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Pó de estrelas

por Torradaemeiadeleite, em 30.05.14

As fotografias que destaco hoje são parte dum trabalho recente do astrofotógrafo Miguel Claro nas ilhas açorianas.

O seu sítio na internet - http://www.miguelclaro.com - tem as explicações detalhadas do quanto se vê neste céu e merece ser visitado, colocado nos favoritos e namorado assíduamente.

De Carl Sagan ouvi pela primeira vez esta poética certeza de que sou feita de pó de estrelas. Olho as fotografias de Miguel Claro e reencontro a impressão indelével, de maravilha e generosidade, que aquelas palavras me deixaram.

Porque tudo o que emociona e revela é poesia, partilho estes poemas:

 

Noite no Lago do Fogo, Açores - Fotografia de Miguel Claro.
A noite nos Açores - Fotografia de Miguel Claro.

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Sete, de corpo e alma.

por Torradaemeiadeleite, em 29.05.14

 

 

Ilustração de Travis Bedel.

 

 

Lembrar uma data poderá ser ou não a representação do tempo em "antes de" e "depois de" mas implica sempre o reconhecimento do que a destacou. Vale o que vale e aplica-se a datas de boa e de má memória. Este exercício fará mais sentido se dele conseguirmos reter alguma aprendizagem ou, ainda, se com tão pouco ( ou com tanto ) nos for possível arrumar ideias e seguir caminho. Veja-se isto ainda como uma forma de deve e haver, uma mania da consciência e certamente a procura de sentido para o que nos vai acontecendo. 

Por agora, e para o que quero expor, é um modo de afirmar uma existência no mundo, de repetir um prazer e de reproduzir um instante peculiar - lembro a materialização do Torrada e os seus sete anos de molecular identidade.

Por vezes, os blogues são alter-egos ou avatares do seu autor, tantas vezes as fracções de mundos que vivem da sua imaginação. Nos outros casos, serão mesmo a heróica tentativa de mostrarem tal e qual quem os assina. Mas mesmo reais ou alternativos e imaginados são, a meu ver, um fiel reflexo, acentuo o reflexo, do seu mestre bonecreiro - o "eu" tem tanto daquilo que somos como do que não somos e não arrisco sequer responder qual das partes nos define melhor.

O Torrada não é um alter-ego e não é um avatar, mas revela, em pequenas pinceladas, a luz e a sombra do meu mundo e, como em qualquer mundo, convivem aqui o real, a fantasia e o sonho.

Em cada texto, em cada imagem, em cada música e poema estão as moléculas que remetem para a sua filiação e está também o que se fez independente de heranças parentais.

Reconhecemo-nos também pelo que somos nos outros ( e com os outros, e para os outros ) e um blogue, embora não sendo gente mas feito por uma anima pulsante, vive a mesma dicotomia. O Torrada alterou-se assim na interacção com o que o rodeia, torna-se pouco a pouco mais complexo, em camadas que vai encorpando e admitindo debaixo da sua pele - chamemos-lhes experiências, revelações, inspirações ( e tombos, precipícios, derrapagens ). E deixo este reparo de que do que é complexo não posso abstrair conotação boa ou má, apenas o estado diferente daquilo que já foi e muito seguramente do que virá a ser.

Já me detive, em diversas ocasiões, nos textos dos primeiros anos e comparo. Se me recuso a apagar textos antigos que já nada me dizem ou que os penso mal escritos, é por sentir que o passado não deverá ser um obstáculo ou uma vista resguardada do meu próprio olhar, mas antes uma força que me incita e uma luz que me justifica. Reconheço que, sem aquele passado, não haveria este presente e este presente é a única coisa que de facto é. Dos primeiros textos e imagens, as pegadas fossilizadas que o tempo não apaga mas que o tempo ele mesmo contextualiza e ameniza culpas.

Basta de divagar ( vamos ao "dipressa" ): com o que já vai escrito, remato como nas outras singelas celebrações desta data, sem fazer promessas nem jurar compromissos, mas à espera de mais caminho para andar, sendo que é de aprendizagem que falo e não de distância a percorrer. Registo "em voz alta" a única certeza que neste momento me assiste, a de que continuo a gostar de torradas e de meias de leite.

Até já.

 

 

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A sala

por Torradaemeiadeleite, em 27.05.14
The Abyss of Hell - de Sandro Botticelli.

 

A sala homenageia a luz. Entenda-se a luz em todo o seu espectro e perceba-se nesse espectro a sua vária significação. Como se um espaço pudesse mesmo das sombras e da noite conter apenas o que as torna mais belas, é assim que vejo esta morada com portas para muitos mundos.

