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Sobre Fernando Assis Pacheco e o Dia das Livrarias

por Torradaemeiadeleite, em 30.11.12

"Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se.
A morte-merdeira não tem atenuantes. A puta infame tem quanto muito coincidências. E neste caso coincide ser Dia das Livrarias a 30 de Novembro.
Acho que sei quem saberia rir da coincidência. E brindo a isso."

 

João Pacheco


( Mensagem de filho que li no sítio da Fundação Saramago. Em boa hora. )



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Quando o Palácio ainda era de cristal

por Torradaemeiadeleite, em 28.11.12
Fotografia Palácio de Cristal, Outubro de 1897 - Branco e Negro semanário ilustrado nº82.
Por muito que os edifícios mudem ou sejam rebaptizados, é a memória popular e o seu falar que dão identidade a muitos dos lugares e obras arquitectónicas que hoje desenham a paisagem. O Palácio de Cristal, no Porto, é disso um emblema. Quando em 1951  o edifício foi demolido e construído no seu lugar aquele que hoje conhecemos, o nome não foi soterrado e por honroso que seja hoje em dia o Pavilhão Rosa Mota ( que já foi Pavilhão dos Desportos ), de Cristal há-de ser enquanto a memória passar de geração em geração. E faz parte do encanto estar preparados para explicar o sonho de ferro e vidro que ali existiu aos que  à vista da solidez do betão nos perguntem o porquê daquele baptismo.

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Madness

por Torradaemeiadeleite, em 22.11.12

Do novo álbum dos Muse - The Second Law. Os sons novos e os que homenageiam sem pudor os Queen e os U2. Atentem ( e é expressamente proibido sair do estaminé antes de ouvir o solo de guitarra lá pelos 3 minutos e pouco ).



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De Tennyson, de Bond e dos dias lusos que passam.

por Torradaemeiadeleite, em 16.11.12

(...)

"Though much is taken, much abides; and though

We are not now that strength which in old days

Moved earth and heaven, that  which we are, we are

One equal temper of heroic hearts,

Made weak by time and fate, but strong in will

To strive, to seek, to find, and not to yield."


 

ULYSSES, Lord Tennyson - 1842.

( Também em Skyfall, lembrado pela M )

 

 

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Lugares para ler V

por Torradaemeiadeleite, em 14.11.12
Castelo de Guimarães. Fotografia de Torradaemeiadeleite (Out. 2012).


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Resposta à crise.

por Torradaemeiadeleite, em 11.11.12

 

 

Fernando Assis Pacheco fotografado por João Rodrigues (anos 90).



Para palavras loucas orelhas moucas. Às frases mais infelizes que ouço sobre o contexto nacional deixo  que o meu queixo caia livremente porque não consigo verbalizar nada sobre o que não compreendo, menos ainda quando o incompreensível sai da boca de homens e mulheres que, pelos lugares que ocupam, deveriam ser sábios.

Os meus dias também são combativos mas ainda tenho a mente suficientemente sã para filtrar o que ouço e optar por fortalecer o meu cérebro com frases boas, muito boas. E da leitura de "Trabalhos e Paixões de Benito Prada" de Fernando  Assis Pacheco vieram tantas, tantas, tantas que  me atrevo  a escrever que ninguém deveria morrer sem antes o ter lido. Não porque o romance tenha a ver com preparação para "a" viagem ou a afirmação seja exagero estilístico de apreciação mas simplesmente porque é muito bom ler ( ou ouvir ler ) este livro que, mais do que de tudo o resto, fala de vida, pois claro. Eu não sei o que nos acontece quando morremos, poderemos depois não  ter usufruto dos sentidos ou então tendo-os poderá faltar-nos uma biblioteca. Assim, bem vêem, mais vale prevenir do que remediar.

Deste senhor já conhecia "A Musa Irregular", uma antologia poética de que partilhei parte de um dos poemas que me marcaram. Gostei da ausência de tabus, da verdade sem floreados, dos floreados sem pretensiosismo, do jeito arrebatado e das palavras inventadas quando a língua não as tem adequadas.

Mas da existência do romance sobre um "galego da província de Ourense que veio a Portugal ganhar a vida" soube pelo desabafo daqueles que já o tinham lido e lamentavam a inexistência de reedições. De facto, desde a primeira edição em 1993 pela ASA que não havia "Benitos" à venda. Decidiu a Assírio e Alvim pela reedição de toda a obra de Fernando Assis Pacheco e 2012 trouxe-me às mãos o tão elogiado livro.

Não vivem nas suas páginas palavras a mais ou a menos. São gráficas, ilustrativas, fotográficas até, muitas delas surpreendentes mas lá está, estas já eram características daquele escrever que me impressionou. As frases conspiram para nos transportar ao falar e viver do fim do séc. XIX e primeira metade do séc. XX, aos ares e caminhos da Galiza e do norte português, ao seu contexto histórico e cultural, à sociedade em geral e a alguns lares em particular.

Desfilam os prazeres do corpo, da boca e da alma, o valor da amizade e da palavra, a singularidade dos princípios (a)morais e a força dos ideais.

Perfilam-se os regionalismos, a têmpera dos personagens, as maquinações do orgulho e do preconceito e os retratos de ambições e frustrações.

E o que é tudo isto se não a vida, com tantas matizes e curvas de estrada? Escrita com palavras insubstituíveis, com humor, com muito humor, com ironia, com espontaneidade, com conhecimento de causa e com imaginação. Não é para todos.

A esta minha liturgia de impressões, falta ainda uma piscadela de olho aos meus conterrâneos que reconfirmarão a nossa múltipla irmandade com os galegos pelas linhas da vida de Benito Prada.

