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Quá-quá

por Torradaemeiadeleite, em 23.01.14

 Fotografia de Torradaemeiadeleite.

Os Patinhas. Fossem ou não histórias com o Tio Patinhas, eram sempre os Patinhas. Balões, quadrados e rectângulos de mania colorida e acessível que às vezes brindavam raros saberes, mas na maioria das leituras sobrevinham os mais previsíveis desfechos. Durante muito tempo "andaram falando brasileiro" para depois assumirem uma europeia portugalidade e estranhou-se, no princípio, ver velhos amigos com novo discurso. Os tiques brasileiros ficavam tatuados nas composições da escola e fizeram gastar tinta vermelha, permitiram as costumadas e velhas reprimendas, que não se aprendia nada com tais livrinhos, só se desaprendia, que desorientação cultural ali nascia.

Tão leves, tão portáteis que iam para todo o lado. Sujeitavam-se os pequenos livros a rigorosas condições de ocultação e habilidades "origâmicas" para poderem ser lidos onde e quando não era permitido fazê-lo. Gargalhadas abafadas e cúmplices, mesmo quando não havia graça que se aproveitasse, eram apetecíveis porque eram profanas e desafiavam as regras, as convulsões em crescendo para rebentar sem controlo.

Os Patinhas. Emprestados, trocados, vilependiados, abusivamente vincados, pintados, rasgados. Ainda assim, guardados. Ainda assim, acarinhados.

Não alcanço a total compreensão de como seria a minha experiência literária se não tivesse lido tais pergaminhos. Parece-me que teria agora um erro para emendar, isso sim, certamente uma história a menos para partilhar. Em todo caso, li e ri. Juntei um pequeno acervo que continua vivo porque já "contaminou" mais uma geração.

E longa vida aos Patinhas.

 

 

 

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10 comentários

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De Moira a 25.01.2014 às 17:07

Estavam-me proibidos, exactamente porque não se aprendia nada com eles, mas como tudo o que é proibido torna-se apetecido, eles chegavam lá a casa escondidos (os mais pequenos é claro, que os almanaques davam muito nas vistas) eram por isso muitas vezes lidos na casa de banho, local das leituras proibidas por poder ter a porta fechada sem que ninguém o questionasse. Já o Astérix e o Tintin circulavam pela casa sem medos, que isso já eram outras histórias.
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De Torradaemeiadeleite a 27.01.2014 às 09:53

Olá, Moira.
E desaprendemos alguma coisa por ter lido os Patinhas? Perdemos algo? Ficámos menores? Claro que não, a leitura era diversificada e havia espaço e ocasiões para todo os géneros e qualidades. É importante manter o espírito crítico e, para isso, nada como ler vários autores e estilos - a selecção acaba por ser feita naturalmente e sem necessidade de "proibições".
Beijinhos.
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De Marco Neves a 10.02.2014 às 15:53

Ui, então não se aprendia? Desde geografia, economia (havia umas edições especiais sobre vários assuntos), viagens, história, etc. A sério, aprendia-se muito!
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De Torradaemeiadeleite a 10.02.2014 às 18:51

Exactamente, com as edições especiais a aprendizagem era mais específica ainda, ficávamos com o grau de mestres!

Bem-vindo e até breve.
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De umcopodelimonada a 10.02.2014 às 16:02

ahah! Que saudades! Também gostava muito de ler. De vez em quando ainda abro um ou outro livro só para sentir aquelas páginas ásperas de tão gastas que foram. 
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De Torradaemeiadeleite a 10.02.2014 às 18:54

Quem trata agora de arejar a minha pataquada é o meu filhote.
As páginas ásperas testemunham a vida plena que tiveram.

Obrigada e até breve!
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De libel a 10.02.2014 às 16:51

eheeh.quá..quá...
O velho sovina não deixa de nos aliciar a reviver essas histórias tão animadas e coloridas. Que a Maga Patológica não me ouça, mas fez tb as minhas delícias.


Beijinhos
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De Torradaemeiadeleite a 10.02.2014 às 18:57

Libel,
e duram e duram e duram, os patinhas são as Duracell dos livros.

Beijinhos.
Até breve.
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De Cláudia a 11.02.2014 às 10:41


Que saudades... Também li muito livro desses! Ainda os guardo, meio esfarrapados de tanto uso. A verdade é que mal não fizeram. Aprendi a ler bem muito à sua conta.  
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De Torradaemeiadeleite a 11.02.2014 às 12:22

Olá, Cláudia. Podes sempre vir cá matar saudades e ler na companhia duma torrada e meia de leite .

Obrigada por comentares.

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