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Do Porto e de Eugénio

por Torradaemeiadeleite, em 27.03.14
Fotografia de Torradaemeiadeleite - Porto, Praça da Batalha.

 

Eugénio de Andrade:

"O Porto é só uma certa maneira de me refugiar na tarde, forrar-me de silêncio e procurar trazer à tona algumas palavras, sem outro fito que não seja o de opor ao corpo espesso destes muros a insurreição do olhar.
O Porto é só esta atenção empenhada em escutar os passos dos velhos, que a certas horas atravessam a rua para passarem os dias no café em frente, os olhos vazios, as lágrimas todas das crianças de S. Victor correndo nos sulcos da sua melancolia.
O Porto é só a pequena praça onde há tantos anos aprendo metodicamente a ser árvore, procurando assim parecer-me cada vez mais com a terra obscura do meu próprio rosto.
Desentendido da cidade, olho na palma da mão os resíduos da juventude, e dessa paixão sem regra deixarei que uma pétala poise aqui, por ser tão branca."

 

 


O Porto é Só..., 1979.

 

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Das minhas leituras

por Torradaemeiadeleite, em 25.03.14

 

Pintura de Lev Lagorio - "Moonlight Night on the Neva River" (séc XIX).

 

 

Debruço-me sobre a água do Neva. A cidade é uma silhueta recortada de pôr-do-sol. Passa a caleche apressada porque alguém a espera há já muito tempo e ouvem-se as fanfarronices dos que gastam o tempo nas portas das tabernas escuras e nauseabundas. Os passeios de madeira e os pátios com porteiros acusam as pressas do fim do dia. Vêm muitos das suas tarefas e ofícios, recolhem ao quarto pobre e ao calor do chá, encarando as paredes com o papel amarelo puído e rasgado, as primaveras e os verões de flores cada vez mais caídas e baças, como baça é a vista que têm do seu próprio futuro e perdidas as primaveras sob o jugo da indiferença.

São Petersburgo ainda não parou. E não parará, mesmo de noite. As mulheres do livrete amarelo e os bêbados, os Roskalnikov e Svidrigáilov desta e de qualquer outra cidade tratam a noite como mais um dia. Só o cansaço ou as febres, as tempestades ou a morte os prostram inânimes, suspendem a clandestinidade e atiram-nos para um lugar silencioso, fundo e escuro.

O rio Neva e a sua cidade. Debruçada sobre a escuridão da água a cismar. Na ponte que é o salto para o suicídio, a passagem para essa outra margem, na ponte que congrega os passos perdidos dos seus personagens e os frágeis corações atemorizados. Ficam-me estas impressões.

Saio daqui num comboio até à Sibéria. Vêem-se as iurtas e os nómadas ocupados com o fogo dos dias  e com os seus animais, as vidas que levam simples e que Ródion ( já somos íntimos, conheço-lhe os pensamentos ) ainda não entende. Em breve. Falta pouco para também ele encontrar razão para viver. A sua experiência e as suas escolhas trarão enfim a oportunidade de renovação que o iluminará. A mesma razão que o levará a suportar sete, ainda sete, anos de trabalhos forçados.

Ando daqui para acolá, num exagero de terra, num século russo de transições. Só não saio do livro.

Acontece-me isto, às vezes. Fico nos livros ainda depois das últimas frases, depois do fim que o escritor sugere ( que eu encaro como uma sugestão - os leitores também escrevem e o final nem sempre é o que o autor imaginou ). Não consigo enredar-me noutra leitura de imediato. Durante pelo menos um dia, às vezes dois ou mais, arrasto comigo a história e só pouco a pouco me vou despindo da pele que me cobriu - leituras ofídicas, e dá para rir. Quantas peles conseguimos renovar?

Com os cotovelos apoiados, seguro a minha cabeça na mão esquerda e com a direita aconchego o meu lenço de drap de dames. Recebo o frescor da água, pressinto a chegada da trovoada, as de Julho são tão ruidosas. Talvez a tempestade chegue ao rio Neva e ele inche e transborde. Que limpe os passeios e leve consigo a miséria humana. Se derem um tiro de canhão é certo que há perigo de cheia.

