Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Mar do Infante

por Torradaemeiadeleite, em 29.06.13

 

Que revelação singular vem na espuma deste Atlântico. E por águas destas sonhou, mui bravo, o Infante navegar.

Segue a parada, determinada e alinhada para um dos lados, fora três, desorientados - onde irão aportar?

Nadam alheios à cadeia alimentar, isso vê-se, não há que procurar. Mas diferenças postas à parte, e tolerância para os demais, assim é a natureza deste húmido e salgado lar.

Muitos esbugalhados, outros só incomodados, e uns  sem jeito, ainda a duvidar - teria sido segredo, anedota ou, isso sim, pois, um pum a navegar?

Aqui não houve azares ou desaires de evolução: as espécies tortas continuam a proliferar e perseguem o grandalhão, vai na frente a rabujar.

E estes aqui, com corninhos no ar? Ai, desculpem, não era para ofender, quem diria, é tudo anatomia para melhor poderem ver.

Vai ali um de sorriso confiante, peça rara, a mais colorida. É um desnorte ver a baleia azul, que portuguesa. Terá ela certeza deste mar ou andará perdida a sonhar?

Olha aquele ali em baixo, isso sim é que é mania, até frase tatuou de perfeita ortografia. Traço diferente, bem destoa, mas um pedido de lobo do mar deve, sempre, sempre, estar em dia.

Este ambiente inusitado é um genuíno gosto de mar. Assim o infante o viu e a obra pronta quis desenhar.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Não há feira, mas há escritores.

por Torradaemeiadeleite, em 23.06.13

Não tenho fotos. Não daquelas que outros também vejam, só as que tirei com os olhos e guardo na massa pensante. São as fotos dos escritores e dos leitores que partilharam a indignação duma ausência, a da feira do livro no Porto.

Não temos feira, mas ontem tivemos escritores e leitores nas esplanadas com vista para a  Praça da Liberdade. Liberdade para pensar, para falar, para desabafar a indignação que vai na cidade. Como foi lembrado, a cidade será aquilo que os seus cidadãos desejarem.

Pensamentos e dizeres  com muita crença na cultura e esperança na cidadania. Na sombra só ficaram mesmo os nossos penteados, alvos incautos dos desígnios dos pombos também eles em reunião, jocosos pareciam, por não se moderarem nos ímpetos que a natureza lhes cobra. Mas vá, acidentes com risota não são graves.

Foi bom confirmar a natureza corpórea das obras que me deliciam, os senhores e senhoras têm mesmo figura humana. É que às vezes  esqueço que o divino é mesmo cá na terra que vive e trabalha.

Foi muito bom ouvir e comentar o estado das letras na avenida. O espaço não é determinante, a Inbicta tem felizmente muito por onde escolher, já experimentou a rotunda da Boavista e o Palácio ( para sempre de Cristal ) e todos foram cenários inesquecíveis. Será determinante o dinheiro? Já experimentou outras épocas de crise económica e sobreviveu para contar. Determinante é a vontade. Determinante é a voz para exigir uma mudança de rumo.

"Fotografei" o texto de Pedro Guilherme-Moreira, um quadro pintado com a pronúncia tripeira e com cores dos trabalhos dos colegas escritores, cores das suas memórias pessoais, cores da geografia portuense, cores de sonhos de menino que quer escrever e mais, cor das cores, viver da sua escrita. Lindo. Humorado. Oportuno. Um bouquet dos sentimentos que iam na praça àquela hora.

Improvisos, aplausos, agradecimentos. Vontade. Homens e mulheres ( lá estavam Inês Botelho e Adélia Carvalho, mobilizadora, animada, contagiante ) que não tiveram medo de politizar as letras, que eu entendo por política a acção pensante interventiva, cívica, democrática que quer melhorar as condições de vida dum povo, que acorda consciências,  que prepara o futuro e o salvaguarda da repetição de erros.

Nos candeeiros e troncos protestavam os textos de outros escritores que não quiseram deixar de estar presentes, ainda que em corpo de letra. A corda prendia-os à árvore, sempre esse símbolo de vida, mas a inspiração passeava depois à boleia de cada um que lia e seguia para outra paragem.

Nada de tristezas. Dia 29 de Junho outros voltam à praça, à da Liberdade que não quer acomodar-se. À cidade, que não quer adormecer.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Linhas sinuosas

por Torradaemeiadeleite, em 20.06.13

Há caminhos planos, rectos no desenho e nas fronteiras. Embora cómodos na sua previsibilidade, são vazios de alternância.

As escolhas sacodem, despertam, inspiram e obrigam a contemplar outras perspectivas.

 


Um rio visto pelo astronauta Chris Hadfield.



Autoria e outros dados (tags, etc)

Um pouco de consolo para as saudades

por Torradaemeiadeleite, em 17.06.13

 

Esta é a iniciativa e este é o blogue.

 

  

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

No princípio era o grunge II

por Torradaemeiadeleite, em 16.06.13

Pearl Jam - Even Flow unplugged

Do álbum Ten de 1991.

 

 

(...) 

 Kneelin', looking through the paper though he doesn't know to read, ooh yeah
Oh, prayin', now to something that has never showed him anything
Oh, feelin', understands the weather of the winters on it's way
Oh, ceilings, few and far between all the legal halls of shame, yeah
Even flow, thoughts arrive like butterflies
Oh, he don't know, so he chases them away
Someday yet, he'll begin his life again

 (...)

Autoria e outros dados (tags, etc)

Véspera de Bloomsday

por Torradaemeiadeleite, em 15.06.13

A propósito da "odisseia" de  dezasseis horas que Leopold Bloom protagonizou nas ruas de  Dublin num dia 16 de Junho de 1904. A culpa é dos admiradores de James Joyce. Quantas personagens de ficção têm direito a um dia só seu? Quantos autores têm admiradores tão empenhados?

