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Viagem no tempo

por Torradaemeiadeleite, em 04.06.12

 

 

  Fotografia da agência Getty.

 

O ponto de partida para este texto foi um apartamento em Paris fechado durante setenta anos. A sua proprietária partira para o Sul de França antes da segunda Guerra Mundial, continuou a pagar a renda  mas não mais entrou naquele espaço. A senhora de Florian faleceu em 2010 com 91 anos. Na altura do inventário do seu património abriram finalmente a porta e o inesperado aconteceu.

Nem pó, nem aranhas conseguiram retirar a beleza das peças do seu recheio, fossem utilitárias ou da própria construção, de finais do séc XIX e princípios do XX, e ainda dum quadro  leiloado mais tarde por mais de 2 milhões de euros.

Pronto, esqueço o quadro.

Imagino-me apenas a entrar num espaço preservado com a impressão digital duma era mais antiga, todos os detalhes da sua vivência impecavelmente funcionais e inteiros, peças que já não se encontram, livros, móveis, brinquedos, a lata das bolachas ou a faca do pão. Que festa. Que desejo materialista e excepcional de tudo possuir. Que inspiração.

Fiquei colada à notícia que chegou com dois anos de atraso ao meu conhecimento através do blogue Pó dos Livros. Daqui fui para ali, dali fui mais acolá e cheguei à avó da senhora do apartamento, a actriz Marthe de Florian nascida cem anos antes da nossa Revolução de Abril. Nos seus admiradores encontravam-se Georges Clemenceau, primeiro ministro de França entre 1906 e 1909 ( e num 2º mandato de 1917 a 1920 ) e o pintor Giovanni Boldini, responsável pelo retrato milionário. No quadro de 1898 a avó de Florian tinha 24 anos. Mais de cem anos depois continua a hipnotizar os incautos homens, desta vez o comprador do quadro.

 

 

 Marthe de Florian - Giovanni Boldini.



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E por falar em anjos...

por Torradaemeiadeleite, em 03.05.10

 

           Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

... lembrei-me desta beldade seráfica pela qual me apaixonei na feira de antiguidades e velharias de Aveiro ( no quarto domingo de cada mês ). Namorei-a muito, muito, sempre adiando a vontade de perguntar o preço, pois intuí que quando  o soubesse não poderia continuar a imaginá-la em minha casa para momentos de deleite e vaidade. Tinha razão. O namoro desvaneceu-se assim que a matemática se intrometeu neste jogo de olhares. Deste breve encontro ficou um amor platónico e uma fotografia tirada à revelia para prolongar ainda mais esta mágoa masoquista.


 

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Tea for two

por Torradaemeiadeleite, em 16.07.09

 

 

                                                  Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Amor à primeira vista acontece. Posso relatá-lo na primeira pessoa.

A partir dum momento só, primordial e irrepetível, pode nascer esse sentimento inexplicável, que nos faz suspender tudo à nossa volta e   reagir unicamente àquela presença.

Enredamo-nos neste enlevo, neste prazer que esta companhia nos oferece.

Mas como tudo o que é bom parece vestir-se de efémero, também podemos sofrer a sua perda. E assim me aconteceu também.

Há uns dias porém, sem que nada o anunciasse, reencontrei-o. Inesperado o primeiro encontro, inesperada a partida e de novo inesperado o regresso.

Novo look, sempre atraente.

Inglês, com 30 anos, muito culto e dado às artes, continua  a agitar  as  minhas moléculas.   Sem dúvida, o seu ser enriquece o meu.

Retomei aquela relação, embora  esteja agora mais consciente  das limitações  que encerra. Que poderia eu esperar dum programa de televisão, que a todo o momento pode deixar-me, sem garantias de regresso? Não, não deliro... morro de amores por um programa de TV inglês, que me fala ao ouvido com aquele sotaque inconfundível e me ensina tanto sobre arte e antiguidades! E até revelo  o seu nome: "Antiques Roadshow"!

A BBC deu à luz este filho em 1979 e a sua fórmula já viaja por outros países ( Austrália, Alemanha, Canadá, E.U.A., Noruega e Suécia ). Gerou outros como "Cash in the Attic" e "Bargain Hunt", sempre com antiguidades e leilões como tema mas em registos bem diferentes.

Sem dúvida, Antiques Roadshow tem ingredientes de qualidade. O mais relevante, a meu ver, é este que faz do cidadão comum a estrela do programa. Ele contribui com os seus pertences, muitas vezes esquecidos no sótão ou na garagem, e submete-os ao parecer técnico dos peritos "residentes" do programa. Quantas raridades  e mesmo peças dignas de exposição num museu são assim encontradas, entusiasmando até os peritos que vêem ao vivo e a cores artigos que só conheciam em textos de referência!

Outro ingrediente importante é precisamente o seu leque de experts, especializados nas mais diversas áreas artísticas, que fazem a apreciação, contextualização histórica e ainda a avaliação monetária das peças que vão aparecendo.

A equipa viaja de terra em terra e desafia os habitantes de cada uma a participar com objectos ou colecções pessoais que achem interessantes.

O programa revela-se também um valioso manual de instruções para antiguidades. As conversas em tom informal mas didácticas enriquecem a cultura geral e dão bases para a apreciação da Arte em geral.

Sempre que posso, por volta das 13.00, espreito o BBC Prime e alimento este amor. Rendo-me ao presente e não peço nada ao futuro.

 

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Foi bom, não foi?

por Torradaemeiadeleite, em 18.03.09

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite

Castelo de Castro Laboreiro.

 

Troquei  van Gogh por estas muralhas e as tulipas pelas urzes e pelo tojo, disse adeus aos diques para reinar neste castelo.

Recusei o brilho da prata e do ouro para me deixar estar sob esta luminosidade intensa e nem o caminho me pareceu custoso para banhar os meus olhos nesta lonjura acidentada.

Foi assim que afinal aconteceu. Fui à Holanda no pensamento express e voltei a tempo desta jornada medieval. 

Eu disse que iria ver antiguidades, não disse?

 

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Era bom, não era?

por Torradaemeiadeleite, em 13.03.09

Está decidido! Este fim de semana vou  até à Holanda! Vou à Feira de Arte de Maastricht ver as novidades das antiguidades (!) e babar  nas raridades que andam nas mãos de particulares e que, por isso mesmo, só se vêem de meio em meio século. 

Garantiram-me que lá encontraria quadros do meu amigo Vicente e só por isso já vale a pena lá ir.

Obviamente não virei de mãos a abanar...  nestas ocasiões não faltam as pechinchas! Difícil, difícil foi só escolher no catálogo aquilo que será meu.

 

 

 

"O Parque do Hospital Saint-Paul" - Vincent van Gogh, 1889.

 

À venda na 22ª TEFAF por 25 milhões de euros.

 

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