Pensativa. Sobre os autores que sabem preparar bem uma pele. Os que reconhecem primeiro a boa matéria-prima e que sabem depois evidenciar as melhores propriedades e esconder habilmente os pequenos defeitos. Cuidam da pele com saber e talento e fazem com que dure muito tempo sempre bela. Do leitor penso que deve ser capaz de esquecer-se da sua própria pele ou então deliberadamente pendurá-la num canto do quarto, sobre a cadeira e a velha agiota debruçada que ri do seu assassino porque ele falha em provar a sua própria teoria. Vestirá temporariamente esta que, por ser tão boa, não quererá abandonar completamente. O corpo altera discretamente a sua forma e é preciso reajustar a pele antiga. O leitor - o ser em permanente renovação.

Assez causé. Deixo as iurtas e a enfermaria da prisão, volto às ruas de São Petersburgo nomeadas só com iniciais. A multidão na praça tem vontade de ruído e de negócios. Retiro-me para o lúgubre estabelecimento, para perto do samovar. Ouço as conversas dos estudantes e as suas novas teorias, na outra mesa os mujiques a vituperar. No espelho da vodka entornada por outros estranhos fica a luz ténue a dançar. E eu. Vou permanecer por cá mais algum tempo a pensar, a ajustar a pele ao corpo.

 

 

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Escreve o que vês e pronto

por Torradaemeiadeleite, em 21.03.14
Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Sentei-me a ver o mar. O resguardo desta imensa varanda tem menos um palmo de altura que a linha do horizonte. O paredão, os rochedos e a espuma das ondas ficam entrecortados pelas colunas beges, clássicas e simetricamente perfiladas. Dois candeeiros, de pé verde e com três lâmpadas cada um, têm todo o céu como moldura. Plasma cinzento, acabrunhado, só a breves recortes iluminado, está em crispado contraste com o a ternura deste mar.

Se olho um pouco para a esquerda, vejo as casas e os prédios ( olhem, pousou um passarinho no parapeito, destes comuns - é um pássaro - tapou o farol e já levantou voo de novo ) alinhados com o recorte da costa até lá longe onde adivinho a Granja e Espinho.

O arvoredo continua também, de folhas perenes perenemente verde-baças e as pessoas estáticas ou em volante figuração entrecortam os espaços varridos a vento. E por falar em estátuas, estas verdes salgadas rugosas, miram a mesma direcção de sempre, representam  memórias escolhidas e acrescentam elementos ao meu cenário marítimo.

Abre-se entretanto um feixe de Sol e espalham-se os raios nas minhas mãos. Apetece-me reescrever tudo. São como beijos nos meus dedos e mudam tudo o que sinto. Olho em simultâneo para aquele lago de brilhos, ao fundo das distâncias horizontais, onde já as silhuetas dos cargueiros traçam o limite da água e parecem ausentes de movimento. Não sei nadar, mas não me impeço de querer estar lá porque aqui, no banco vermelho de madeira, há sombra e ruído e ali parece quente e pacífico, no alto, mais alto que o resguardo, e plano mar.

Assim bem sentada a escrever, passam por mim as gaivotas e as pombas em voo próximo. Sou mais um figurino de pedra ou cimento e esqueleto de ferro armado, nada estranho para assustar ou espantar. A avioneta passando alta fez mais alarido do que eu e afugentou todas, mas nem o céu estremeceu a sua sorumbática fisionomia, caramba, que cisma antiga veio hoje ensombrá-lo.

Acrescento ainda os motores que arrastam o ar nas minhas costas, não os vejo, falam todos de modo diferente mas envolvem-se numa massa de ruídos que não me interessa e nem me choca. Se não existissem é que já não era normal. Passa a bicicleta a campainhar, deve ser a sua milésima volta, não preciso confirmar que é mesmo de criança pequena, das que têm rodas de apoio a pisar as pedrinhas e volteiam na mesma cadência, sem se apressar. Selecciono de todos os sons o das ondas suicidas, quando embatem contra os rochedos sem atenuar a vontade, como vêm assim se atiram a eles e estrondam sem controlo de si mesmas porque decidiram que não querer ter controlo as liberta enfim.

Já não me apetece descrever mais. Cansei-me. Vou só estar, por agora. Mais nada.

 

 

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Ícaro enamorado do Porto

por Torradaemeiadeleite, em 19.03.14

 

Fotografia roubada ao "Porto Desaparecido".