Nada é à toa. Ao talento do escritor aliam-se os genes ourensanos do lado materno que o inspiram nesta  narrativa ímpar.

Termino agora como comecei ( tirando o breve e austero preâmbulo ): ninguém deveria morrer sem antes ter lido ou escutado os "Trabalhos e Paixões de Benito Prada".

 

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Doodlecá, doodlelá.

por Torradaemeiadeleite, em 09.11.12

 

A ideia dos doodles do Google está "a cantar" e a encantar o mundo dos  píxels desde 1998. No Torrada moram já alguns que fui apanhando em flagrante e hoje temos mais um, literário.

Abraham ( Bram ) Stoker nasceu no dia 8 de Novembro de 1847, em Dublin, e celebrizou-se com "Drácula", uma história de vampiros editada em 1897 que exponenciou o folclore de alguns países europeus e imprimiu com maior  ou menor derivação a imagem que actualmente cultivamos de vampiros.

Mas serviu esta efeméride para me pôr a buscar as origens da "doodlemania" do Google e acabei no armazém dos que já passaram mas que continuam curiosos. As propostas de temas podem chegar de qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. No tempinho que dispunha viajei por cá e por acolá só para cheirar a variedade. Lá estão os lusos com Amália, o Euro 2004, Garrett, Quental, Pessoa e até o Vitinho lá dorme.

Basta ir aqui para cusquices intercontinentais.



 

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"Yes, we can" go "forward"!

por Torradaemeiadeleite, em 07.11.12

Fotografia Jason Reed/ Reuters.

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Bond, James Bond II

por Torradaemeiadeleite, em 06.11.12

 

Segue a enciclopédia à la Bond com a letra "C" de carros e de cinquenta, os anos contados desde o primeiro filme.

Nem sempre o espião teve um carro, ou pelo menos "o carro", o acessório rolante que afirmava o seu estatuto e gritava a sua distinção. Nos primeiros dois filmes ( Dr No e Da Rússia com Amor ) o propósito dos veículos não era espectacular, nem eles eram em si mesmos memoráveis. A acção não incluía duelos sobre rodas em fugas habilidosas, capacidades futuristas ou performances impróprias para o normal ritmo cardíaco.  Serviam isso sim para o espião ir do ponto A ao ponto B mais rápido do que a pé.

Mas chega 1964, o ano que nos revela Goldfinger, o terceiro filme, e chega borbulhando novidades,  acicatando o desejo do mundo com uma das maravilhas do tempo moderno: o Aston Martin DB5. Nasceu uma estrela e quarenta e oito anos mais tarde ela voltaria a brilhar, nas estradas e planos do realizador do mais novinho Bond, Skyfall. Vi, vi muito bem e admirei. Abençoados os que desenharam tal chisme1, incólume à passagem do tempo, lindo, lindo, que na era da "hiper-técnica" empresta ainda tanta elegância,  charme  e segurança à acção do filme. Quando eu for grande quero ter um assim.

Desde então guardou-se sempre espaço nas aventuras de 007 para máquinas marcantes, umas mais do que outras, ao sabor das eras, dos realizadores, dos orçamentos, da competição entre marcas para ganhar o destaque no filme seguinte.

Sim, mais tarde era prestigiante aparecer num Bond mas dizem-me as minhas fontes que foi o bom e o bonito para conseguir negociar com a Aston Martin a aquisição daquele modelo. Pormenores à parte, conseguiu-se fechar o negócio e em tempo útil se planeou a modificação do carro para incorporar metralhadoras, assento ejectável, vidros anti-bala, matrículas cambiantes e mais algumas habilidades para fintar os meliantes.

São cinquenta anos de James Bond, cinquenta anos que desafiam as preferências de cada um de nós e cinquenta anos celebrados com Skyfall, um filme com realização de Sam Mendes que foi para mim memorável: no plot, no vilão, no espião, no carro, na fotografia, na música e no genérico, mais ainda  no regresso à natureza primordial de Ian Fleming como quem fecha um ciclo ( mas promete mais ).

O conjunto dos filmes Bond reúne a passagem das décadas nos ideais de beleza masculino e feminino, nos perfis psicológicos dos vilões, nos carros, nas armas, nos motivos pelos quais se mata, manipula ou se quer ver o mundo a arder e ainda se vê a passagem das décadas nos medos que nos assistem como sociedade.

Tanto como uma enciclopédia, os Bond davam na verdade um bom estudo antropológico.




1Vocabulário crastejo: chisme (pronunc.  tchisme) - mecanismo, engenho mecânico, geringonça.


 

 

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Clássico outonal

por Torradaemeiadeleite, em 05.11.12

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite, Out 2012.

 

Num dia de clássicos em Guimarães, Outono genuíno nas cores e na atmosfera, raptei esta testemunha das bibliotecas itinerantes portuguesas. De 1986 até 2003 serviu a Câmara Municipal de Ponte de Lima levando livros e revistas pelos caminhos limianos. Foi doada, após um interregno de inactividade, ao Clube Limiano de Automóveis Clássicos que a recuperou ( primorosamente  acrescento, que a vi ao vivo e a cores ) e reabilitou as prateleiras para livros temáticos de automóveis clássicos e livros de autores limianos. No sítio deste clube podemos ver as etapas da Fénix renascida.

Elogio o interesse na preservação da memória que a viatura transportava, o destaque das fotografias do legado cultural itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian e a fomentação do património cultural limiano. Do velho fez-se novo e a um passado meritório acrescentou-se valor, préstimo e longevidade.

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite, Out 2012.

 

 

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