Do exterior percebe-se logo a sua dimensão se a medirmos como mandam os preceitos da volumetria, mas quando entramos tem o tamanho da maior medida que conheço que é a da imaginação.

Há espaços que nos fazem bem porque nos renovam a esperança - tantas vezes posta à prova, desgastada, martirizada, pode contudo renovar-se ou reinventar-se e este é o lugar para o conseguir. Já vi a esperança ser confundida com a ingenuidade, mas esperar o bom, a beleza e a justiça é mais uma evidência da crença em nós próprios, nos outros, na possibilidade de ultrapassar desafios, do que uma negação ou desconhecimento da existência do mal. Há espaços com muita luz nos dias e nas noites, que nos apaziguam e que nos inspiram.

Reunem-se na sala as habilidades humanas para a contemplação, o pensamento, a emotividade e a criatividade. Concretizam-se os melhores adjectivos humanos e tudo é conseguido despretensiosamente. Este espaço revela sem pudor a liberdade de escolha. E com tudo isto, que não me parece coisa pouca, reforça a confiança em algo que nem sempre se consegue definir, mas que apenas pressentido nos faz respirar calmamente, convida a esperar e a desejar que todos, absolutamente todos, alguma vez, possam sentir-se assim também, alentados.

Imaginemos agora muitas pessoas com o mesmo sentimento e visualize-se este efeito multiplicador de bem-estar, um mar que se agita em onda titânica e inunda os "complicadores" da nossa mente e lhes provoca um curto-circuito revelador e retemperante.

É uma sala, é um quarto, pode nem sequer ter paredes ou tecto. É um sítio cá dentro, é um lugar aí fora de nós. É uma terra onde plantamos estacas que enraizam e criam novos ramos, a porção de poesia que cabe a cada um para criar e para prolongar a vida.

Escolham-se os lugares e arquitecte-se a morada onde o espírito cresce e vive são. E neles demorar, aí voltar as vezes que forem necessárias para recobrar a confiança - em o que quer que seja, que nos ergue e nos acompanha - quando tudo à volta ameaça a nossa diferença e nos quer tornar iguais a absolutamente nada.
Escolher os portos mansos de abrigo ou os castelos invioláveis onde hasteamos vontades e utopias teimosamente renascentes é essencial, é vitalmente essencial.

 

 

 

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Lugares para ler VIII

por Torradaemeiadeleite, em 22.05.14

 

 

Mogadouro - Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

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No café

por Torradaemeiadeleite, em 20.05.14

 

De Graça Morais - "A Caminhada do Medo", 2011.

 

 

Aguardava já sentado o seu pedido. Não havia mais mesas livres e ao balcão demoravam-se os indecisos que espreitavam uma luminosa variedade de doces e salgados, tão diferentes como os idiomas que habitavam nos últimos dias as horas deste café. Aqui não é perceptível, como acontece logo ali na rua de baixo, se há horas de ponta para o galão e horas mortas. Parece, isso sim, que o mundo se pôs em permanente descontracção, só sai uns minutinhos para ir trabalhar e volta logo a seguir. Aqui o bulício habita todo o dia nas mesas e no balcão, só pára na hora de fechar, mas valham-nos ao menos os estrangeiros para pôr estas máquinas todas a mexer. As máquinas. Entretia-se com estas considerações, procurava entender o corpo de um mundo ao contrário quando o empregado lhe deixou o pão com fiambre e o café e seguiu com outros pedidos a tilintar. Começava a chover. Abriu o caderno e escreveu "a sede tilinta e chovem pedidos". Deteve-se e olhou em volta, adiava trincar a sande e rodava a chávena sem parar. A televisão debitava imagens de discursos, dedos apontando culpas a alguém ausente, legendas em rodapé de crimes e das artes em cena - é tudo vida, sim senhor, e tudo imitando-se. E, ao mesmo tempo, noutros canais, estarão as superficialidades repetidas até à exaustão. Das resoluções profundas e de arroubos de criatividade é que nada nem ninguém parecem querer saber.

O corpo do mundo ao contrário. Não era preciso procurá-lo mais, viu-o bem ali, exposto nos cafés de ruas tão próximas, uns com tudo e outros com quase nada, divididos por rotas turísticas e bufando de canseiras diferentes. Vários países na mesma cidade. Viu-o bem ali nas imagens, a essa corpo virado do avesso que a habituação e o conformismo conseguem, enfim e sorrateiramente, tornar direito, viu-o na distância sem medida que a televisão desenha entre as casas do poder e as casas do sofrer.