 

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Não precisa de um título

por Torradaemeiadeleite, em 16.03.14

 

Nirvana - Lithium.

 

Do álbum "Nevermind" de 1991.

 

 

 

 

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Operação de salvamento

por Torradaemeiadeleite, em 12.03.14

 

 

Das ilustrações que me roubam palavras:

 

 

Ilustração de Arthur Rackham.

 

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Sim, é uma Hasselblad

por Torradaemeiadeleite, em 10.03.14
Neil Armstrong e Edwin 'Buzz' Aldrin com uma máquina Hasselblad, 1969.

 

Poucos nomes se podem orgulhar de estarem associados a acontecimentos marcantes da história humana. Na verdade, do modo como eu penso, as mais insignificantes contingências e banalidades são também importantes neste percurso, mas aqueles momentos que dividem o tempo em "antes de" e "depois de" serão sempre o exemplo, a prova, o mais definidor instante de uma época.

Assim entendo a "conquista" espacial - que de conquista tem certamente a sedução, por vezes muito trabalho e ainda a sonora vaidade ao pronunciá-la ( embora destituída do sentido de domínio ou de subjugação que a palavra encerrará noutros contextos ).

O caminho a percorrer no último território estrangeiro à nossa espécie será sempre marcado com bandeiras e símbolos de que a Lua é porventura o mais inspirador. E é à Lua que vou juntar um nome com perfil que assenta bem ao périplo deste texto - Hasselblad.  De Victor Hasselblad nasceram as máquinas fotográficas que foram modificadas para acompanharem as missões Apollo da NASA entre 1969 e 1972, e das quais uma apenas regressou à Terra. As restantes, dum total de catorze, tiveram que ceder lugar e peso às recolhas feitas na superfície da Lua, pois todos os gramas contam para que uma viagem espacial seja bem sucedida.

A fotografia contribuiu decisivamente para aproximar as "irreais" conquistas ao olhar humano, num modo particular do ver para crer, agigantou a inspiração que tais fenómenos suscitam e libertou a percepção das nossas possibilidades. O salto sobre o abismo que a ciência empreendeu e a aproximou da comunidade não científica foi possibilitado pelos registos "fora de portas" que os astronautas legaram à humanidade, esses documentos que eu nomeio de infinitude, beleza e libertação.

A única máquina Hasselblad que foi à Lua e voltou pode ser adquirida em leilão dia 22 de Março, em Viena, na galeria Westlicht. Está obviamente imbuída de espírito, o que é notável para uma máquina, mas a isso obrigou a aura que tanta história lhe confere. 

Fico-me pelas deambulações contemplativas e por este amor à fotografia, à história e à ciência, mais à Filosofia que está sempre, sempre tão discretamente unida a tudo, também a esta fotografia "à la Hasselblad".

 

 

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Estreia cósmica

por Torradaemeiadeleite, em 09.03.14

A série COSMOS renasceu. Apresentada por Neil deGrasse Tyson ( um senhor ), promete a envolvência, o saber tão bem explanado e a beleza a que Carl Sagan nos habituou na mítica série dos anos 80.

 

Estreia amanhã, dia 10 de Março, às 23 horas nos canais Fox e National Geographic.

 

Suspiro pelo dia em que estes programas serão transmitidos nos canais livres. E em horário nobre? Oh loucura, não me abandones.

 

 

 

 

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Feira do Livro do Porto

por Torradaemeiadeleite, em 08.03.14
Palácio de Cristal, Porto - 1856.

Em contraluz me perfilo e demoro porque é no rio que a luz explode e se multiplica, vai na curva abundante à foz larga e velha, e retorna enfim à origem, o sopro solar que desce no horizonte. Em contraluz será, de costas para as sombras odorosas, as moradas estendidas do Verão que se desprende devagar, vagando sem melancolia porque nem tudo morre com o fim da estação.

O jardim continuará belo. Não há temperatura ou atmosfera que consigam diminui-lo. Setembro e o embalo do arvoredo rumorejando no fim da tarde. Ainda bem nascido, trará quentes as suas aragens e promissoras as suas colheitas. Ainda bem nascido, saberá logo das letras como ninguém. Nos bancos, nos muros baixos,  na soleira da porta da capela, encostados às árvores, nos degraus da concha acústica, espalhados no chão onde parecer adequado - vêem-se as capas novas e as histórias por contar.