Como se escreve aqui, Ulysses extravasa a geografia da Irlanda e amanhã será lembrado à escala mundial. As celebrações, sob diferentes formas, terão  vida em vinte e cinco cidades de diferentes continentes.

 

Bora lá fazer um "Blimundasday" ou um "CarlosdaMaiasday".

 


1ª edição de Ulysses.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Saudades

por Torradaemeiadeleite, em 14.06.13

Que vazio na avenida. Tanto espaço e nenhum livro.

Revejo-me no prazer de quem pôde disfrutar da feira no Parque Eduardo VII. Maio e Junho brindaram a capital com bom tempo, muitos turistas e jacarandás em flor. Ganharam-lhe o gosto e como não, já pediam mudança de data há tantos anos.

Era nossa esta luz,  temo agora que não voltemos a recuperá-la.

Sr. Rui Rio, perdemos mais do que à primeira vista transparece. Participações à parte na culpa de não termos feira do livro o que parece é que nem sequer deu luta. Não haveria mesmo qualquer possibilidade de negociação?

Tanto espaço e tanto nada.

 

 

Feira do Livro do Porto em 2009.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Era uma vez

por Torradaemeiadeleite, em 12.06.13

No tempo dos telhados de colmo, das distâncias sem estrada e das profecias de extinção.

 


Autoria e outros dados (tags, etc)

Ainda os CTT

por Torradaemeiadeleite, em 09.06.13

Da crónica de Miguel Sousa Tavares no Expresso, 8 de Junho de 2013:


"(...) Uma coisa é encerrar centros de saúde ou escolas sem alunos, fundir hospitais e agrupar escolas: a qualidade do serviço melhora e o Estado responde pelo transporte de doentes e alunos - ninguém fica sem alternativa, boa ou razoável. Outra coisa, porém, é encerrar linhas de comboio, tribunais, estações de correio. As pessoas ficam sem alternativa local, as pequenas terras perdem ainda mais emprego, serviços, actividade económica, vida humana. Sabemos de há muito os custos imensos que o despovoamento do país tem causado: custos físicos, financeiros, sociais. Bem além das milésimas do PIB que se poupam encerrando postos de correio no interior do país.

Acresce que a privatização dos CTT, à revelia do credo liberal, deve seguir a receita habitual, que consiste em vender mal ou de graça, e uma vez feita a privatização, constatar que os preços sobem e a qualidade do serviço piora.(...)"


Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

À mesa ou ao balcão

por Torradaemeiadeleite, em 07.06.13

"Conversas de Bairro" na Padaria Portuguesa, um documentário produzido pela Vende-se Filmes, ilustra com tanta luz a alma dos cafés ( dos seus clientes ) que me vi sentada numa das mesas com meia de leite e torrada, repetindo sensações que se  perfilam quando ponho reticências no texto do meu dia-a-dia. Bairro da Graça, em Lisboa, só para baptizar, porque podia ser no Bolhom do Puorto ou na Vila de Crasto.

A experiência que ritualizo há tantos anos trouxe-me a inspiradora mistura de caras,  gestos, de ruídos, princípios meios ou finais de histórias ( pessoais numa face e banais na outra face da mesma moeda ) que o vídeo também "apanhou". Corporizam-se ainda essas minudências neste blogue, para o qual nunca supus outro nome ou filosofia. Atrai-me para além da razão o que nos está próximo, desconstruo-o para lhe encontrar a universalidade.

E há um aconchego na normalidade, uma companhia nas pequenas conversas, um calorzinho na humanidade, uma tranquilidade na diversidade.

É tempo de fazer uma pausa e partilhar:

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

No princípio era o grunge

por Torradaemeiadeleite, em 06.06.13

Nirvana - Come As You Are.

Do álbum Nevermind de 1991.

 


"Come as you are, as you were    As I want you to be     As a friend, as a friend, as an old enemy   Take your time, hurry up   The choice is yours    don't be late    Take a rest   as a friend   as an old memory(a)     Memoria    Memoria    Memoria "(...).



Autoria e outros dados (tags, etc)

Castrejos em luta pela manutenção do posto dos CTT

por Torradaemeiadeleite, em 04.06.13

 

 

Também a lutar em horário nobre aqui e noticiado aqui.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Lições de Ílion

por Torradaemeiadeleite, em 02.06.13

 

Príamo e Aquiles.


A propósito da força e das suas diferentes perspectivas e de como da interpretação da Ilíada por Simone Weil se conclui a universalidade dum clássico:

 

"(...) Assim impiedosamente a força esmaga, assim impiedosamente inebria quem a possui, ou crê possuí-la. Ninguém a possui verdadeiramente. Os homens não estão divididos, na Ilíada, em vencidos, escravos, suplicantes de um lado, e vencidos, chefes, do outro; não se encontra nela um só homem que nalgum momento não se veja obrigado a vergar sob a força.(...)"


"(...) Aquele que ignora a que ponto qualquer alma humana depende da fortuna variável e da necessidade, não pode ver como semelhantes, nem amar como a si próprio, aqueles que o acaso, com um abismo, separou dele. A diversidade dos imperativos que pesam sobre os homens cria a ilusão de que há neles espécies distintas que não podem comunicar. Só é possível amar e ser justo se se conhecer o império da força e se se souber não o respeitar.(...)"

 


Simone Weil, A Fonte Grega - Livros Cotovia, 2006.


Autoria e outros dados (tags, etc)

Related Posts with Thumbnails




subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Torradas com bolor

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D