Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Da (im)previsibilidade

por Torradaemeiadeleite, em 27.02.16

 

 

 

 

Aprendi a distinguir os tons do azul no céu de neve. A muitos quilómetros, sei que ela pousava com ritmo certo, segura do chão que lhe cabia, multiplicando a luz até este meu horizonte urbano. Arrepiei-me. O frio cravou-se em mim com mais unhas do que os versos desse azul dissolvendo-se na noite. O meu passo estugado não foi capaz de persuadir essa violência.
A imagem do calor atraiu-me, ou então fui eu que a procurei. Escolhi o lugar. Para ver a pressa, a chuva, a ambígua hora do limbo, separados de mim apenas por um vidro. Mas, que digo, não era só o vidro que nos separava, era também a minha decisão, era tudo o que me aquecera o breve instante da escolha.

 

 

 

 

torradaemeiadeleite

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Gente como nós

por Torradaemeiadeleite, em 25.02.16

 

 

 

torrada

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Poeti(cidade)

por Torradaemeiadeleite, em 15.02.16

 

 

 

 

Torrada

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Porto, 2016.




 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Quase tudo

por Torradaemeiadeleite, em 11.02.16

 

 

 

Sentámo-nos a ver tudo. Tudo.
Tínhamos o fio fundo e requebrado por guia do olhar, fio de água corrente e tranquilizador, a segurança dum fluxo que não estia, pensámos. Até a imponência declivosa e ríspida dos baluartes antigos nas suas margens não fez mais do que conferir a esse fio um respeitoso lugar que se move, que continua, continua, continua, continua. Com tolerância, e sem se oporem, aquele fio de fluxo e o granito estático sublimavam-nos e sublimavam-se. E ambas gostamos de os ver, será sempre assim.
O rasgo da luz vai mansamente bebido pela distância, mas visto de perto é amor impetuoso despedaçando-se em milhões - milhões de gotas vaporizadas sobre os espórulos enregelados, milhões de sons surdos e baques minúsculos nos ouvidos da terra silente, milhões de nós mesmas nuas de frio em corpos de ondas distorcidos durante o choque.
Enquanto houver fio de água fluxo de luz fluindo em mim, tu estarás nele, sobre ele, submergida por ele e eu vejo-te debatendo-te contra ele, por ele, com ele. Nenhuma morte por esse fluxo causada, e nenhuma morte longamente nele planeada ou decidida ao momento, o escurece ou amaldiçoa. Cada vida que com ele se funde, mesmo pela morte, o faz ainda mais fio brilhando, distantemente próximo de nós duas, e tu nele, sobre ele, submergida por ele, ouvindo-me falar assim como só tu própria consegues compreender e jurar ser verdadeiro o que estou a dizer.
À nossa volta e do fio corrente de água, estava toda a visão dum paraíso que não deve nada à perfeição porque, para nós, a perfeição tem que ser disritmia, tem que ser diálogo e tem que ser mutável. Só a antiguidade nos dificulta o abandono das pegadas que temos de cumprir para inventar as nossas mesmas, mas é uma força maior que exercemos quando por fim as deixamos a apagarem-se sobre essa terra. Fazêmo-lo para seguirmos a imagem da água-sangue em fio fluindo por entre as cristas das fracturas expostas ( a nossa paisagem como paraíso do corpo inteiro da dor ) e fazêmo-lo sem conhecermos aonde vamos depois do éden. 
E estávamos sentadas a ver, eu e tu.
Mas dizia-te ( enquanto víamos tudo, e respirávamos tudo, e pensávamos tudo ), vamos esconder com o polegar o fio de água distante, brincar aos donos do mundo, e ora pondo ora tirando o rio do nosso ponto de mira - com um simples rodar de pulso, o polegar para cima que deixa seguir, com um simples rodar de pulso, o polegar para baixo que o apaga da face da terra. Experimentadas ambas as possibilidades, insolentemente por nós experimentados os futuros, decidimos, enfim - que o polegar há-de servir o fio corrente que se distancia e ele destruirá tudo aquilo que não deixe o fluir essencial seguir-se a si mesmo.
Deixámo-nos ficar mais um pouco, lado a lado, as duas a ver o luzente amor despedaçando-se e desperdiçando-se do interior das águas para tudo ao seu redor e acabamos por tomar o gosto a essa razão que se comove. E acabamos a tomar o gosto dessa razão que se comove.



Travis Bedel

 

 

Ilustração de Travis Bedel.

 

 

https://youtu.be/gMNB8BqAJdY

 

 

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Olá, Torrada e Meia de Leite.

por Torradaemeiadeleite, em 11.02.16

 

 

 

 

Torrada

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

  

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Dos chapéus, que há muitos.

por Torradaemeiadeleite, em 10.02.16

 

 

 

 

 

Torrada

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Fev 2016.

 

 

 

 

 

 

 

 

  

Autoria e outros dados (tags, etc)

Related Posts with Thumbnails




subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Torradas com bolor

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D