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Do Verão, dizem

por Torradaemeiadeleite, em 26.07.14

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

O Verão é a única estação do ano com direito a literatura própria. Literatura de Verão. Livros de Verão. E consegue ter a especificidade que escapa aos "livros de férias". São de Verão e não de outra estação em que também haja pausa no labor. Só que isto não faz sentido, que as estações do ano, digo menos, uma estação do ano sirva para definir a leitura. Parece, isto sim, um contra-senso: nos momentos em que estamos mais descansados, com mais tempo livre e psiquicamente mais receptíveis optamos por livros "fáceis" e "leves". Estes atributos não dizem nada sobre a qualidade do que se lê, remetem eventualmente para um estado de espírito e ainda assim permanecem discutíveis, mas avanço para chegar aonde quero e deixo esses devaneios para outro encontro. É no corre-corre dos restantes dias do ano e para intervalar dos monólogos absurdos e alienados que nos impõem, para recuperar de todas as situações que agridem desnecessariamente mas efectivamente o nosso equilíbrio sináptico, que é mais necessário, escrevo até urgente, recorrer à leitura que aponta e lembra que o mundo, a vida, tem mais cores e sons do que aqueles que nos cegam e ensurdecem, que nem tudo tem que ser grave e sério ou esmiuçado e repensado, que podemos aceder ao bem e ao bom sem ardis e convulsões mentais. E restrinjo-me aos livros para servir o tema deste texto porque há toda a sorte de recursos que salvam o optimismo e reequilibram a energia deste ninho de cucos.

Os livros devem inserir-se apenas numa classificação: bom livro e mau livro. O assim-assim não define nada.

Seja qual for o mês, os atributos da atmosfera, a temperatura da água ou o lugar onde estamos, no momento de eleger a leitura como companhia o importante é seguir o que a vontade dita e às vezes o milagre para encarar de novo a vida ou para nos abstrairmos dela, opera-se tanto na forma duma teoria da relatividade bem pormenorizada ( pois vá, acreditar é preciso e o mundo leitor é vastíssimo ) como na irritabilidade de um pato falante em eterno desassossego com os seus três sobrinhos. Relevando os exemplos extremos, o que pretendo é ir para lá de algumas rotulagens - os três meses do nosso Verão andam de mãos dadas com o "fresco" ( que não é epíteto exclusivo da temperatura ) e o "leve" ( que não é só o antónimo de "pesado" ), mas na realidade precisamos de livros com estas características em muitos momentos ao longo do ano.

Reitero: não gosto de "leituras de Verão". Gosto de leituras. O que lemos deverá cumprir o nosso apetite literário numa dada circunstância. O Verão não é para aqui chamado.

 

 

 

 

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