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Um desenho com vontade dentro

por Torradaemeiadeleite, em 19.02.14

 

Desenho de "Mini Me".

Num pequeno bloco de notas misturam-se bem os momentos de pausa - os que permitem sair das tarefas sem deixar o lugar e os que são geograficamente errantes. Mas visto o bloco com a têmpera do tempo, essas instantes revelam-se eles próprios como actividade principal e tudo o que aconteceu à volta foi só a desculpa para existirem. 

Apontar para lembrar. Registar para ser. Mesmo emprestar para deixar acontecer. E foi assim, por empréstimo, que nas folhas habitualmente minhas, apareceram também as expressões de outra mente. Porém, tolerantes as duas vivências, nenhuma reivindica protagonismo. Desde cedo trocam a vez e, cada uma com o seu espaço, fazem o melhor que podem e que sabem.

Primeiro por imitação e agora porque simplesmente sim, as suas mãos reproduzem o que as circunstâncias oferecem. Não é preciso complicar, o que a impressão fixou é o que transparece nas páginas que perdem os limites e agregam diferentes mundos. Assim vivem os retratos da cidade com as figuras da fantasia lírica e assim o rosto secular que cerca a praça suscitou a diferença que se quis memorar.

E eu leio um pouco mais neste singelo diário de pausas. Nos registos breves das pedras e dos traços, reproduz-se inconscientemente a história das cidades, fixa-se fragmentos que unem eras distintas. A criança de uma outra época acrescentaria à torre os cavalos e as diligências. A minha reproduz os automóveis, os sinais de trânsito e os edifícios justapostos. A torre sempre fascina com o seu traço recortado altivo, é a impressão fixada. Contextualiza o espaço, lembra que o tempo passa, que o espaço se transforma e que nós não percebemos sempre a sua progressão.

É provável que daqui a mais anos a torre ainda aqui esteja e à sua volta drones e pequenas naves voadoras. Outro desenho, a mesma espontaneidade. Ou então uma redoma. Também será normal. Pode inclusive nenhuma pedra ou qualquer papel permanecer e ainda assim algum registo há-de ser feito. E leio então a única variável que poderá parar a cidade e a sua história - a extinção da vontade, ou do homem, que é uma e a mesma coisa.

 

 

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