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A propósito de 2013

por Torradaemeiadeleite, em 31.12.12

 

Fotografia de Eduardo Gageiro, 1960.


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Caim

por Torradaemeiadeleite, em 28.12.12
"Cain and Abel" - Pintura de Keith Vaughan, 1946.


De entre muitos gostos que um bom livro me pode oferecer está também o de me revelar novas maneiras de contar um conto. Às vezes, o tema é recorrente mas a "mecânica" da narração, as imagens que o contador cria e a roupagem que os personagens "vestem" dão-lhe uma reveladora perspectiva, soa a novidade e pode desconcertar-me. "Caim" de José Saramago cumpre plenamente esse requisito.

Talvez por ter partido para a sua leitura sem certezas ou pré-formatações, antes com permeável e receptiva neutralidade, o prazer tenha sido mais efectivo. E sobretudo não esquecendo que é de um romance que se trata. Não é um estudo científico, nem uma biografia ou ainda um ensaio.

Também por isto não faz sentido para mim a polémica que rodeou o livro quando foi publicado. Mas se para alguma coisa serviu esse burburinho foi para que não passasse despercebido, o que então é justo,  pois o modo como a história é contada, o tema escolhido e o autor não mereciam ser votados à indiferença. 

Dar destaque a um episódio bíblico, a morte de Abel pelas mãos de seu irmão Caim e habilmente explorar as suas lacunas interpretativas, servindo amplamente o propósito de discutir com Deus, é um tema deveras interessante, mais ainda quando se propõe revelar um Deus com falhas e com defeitos humanos. Numa entrevista de 2009, José Saramago explica melhor: mais do que questionar Deus, em "Caim" questiona-se a Humanidade que criou Deus. É tanto o que esta frase encerra que dá material para muitos textos à roda desta obra, mas agora prefiro voltar ao modus operandi que admirei.

Para além da escolha daquele acontecimento, explorado a vários níveis, o contador desta história leva Caim a viajar no tempo ( sempre dentro dos limites temporais do Velho Testamento ) conferindo-lhe a natureza de testemunha de muitos outros acontecimentos e munindo-se o autor de mais possibilidades argumentativas e oportunidades para "comprovar uma vez mais que o senhor não é pessoa em quem se possa confiar".

Ao me ser proposto ler literalmente as palavras bíblicas, como se fez durante tantos séculos, sem recurso a um explicador dessas metáforas milenares, reconheço as incongruências do discurso bíblico e a multiplicidade de interpretações a que podem obedecer. A narração adquire logo credibilidade, cria-se o benefício da dúvida e isso é mais de meio caminho andado para o sucesso da narrativa. Mas não esqueçamos que a mesma leitura "à letra" esteve na génese de tanto temor a maldições, castigos e iras divinas que tolheram o pensamento e acções de tantos crentes ao longo de séculos, não se trata portanto dum faz-de-conta inocente ou arbitrário. Penso mesmo que esta obra é uma homenagem à liberdade de pensamento e reforça a importância da dúvida racional na nossa caminhada humana.

Não  me demorarei muito com a habilidade estilística para criar no leitor empatia pelo protagonista e fazer deste a voz da sua indignação, mas é forçoso que refira que a ironia, o humor e o desplante são grandes armas num tête-à-tête com Deus.

Quando se consegue que o leitor com pouca condescendência para com um assassino acabe a compreender as razões deste e a sentir que poderia ser ele, nas mesmas circunstâncias e tempo, a estar no lugar do protagonista então o artista é um bom artista e a história está muito bem contada.

 

 

 

O livro de que escrevo:  "Caim", José Saramago - edit Caminho, 10ª ed. (1ª ed. 2009)

 

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Natal

por Torradaemeiadeleite, em 23.12.12

Na natureza emotiva do Natal cabe também o agradecimento. 

Um bom Natal para todos.

 

 


 

 


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I May Be Paranoid But Not Android

por Torradaemeiadeleite, em 17.12.12

Radiohead. Uma presença há muito devida no Torrada.

Para já, uma viagem no tempo até 1997, ano do lançamento do terceiro álbum "Ok Computer", onde se inclui o inconfundível Paranoid Android:

 

 

 

 

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Sobre o Ensino

por Torradaemeiadeleite, em 16.12.12
Fotografia de Martin Rogers / Workbook Stock.

 

 A propósito das Humanidades e da Tecnologia:


"Está-se a cair num erro, que pode ser trágico para a nossa civilização: repensar o ensino, tendo por base a ideia de formar as pessoas para o mercado de trabalho. Nesse sentido, a tendência é para o desaparecimento das Humanidades. Estou absolutamente contra. Esquecemos que aquilo que é bom num dado momento, pode não ser daqui a uns anos. O melhor por isso é criar nas pessoas um pensamento ponderado e uma cultura geral, que é uma vantagem competitiva enorme. Porque o que importa é saber para usar a net."

 

José Afonso Furtado  - ao Jornal de Letras sobre o seu novo livro "Uma Cultura da Informação para o Universo Digital".

                                         (Jornal de Letras nº 1100, de 28 de Nov a 11 de Dez de 2012 )


 Também à volta destes temas se andou aqui.


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Recortes

por Torradaemeiadeleite, em 14.12.12

Não são, sei que não são os recortes graníticos de Crasto, mas há muitos relevos e perspectivas laboreiras que podem ser mimetizadas por este gif chuvoso. E sei a que sabe ter lá fora uma cortina de chuva pesada e vento a gritar para entrar, sei a que sabe quando dentro crepita a lenha generosa e a luz  avermelhada  estremece  o pensar. Sabe a paz, sabe a protecção, sabe a família e a sonhar.

 

 

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Da claridade à obscuridade

por Torradaemeiadeleite, em 10.12.12

O ano 2013 vai nascer sem "Câmara Clara". Estarão previstos programas de igual natureza e com a mesma qualidade?

Já estou com saudades.

 

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Sábado na Baixa em alta

por Torradaemeiadeleite, em 08.12.12

 

Porto, Praça Carlos Alberto. Fotografia de Torradaemeiadeleite, Out 2012.

 

Sábado é dia de feira de velharias e oportunidades na Praça Carlos Alberto.

A última vez que lá fomos o Sol estava mais tímido que o de hoje. A tarde passou num instantinho. Deixámos passos na feira mas também nos "Leões", no Jardim da Cordoaria e nos Clérigos, tudo tão pertinho, fotogénico e tripeiro. O Porto roubou-nos o olhar pelas janelas do Centro Português de Fotografia ( antiga Cadeia da Relação ) e o conforto do estômago veio a galope dum Piolho com reflexos dourados nas colunas e memórias estudantis de todos os tempos e fitas.


Vai a tempo a sugestão?

 

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Boa massa

por Torradaemeiadeleite, em 03.12.12

 

 

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