização: Valéria Sarmiento

Argumento: Carlos Saboga

Produção: Paulo Branco

 

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Os dias que passam XI

por Torradaemeiadeleite, em 10.10.12

 

Fotografia de Robert Doisneau, 1945.

Nestes dias mandam as letras manuscritas, minúsculas e maiúsculas, acompanhadas de números desenhados com cuidado sobre o tracejado para apanhar as curvas certas e perceber as mudanças bruscas de direcção. O contra-senso mais belo da aprendizagem: tudo treinado, repetido, emendado, aperfeiçoado até parecer espontâneo, inato, sem esforço.

Lápis a ferir o papel,  traços carregados, carvão prestes a incandescer, a língua exilada ao canto da boca, os "oi", "ui", "oh"  desabafados à vista do erro, "olha agora, mamã" e mais uma linha de iis. A borracha tortura a folha após as tentativas falhadas, é preciso refazer tudo até ficar com identidade própria e inteligível. Verifico os pequenos detalhes que distinguem uma "a" dum "o", as linhas mais rebuscadas para os rrs e as ondas dum mar imaginário que banham os uus, os traços que ficam em cima da linha e os que podem descer dela como raízes fortes. Já não me lembrava que era assim.

Sinto-me privilegiada porque penso nos que foram privados de tal oportunidade ( e são de natureza diversa as razões de tal impedimento ): assisto à evolução da aprendizagem do meu filho, à aquisição das ferramentas que lhe permitirão reconhecer as mais belas construções com letras ( e números, mas perdoo-me a preferência ). Reflicto sobre os processos que permitem ao cérebro reconhecer códigos, fazer associações e estabelecer padrões, memorizá-los e reproduzi-los depois sem ajuda da cópia. No fim parece tão simples, mas sei que não é assim.

Mas como desses assuntos o petiz não suspeita sequer, cabe-me gerir os pequenos impasses,  explicar-lhe que o erro faz parte da aprendizagem e  conter as suas expectativas quando  conclui que três semanas  de algumas letras exaustivamente repetidas já deviam ser mais que suficientes para saber ler as suas histórias.

Segue a caminhada, amparada e vigilante. Que o entusiasmo não esmoreça.

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Capitão Romance

por Torradaemeiadeleite, em 09.10.12

 


(...)
Por querer mais do que a vida
Sou a sombra do que eu sou
E ao fim não toquei em nada
Do que em mim tocou
(...)



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Lugares para ler IV

por Torradaemeiadeleite, em 04.10.12
Campo dos Mártires da Pátria  e Jardim da Cordoaria , Porto.
Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

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É o Moustaki

por Torradaemeiadeleite, em 01.10.12

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

Serralves é por nós acarinhado há já muitos anos. Neste Domingo, ofereceu os seus jardins à Festa do Outono. Esta Fundação faz questão de abrir os seus domínios aos cidadãos e ao longo do ano multiplicam-se as iniciativas que engrandecem uma das suas missões - a democratização da cultura.

Fomos espreitar  as exposições, a música ao vivo, o cirandar das famílias por entre as diferentes oficinas e atracções. De quase tudo houve registo e mais uma vez se sentiu aquele abraço aos mais novos que Serralves alimenta há muito.

Pormenorizo uma casualidade. Num grupinho amontoado à volta duma artista que improvisava chapéus com material reciclado, fixei-me num pequeno gira-discos vermelho. A música preenchia os espaços que os comentários e o zum-zum dos petizes deixavam ainda disponíveis. Na atmosfera que ajudava a criar, destacaram-se palavras francesas unidas em melodiosa pauta vintage. E entra aqui a mais-valia da geração maior - à medida que nos íamos afastando do local, comentou o meu pai "olha qu'este parecia o Moustaki", "quem?", "o Moustaki, o Georges Moustaki, olha ( pausa a ouvir a letra ) é mesmo o da gueule métèque", "ui" ( pensei ), "é do meu tempo, tinha umas barbas e cabelo comprido". E ficou por ali este intróito, já a atenção se desviava para outros caminhos. Ficou por aí até chegarmos a casa, quando revi as fotografias e me reencontrei  com  aquele tempo das capas de vinis e penteados afro a prometer coisas dos U.S.A. O Philips vermelho-olha-para-mim mirava-me. Pousada na mesa estava uma capa do artista que, agora sei, era o Moustaki. Para o ouvirmos de novo, meti-me no "Tubo" e confirmei as barbas e o cabelo comprido num vídeo de 1969 e meias cor-de-rosa ( os pormenores, os pormenores ). Afinadas, as notas dum auto-retrato:

 

Avec ma gueule de métèque

De Juif errant, de pâtre grec

Et mes cheveux aux quatre vents

 

Avec mes yeux tout délavés
Qui me donnent l'air de rêver
Moi qui ne rêve plus souvent

(...)

  

Desta experiência extemporânea retive este facto que, não fosse o meu pai ser "de outro tempo", a tarde em Serralves não teria valido metade do que valeu.

 

 

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