Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Outonando

por Torradaemeiadeleite, em 29.11.14



 

 

DSC_6485

 

DSC_6484

 

 

 Fotografias de Torradaemeiadeleite.
Parque da Cidade, Porto.




 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Outras portas da percepção

por Torradaemeiadeleite, em 26.11.14

 

 

 

080

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Ex-Cadeia e Tribunal da Relação do Porto.

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Breve geografia de sons

por Torradaemeiadeleite, em 23.11.14

 

Arte de Nikki Rosato.

 

 

Pela cadência que o rapaz levava nos passos adivinhava-se o ritmo da casa e o estado que a animava. Ajustava o caminhar aos sons que escapavam daquele interior sempre aberto à rua, com indiferença pelo estado do tempo, a parecer mais uma península de exterior rodeada de casa do que uma recolhida, velada, forma de lar.

A fachada tinha espaço para uma porta e uma janela, mas na verdade podia prolongar-se até aonde o rapaz levasse os seus passos, meneios e ritmos, os dias em que a casa parecia não alcançar qualquer parede ou obstáculo. Raros, breves, sonoros dias.

O interior destilava sons que já não se usavam, teimoso repetia o riscar da agulha no disco, orgulhoso torturava as teclas da máquina de escrever. O rapaz escutava e acertava a marcha.

Veio um dia e com este a errância inesperada dos passos, um pára-arranca a baralhar o ritmo, sem acertar com nada. Na fachada que em algumas horas não tinha limites, exibiu-se uma estreiteza e um constrangimento do espaço como nunca antes visto. Os passos voltaram atrás porque a dúvida faz andar para trás. Do que foi errático nasceu a pausa súbita e preocupada. A porta estava aberta, como de costume, a janela estava aberta, como de costume e o rapaz espreitou, mas não viu nada. A sua própria respiração era a única certeza que sentia e o único som que ouvia. Teve que seguir caminho, levado talvez pela força dum compromisso. Só que, de um modo humanamente ubíquo, deixou-se ali ficar até ao dia seguinte. Só ele percebeu, então, e só ele foi capaz de aviso e solução.

Fechada a porta e fechada a janela, estranhamente semblando agora a forma recolhida e velada de um lar, ficou a região peninsular sem istmo e revelou-se uma ilha abandonada.

Perdeu-se esse território e perderam-se pessoas ( mais do que uma, porque o rapaz já não passa ).
A rua já não é como era, é um facto, de tal modo se transformou que seria preciso desenhar novo mapa para podermos esclarecê-la devidamente. Mas desse mapa interior e diferente, diminuído, só o rapaz conhecia a escala e a linguagem, os sinais e os pontos cardeais. Para ele, tão necessária como um mapa, foi a sucessão dos dias e o passado que se acumula sem esforço para aceitar as novas geografias dos sons ou simplesmente guardar a sua singular história.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

"Um sítio onde pousar a cabeça"

por Torradaemeiadeleite, em 21.11.14
 
 
Revi ontem na RTP 2 um documentário de 2012 sobre Manuel António Pina. Chama-se "Um sítio onde pousar a cabeça", foi realizado por Ricardo Espírito Santo e mantém o mesmo efeito inebriante da primeira vez em que o vi e ouvi.
O poeta imprime-se em mim logo nas primeiras palavras e também o seu eco, em vez de morrer, torna-se perene. O programa parece, afinal, não ter fim.
Hoje quis muito ler uma crónica fresquinha do Manuel António Pina, repetir essa lucidez matinal que acompanhava a minha torrada e meia de leite e ter um sítio onde pousar a cabeça antes da rotina moer.
Do documentário retenho muito e este é só um exemplo do quanto saboreei, destaco-o porque grita o que eu, à data, não sabia dizer antes de o ouvir: "a escrita para mim é mais do que respostas, é interrogações, mais do que para afirmar a minha identidade é para a procurar".
Mas são tantas, tantas partilhas e reflexões, constatações humoradas, intimistas, honestas, inspiradoras e a memória de uma obra singular a que o documentário, bem desenhado, presta a justa relevância.
Fazes-nos falta, Pina.
 
 
 
 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Das casas entre a chuva

por Torradaemeiadeleite, em 16.11.14

 

 

 

 

teia na luz

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Novembro 2014.

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Philae e o cometa

por Torradaemeiadeleite, em 12.11.14

 

 

 

cometa

Ilustração do livro "Kometenbuch" de 1587.

 

 

 

Que tudo corra bem e este dia doze de Novembro de dois mil e quatorze será também uma ode ao sentimento de si da humanidade, um poema peregrino.

Para saber mais consultar informações técnicas aqui e aqui.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Formas especulares

por Torradaemeiadeleite, em 03.11.14

 

Dalí - mulheres imitando uma escuna, 1940

Salvador Dali - Mulheres imitando escunas, 1940.

 

 

 

Infladas velas de escuna

trementes esteios de sal

em procissão

para os rumos abissais

 

reflectem ao longe

( espelho milenar )

 

os vultos negros em terra
que lapidam a face do medo

com grãos finos de imensidão.

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Do Japão, a memória

por Torradaemeiadeleite, em 02.11.14
 

Um trabalho fotográfico feito antes do terramoto de 2011 no Japão ganha ironicamente um novo significado depois dos factos. A um tempo, reinterpretam a linha costeira do Japão e abraçam uma memória da água que passa a ser dual e conflituosa: a necessidade de resgatar o que se eleva acima da linha e apaziguar o que ficou submergido.
Um trabalho de Asako Narahashi.

 

Para ver mais aqui: http://lightbox.time.com/2014/10/08/eerie-photos-of-japans-coast/#1

 

 

asakonarahashi_08

 

Fotografia de Asako Narahashi - Kawaguchiko, 2003.

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Related Posts with Thumbnails




subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Torradas com bolor

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D