Levou o pão à boca e começou a mastigar, intercalava com o café. Os modos portugueses e seculares. Mastigava o pão e as impressões que lia de todos os ângulos. Ás vezes custava-lhe muito engolir e de ano para ano custava-lhe ainda mais sonhar. A chuva não parava.

Na folha do caderno continuou a escrever "nenhum alívio virá dos céus".

 

 

 

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Musicando

por Torradaemeiadeleite, em 16.05.14

Arcade Fire - We Used To Wait.

Do álbum Suburbs de 2010.

 

 

 

 

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Das minhas leituras

por Torradaemeiadeleite, em 15.05.14

 

Imagem googlada - Paris.

 

 

"A avó de Fortunato nasceu em Calomboloca e viu pela primeira vez a luz eléctrica, já adulta, quando o marido a levou para Luanda. Ao contrário do que seria de esperar não ficou encantada. Na opinião da velha senhora o esplendor eléctrico das grandes cidades, ao ocultar o brilho das estrelas, prejudicou a humanidade. Ela acha que, tendo deixado de ver as estrelas - tendo deixado de se confrontar, todas as noites, com o ilimitado, o infinito, a fantástica imensidão do universo -, os homens perderam a humildade, e com a humildade perderam a razão. O desvario do mundo está, na opinião dela, directamente ligado ao êxodo rural e à multiplicação vertiginosa das grandes cidades."

 

 

José Eduardo Agualusa - Fronteiras Perdidas ( Dom Quixote, 5ª ed., Maio de 2009 ).

 

 

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Cega Anatomia

por Torradaemeiadeleite, em 11.05.14

 

 

Penso que de todos os sentidos a visão será o que mais se revela em ditados populares, expressões e metáforas, mas também aquele que do seu principal verbo ( ver ) retira muito mais que só olhar.

Assim me levei até a um jogo de palavras onde os olhos e o homem são dimensões maiores que a sua anatomia:

 

 

Wyeth_Eight_Bells


Pintura de Andrew Wyeth.


 

 

Nu, magra sombra

logo morto de cor,

assim ao espelho - eu

menino de meus olhos

 

                      perplexos

 

Uma forma apenas

sem coração que vê,

a mente escurecida

e alma cega também.

 

Vítreos, só profundo mar,

dois olhos anoitecidos

minhas quietas moradas

meus perenes olvidos

 

             ainda perplexos

 

Estes frios despojos

os náufragos de mim,

sombras lisas do ser

já esquecidos de ver.

 

 

 

 

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Narrativas pintadas

por Torradaemeiadeleite, em 09.05.14

 

 

De Ilya Yefimovich Repin - "Resposta dos cossacos do Zaporozh ao Sultão Mahamoud IV" (1880-1891)

 

 

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Poemando

por Torradaemeiadeleite, em 07.05.14

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

"Volta até mim no silêncio da noite
a tua voz que eu amo, e as tuas palavras
que eu não esqueço. Volta até mim
para que a tua ausência não embacie

o vidro da memória, nem o transforme
no espelho baço dos meus olhos. Volta
com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário
vestido com a mortalha da névoa; e traz
contigo a maré cheia da manhã com que
todos os náufragos sonharam."

 

 

 de Nuno Júdice - "Volta até mim no silêncio da noite"

 

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Intervalo Musical

por Torradaemeiadeleite, em 03.05.14

 

 

Tom Waits - "Wrong Side Of The Road"

Do álbum Blue Valentine de 1978.

 

 

 

 

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Génesis

por Torradaemeiadeleite, em 02.05.14

 

Fotografia com memória de Torradaemeiadeleite.

 

 

Os caminhos eram os nossos teatros. Não eram só feitos para andarmos neles, serviam também as tábuas do nosso enorme palco. Encenávamos as casas onde repetíamos o que víamos todos os dias. Dos adultos trazíamos os afazeres e as ordens que proferíamos, todos os planos que mantinham a rotina como chave mestra da vida, mais os gestos, e os palavrões que ouvíamos chicotear o ar. Já nos era perceptível então que  viver não era fácil, mas ser adulto era a melhor ideia que tínhamos da força e do poder e é tão sedutor ser forte e poderoso.

Dirigíamos também nos caminhos as profissões que conhecíamos, se compras, vendo, curas gente e arranjo carros, pilotas aviões e sou pedreiro, és polícia e levamos ladrões p´rá cadeia. Ensinámo-nos uns aos outros.

