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Sonata

por Torradaemeiadeleite, em 26.10.15

 

 

 

 

Torradaemeiadeleite

 

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Outubro 2015.

 

 

 

 

 

 

 

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Pausa - sugestão de apresentação

por Torradaemeiadeleite, em 16.10.15

 

 

 

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Fotografia de Torradaemeiadeleite.






 

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As asas servem para voar II

por Torradaemeiadeleite, em 11.10.15



torradaemeiadeleite


Fotografia de Torradaemeiadeleite ( banco de jardim com gravura da fotografia "I Wait" de Julia Margaret Cameron )

 




Aqui está uma casa iluminada num promontório obscurecido, que tem palavras imóveis no momento em que deveriam sair, a adiarem indefinidamente os seus passos, privando-se de circular mundo afora até que o cansaço as esgotasse, ou a vontade as saciasse. Mudas, paralisadas, sincopadas, na soleira da porta da casa que resplandece.
Precisarão de energia, uma forma qualquer de energia que seja eficaz para resolver desacertos de movimento. Até empurrá-las servirá, a pontapé irão, ameaçadas com castigos antigos, riscadas em azuis, torturadas. Terão de ir porque ficar é um despropósito. Estáticas, congeladas, catalépticas. De que serve podermos sair se não nos aventuramos para lá da soleira da porta?

Estão cegas pela escuridão, é isso, ou então será um vento forte ou uma chuva invisível sem tino que arrepiam mais porque só são sentidos por dentro; detidas aqui na porta, mas desejando uma oportunidade para caminhar.
Algo mais, porém, me
desconvence destas hipóteses de imobilidade e levo-me a espreitar para além delas e nenhuma razão palpável acolhe os louros da impossibilidade que me arrelia.

Procuro então outros motivos, outros que talvez lhes atenuem a culpa de não se mexerem, outros que não precisam de corpo para se manifestarem e existirem.

Sinto que estão muitas outras palavras lá fora, invisíveis após tanto desgaste e mau uso, teimosamente avolumando-se como um ar pesado que não vemos mas ocupa todos os lugares, palavras destituídas de poder e empoleiradas umas nas outras. E saudosas. Palavras em desuso e remetidas para a memória. Inconformadas. Palavras que ninguém quer voltar a ouvir e palavras abandonadas. Estão encurraladas à porta de uma casa que não quer readmiti-las e rejeitadas por um mundo que quer progredir. Ocupam uma área de eterna transição. Não podem entrar e não querem deixar sair.

Há ainda outra hipótese, menos evidente e mais abstracta que explica o inusitado fenómeno da casa iluminada com palavras que não saem. Acredito que pode nem haver chão para lá da porta e será a evidência duma queda livre sem fim à vista que torna as palavras angustiadas, a certeza do embate que espalha a sua densidade e multiplica o desvario da queda, que faz das palavras umas temerosas súbditas da morte e da incompreensão, que são uma e a mesma coisa no mundo verbal. E assim, desejosas de escapar mas manietadas pela incerteza do que será ainda, não avançam para lá da soleira da porta, tementes duma força invisível que deixa lastro mesmo quando ameaça afundar-se de vez.

Eu quero construir-lhes umas asas. Se não há chão seguro para pisar, invente-se alternativas para sair. Cada uma das palavras teria modo de escapar à queda com voo impressionante, descoberto efeito planante, só para renascerem do lado de fora da sombra de si mesmas.

E atentemos: que não espante a ausência de chão que provocou esta invenção escrita. As casas das letras são construções inusuais. Tenho mesmo por evidência segura que crescem em altura mais do que muitas outras construções pensadas como sólidas e inabaláveis, imutáveis - alongando-se dos seus alicerces, vão até aonde a gravidade não pode ter qualquer acção sobre as coisas, aonde as palavras alcançam transcendência e perdem o medo de cairem num fim ou embaterem nos atavismos da História.

A casa das palavras deverá ser livre para seguir a inacessibilidade das alturas do pensamento.

Muitas palavras são caladas, ameaçadas, ignoradas, humilhadas, desmembradas. Mas a liberdade tem asas de perseverança, e as asas, as asas servem para voar.




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Intervalo metafísico

por Torradaemeiadeleite, em 05.10.15



 

 

Torrada


Fotografia de Torradaemeiadeleite.





 

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