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A sala

por Torradaemeiadeleite, em 27.05.14
The Abyss of Hell - de Sandro Botticelli.

 

A sala homenageia a luz. Entenda-se a luz em todo o seu espectro e perceba-se nesse espectro a sua vária significação. Como se um espaço pudesse mesmo das sombras e da noite conter apenas o que as torna mais belas, é assim que vejo esta morada com portas para muitos mundos.

Do exterior percebe-se logo a sua dimensão se a medirmos como mandam os preceitos da volumetria, mas quando entramos tem o tamanho da maior medida que conheço que é a da imaginação.

Há espaços que nos fazem bem porque nos renovam a esperança - tantas vezes posta à prova, desgastada, martirizada, pode contudo renovar-se ou reinventar-se e este é o lugar para o conseguir. Já vi a esperança ser confundida com a ingenuidade, mas esperar o bom, a beleza e a justiça é mais uma evidência da crença em nós próprios, nos outros, na possibilidade de ultrapassar desafios, do que uma negação ou desconhecimento da existência do mal. Há espaços com muita luz nos dias e nas noites, que nos apaziguam e que nos inspiram.

Reunem-se na sala as habilidades humanas para a contemplação, o pensamento, a emotividade e a criatividade. Concretizam-se os melhores adjectivos humanos e tudo é conseguido despretensiosamente. Este espaço revela sem pudor a liberdade de escolha. E com tudo isto, que não me parece coisa pouca, reforça a confiança em algo que nem sempre se consegue definir, mas que apenas pressentido nos faz respirar calmamente, convida a esperar e a desejar que todos, absolutamente todos, alguma vez, possam sentir-se assim também, alentados.

Imaginemos agora muitas pessoas com o mesmo sentimento e visualize-se este efeito multiplicador de bem-estar, um mar que se agita em onda titânica e inunda os "complicadores" da nossa mente e lhes provoca um curto-circuito revelador e retemperante.

É uma sala, é um quarto, pode nem sequer ter paredes ou tecto. É um sítio cá dentro, é um lugar aí fora de nós. É uma terra onde plantamos estacas que enraizam e criam novos ramos, a porção de poesia que cabe a cada um para criar e para prolongar a vida.

Escolham-se os lugares e arquitecte-se a morada onde o espírito cresce e vive são. E neles demorar, aí voltar as vezes que forem necessárias para recobrar a confiança - em o que quer que seja, que nos ergue e nos acompanha - quando tudo à volta ameaça a nossa diferença e nos quer tornar iguais a absolutamente nada.
Escolher os portos mansos de abrigo ou os castelos invioláveis onde hasteamos vontades e utopias teimosamente renascentes é essencial, é vitalmente essencial.

 

 

 

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