O medo de ir para a cadeia. Queixo-me a si, senhor guarda, para que prenda este passado que atenta agora contra a ordem dos meus dias, estes dias assépticos da minha terra que não tem crianças com canelas sujas e ranho nas mangas da camisola, crianças que massacravam o chão e urravam e faziam de conta que eram peregrinos em procissões, que responsavam sem entenderem o que diziam, que eram os chorosos doridos de animaizinhos mortos levados a enterrar com muita cerimónia e menos dor, estes namorados a bailar e a brincar aos pais e às mães - venha senhor guarda, prenda-o, que este passado tem culpa grande e grave, a de não voltar a ser presente.

Nos caminhos injuriávamos os animais que se cruzavam connosco. Para eles, o nosso palco era uma travessia de imprevisível dificuldade e provável ignomínia. Ilustro com exemplos básicos - acirrávamos os cães para os ver engalfinharem-se, ter espectáculo de assombro, até mesmo de sangue, que atraía raios que nos partiam saídos da boca de quem nos apanhava e, em dias de mais cândida inocência, gostávamos de pôr os galináceos a fugir espavoridos, alvos em movimento errático para os que provassem ter mais destreza e pontaria fina, cacarejavam-nos impropérios com certeza, como os donos que calhava de aparecerem, e os lagartos,  escapuliam-se pelos buracos das paredes com menos corpo do que quando chegavam à nossa vista. Mas estes eram os mais felizes porque, nos dias de memorável arroubo, tudo o mais que respirasse e tivesse locomoção, desde que em escala menor que a nossa, servia para saciar a despótica natureza infantil e a vontade de experimentar novas bizarrias. Nós, os pequenos loucos cientistas, dos que sonham o mundo à sua mercê, nós, os pequenos césares vaticinando vida moribunda ou morte lenta aos bichos que se perfilavam na nossa presença.

Nos caminhos adiávamos a hora da merenda porque era mais urgente procurar nos pardieiros os objectos renegados e lançados para o degredo de silvas e pedras, outrora reinos íntimos depois rendidos à anarquia e à invasão das hostes imberbes. Procurávamo-los e, sem suspeitar que o fazíamos, devolvíamos-lhes as suas identidades, readmitíamo-los à sua função e havia ainda aqueles que adaptávamos para outras utilidades, generosamente reciclados e ajustados, umas vezes baixando de posto, mas noutras, em raras fortunas, elevados a um destaque jamais sonhado pela sua humilde essência. E às partes atribuíamos-lhes o todo - o caco da tigela era a tigela inteira, o gargalo da garrafa ia à mesa como garrafa capaz, o farrapo da saia era a saia mais que perfeita para a boneca.

Nada disto assimilávamos como sendo ensaios da vida, disso encarrego-me agora eu espreitando por esta fenda para a minha memória.

Os caminhos eram os nossos teatros e neles também escrevíamos o nosso Génesis. Criámos neles mundos à imagem desse tempo primordial e rural e por isso desfalcados de bibliotecas, de computadores e de internet, de cinema e de centros comerciais, destituídos de telemóveis, mundos-filhos de um universo com propriedades únicas porque são irrepetíveis.

As casas têm agora portas fechadas e chaves escondidas, os teatros de então são só caminhos para andar e estão muito mais limpos do que naqueles anos. As galinhas estão confinadas a espaços vedados à cobiça da raposa porque já não há movimento de gente nem cães que as defendam da natureza selvagem que chega cada vez mais perto da soleira das portas. Os lagartos andam tão tranquilos que qualquer hora já nem sabem que podem perder e ganhar os seus rabos.

As crianças voltam de vez em quando, já não formam hostes, nem em número chegam para agrupar e invadir tudo à sua volta. Sei de aldeias que não têm nenhuma criança. E então quando chegam, não dizem palavrões, não limpam o ranho às mangas, respeitam os animais porque lhe têm medo ou porque percebem que têm direito à vida, e não correm porque os caminhos estreitaram com tantos ramos por podar, esburacaram-se porque não há quem os repare mas, sobretudo, porque não têm motivos para correr - não têm companhia que as desafie para provas de velocidade e de força, para uns saltos no vazio das varandas de granito, outros que lhes digam que em tal sítio encontram muitos enredos e o primeiro a chegar lá terá a sorte de escolher os melhores cacos. Mas, que cacos? Não se brinca com cacos e não se apanham coisas do chão. Mas, que cacos, insisto? Se não há gente, não pode haver cacos.

Nos caminhos vivemos mais horas do que em casa e agora eles estão em ruínas, como os pardieiros em que nos aventurávamos. Os caminhos estão a perder gente, mas há muitos anos que perderam as suas crianças.

E ainda como os pardieiros, os meus primeiros palcos já são só pedras e pó, com silvas a enredarem-se em si próprias.

 

 

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