O palácio continua de cristal, como é de cristal o reflexo dos seus pequenos lagos onde ponho o olhar a nadar e a ganhar intimidade com os corpos de bronze. Arrepiados. Nomeado de cristal mas é de aço nas vontades - quisemos livros e livros vêm, trazem à cidade as velhas e as novas tradições, trazem à cidade os peitos como invictas muralhas que protegem e acolhem, o orgulho e a amizade, a identidade com sotaque.

Não haverá vento, não haverá chuva nem mesmo frio que faça penar as mãos soltas e diligentes para folhear, nada que sirva de mote para um crime de "lesa-letras", porque a casa tem paredes e tecto - são feitos de muito querer.

Espero Setembro, mas pinto-lhe já o retrato: as letras com equinócio a reverberar no jardim, a frescura alta do rio e o horizonte ébrio de mar.

 

 

 

Feira do Livro do Porto 2014 em Setembro ( dias 5 a 21 ), nos jardins do Palácio de Cristal - organização da Câmara Municipal do Porto.

 

 

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E o tempo que espere

por Torradaemeiadeleite, em 06.03.14

 Fotograma do filme "Inception" ( Cristopher Nolan, 2010 ).

 

Se eu pudesse, dizia ao tempo para me esperar à porta de carvalho carcomido que chispa pelas frinchas tortas os últimos veios de luz, aquela mesmo ao cimo das escaleiras. Que se abrigasse como pudesse para não apanhar frio, porque a entrada da casa é muito combatida de vento e de chuva. Ficasse ali parado, quase a bater os dentes espaçados e gastos, agarrado ao capote como à vontade de fugir dali porque paciência para esperar é qualidade que o tempo não tem.
Eu entraria de novo, mansamente consciente de inaudita proeza, venceria a soleira da porta para penetrar na luz mortiça da lâmpada, uma só no imenso tecto negro. A lâmpada amarela como os sorrisos descuidados e como os esgares dos que passavam a espreitar os modos da casa, congratulando-se com a miséria que entretida ali não os  atrapalhava.
A luz sedenta de espaço, mas a definhar por anos acanhados de vontade e de querer. Mortiça a morrer uma morte suspensa. Quem dera que viesse logo pronta essa imagem da inevitabilidade, que sem mais agonia viesse terminar o puído viver - e não, não sou eu que o peço, eu entro e sento-me. Deixei a cerimónia lá fora, a fazer companhia ao tempo, talvez lhe ensine alguns modos.

Estão todos ocupados nas suas tarefas e não me olham. Cheira a lenha queimada e a pêlo de cão molhado - ah, não, deixa-o estar, ainda não é hora de recolher e o calor faz-lhe bem, também merece conforto e paz. Este cão andou tanto, defendeu muito, desde nascido cá por casa, bem merece amparo na sua velhice fria - quem diz que não é como nós, gente, se até no modo de suspender as urgências se nos assemelha?

Sobe o odor da gordura frita, estala e restala até todos nos habituarmos ao fartum, que já não incomoda como quando se entra do fresco do caminho.

E só agora fixo-me na janela, aberta para o fumo escapar e vendo o corpo vaporoso sumir na sonoite. Não sabem como me encanta ainda o recorte dos vultos rotinando de canto em canto, sem questionar os porquês de fazer assim e assim e nunca de outro modo, recortados digo, na claridade tolhida que rompe pela chaminé improvisada, a despedir este dia que só agora deixou confirmar que afinal havia sol lá em cima, apesar das nuvens durante todo o santo dia, a chover sem descanso e sem descanso a modorrar estas almas. A janela com o horizonte de pedra para ser galgado, o imenso espaço que só na geometria da ventana é mínimo porque infinito seria se houvesse desejo de o perscrutar e transpor. Mas aqui toda a vontade cessou já. Nem eu cumpro ainda essa viagem, falta-me a coragem. Vim só para perscrutar-lhe o princípio, lembrar-me do primeiro centímetro. E então demoro-me e repito-me, apanho ar da janela e das frinchas da porta de carvalho carcomido. O tempo e a cerimónia lá fora. 

Esperamos.

 

 

 

 

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Quem está aí?

por Torradaemeiadeleite, em 01.03.14

 

Encontros de entrudos passados.

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

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