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Impressão digital

por Torradaemeiadeleite, em 01.06.15




Viver oito anos na blogosfera permite consolidar uma identidade ou, ao modo mais civil, registar uma impressão digital.

No que à individualidade diz respeito, ser único deverá ser também a assumpção da diferença como uma mais-valia e não como um requisito para a segregação. Não exagero quando aplico este princípio a uma entidade não biológica como é um blogue e a este blogue em particular.
Não é um exercício de vaidade ou de arrogância afirmar que, ao longo destes anos, no Torrada E Meia De Leite trabalhei com um cunho próprio que individualiza o meu blogue, tão somente porque é uma resolução da minha experiência, da minha consciência, da minha cultura, do meu tempo e do meu espaço, e nisto nenhum ser é replicável ou substituível.
Não se impacientem com este preâmbulo, fixo-o assim pela primeira vez e muito provavelmente será a única para não destoar do tema, porque aconteceu-me percebê-lo só agora, oito anos volvidos de divagações com letras e pela impressão viva de um objecto peculiar.
Aquelas considerações terão transparecido com mais evidência a quem, desse lado leitor, atentou nestas folhas que vão amarelecendo com o tempo. Só assim nasceria este presente personalizado, muito oportuno para um aniversário e revelador no seu intento. E di-lo-ia intransmissível, para além de pessoal, não fora a oportunidade que reproduzi-lo aqui em imagem traz à sua essência sensível e bela de ser distribuída por todos quantos o admirem.
A impressão digital do Torrada acrescentou-se pelos dedos desta amizade antiga que a criatividade e o afecto da Susana Traila Calixto homenageiam de tantas formas sublimes. Nesta forma em particular, a sua lucidez firmou notas biográficas da minha expressão em blogue: um marcador de página é o Torrada, uma torrada com guardanapo bordado e meia de leite são o Torrada, a invenção e a criação com as próprias mãos são o Torrada, o detalhe é o Torrada, a partilha é o Torrada.
Obrigada, minha amiga. Não aponho mais palavras ao obrigado que te dirijo - honesto como é, basta-se a si mesmo porque tudo encerra, desde os afectos que ressuscita, à vontade de sobreviver para contá-lo.
Na nossa mesa do costume,
enquanto conversamos e saboreamos as nossas torradas com meia de leite, marco esta página com as tuas impressões digitais, Susana, as impressões que confirmam o quanto de ti é maior e único.

Até já.


 

 

 

MeiadeLeite

 



 

 

Torrada2

 

 

 


Fotografias de Torradaemeiadeleite.
Marcador de livro de Susana Traila Calixto para o Torrada E Meia De Leite.




 

 

 

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O dia maior do programa das festas

por Torradaemeiadeleite, em 29.05.15

 


Completam-se hoje oito anos de circum-navegação.

Poderá ir longe, mais, muito longe, mas é a este continente chamado Torrada E Meia De Leite, central, pequeno e instável,
que aportará a casca de noz navegante para, logo depois, tornar a sair. Uma e outra vez, três e todas as demais, irá porque há uma carta dos oceanos que tem de ser continuamente refeita, das marés e dos portos sempre novos que devem ser explorados e apontados, uma tarefa votada à incompletude e, por isto mesmo, perfeita para este lobo do mar.
Antes de mais viagens, ponho a mesa de brilhos que a ocasião merece. Preparar o velame exige força e paixão, pode ser à mesa, redonda para a distância não ser injusta para os sentidos.
Este intento marítimo é feito de solitude, mas apoia-se nos braços e no coração daqueles que, ficando, seguem na viagem porque são a sua bússola.
Em terra, nesta mesa, nutrimos aquilo que nos aproxima das estrelas, ainda que, tantas vezes connosco em tumulto de ondas, e quando são mais precisas, elas fiquem veladas ou pareçam inalcançáveis - e refiro-me à inquietude, ao desassossego que nos fustiga porque sentimos que não há lógica nem racionalidade na lição comum que diz que esta matéria feita de chama e transbordante de sensibilidade se abriga nos limites de um corpo, de um continente, do planeta, duma cultura, duma moralidade torpe inventada para rasgar as velas de cada um de nós.


Esta viagem de circum-navegação há-de fazer-se novamente. Esta viagem continuará. De algum modo, continuará a ser e para o ser.

Por agora, todos à mesa de brilhos, há uma casca de noz para prepararmos e um mapa novo para traçarmos. O que vier, será.

Torrada

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.





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Do programa das festas, mais atracções II

por Torradaemeiadeleite, em 28.05.15

 

 

A primeira publicação no Torrada vale mais pelo testemunho da caminhada literária que faço desde 2007 neste espaço, do que pela sua data ou circunstâncias.
Hoje não me revejo neste modo de escrever, mudou a parte formal e mudei eu mesma. Atentem nestes exemplos: usei quilogramas de pontos de exclamação e reticências, cometi erros de sintaxe ( "há anos" dispensa o "atrás" ), apresentei-me num estilo "tudo ao monte" sem espaço entre a imagem e o corpo do texto para o peito expandir e inspirar, mas tout court a ingenuidade que mora nas palavras e o ramo verde do lirismo a baloiçar sem orientação são a marca de 2007.
Foi assim mesmo o começo, que não altero nem pretendo negar. Era eu a caminhar insegura e sem vergonha de o mostrar, era eu consciente dum caminho para andar mas ignorante da minha condição física.
Hoje continuo insegura na escrita, só que disfarço um pouco melhor, e o tamanho da minha ignorância aumentou desmesuradamente. E já não renasço, reinvento-me.

 

Nesta mesa serve-se tempo para falar da condição humana.







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Programa das Festas

por Torradaemeiadeleite, em 21.05.15

 

 

 

Há uma música a dizer "foi em Maio que te conheci" que, pelas notas dum ritmo escondido, nos aponta o começo das letras do Torrada e Meia de Leite. Suspeito que só eu a ouço, mas revelo alguns arranjos e tons. Pode acontecer que, de algum modo, a sua existência se torne audível para mais pessoas.
Até ao dia certo, sigo o fio de Ariadne, desta vez ao contrário, para me embrenhar no labirinto com vontade de perder-me, não geograficamente, mas neste caminho de desconstrução construtiva que alguns dirão "lembrar", já eu, e por agora, digo que são só factos.

É um facto que a imagem do ícone foi tiro certeiro e definitivo, como revelei aqui num texto de 12 de Abril, e é outro facto este que diz que a imagem do cabeçalho foi uma maratona de tropeções e cotoveladas. Tentar correr atrás duma imagem para o meu blogue deu-me água pelas barbas, que nunca as tive, por isso emendo-me escrevendo que, muito simplesmente, me deu muito trabalho.

Aqui está o primeiro cabeçalho do Torrada, ainda sem o nome, recortado duma fotografia minha dum dia de passeio à chuva sem guarda-chuva. Não é difícil saber das margens que estas pontes unem e não é um passo sujeito a rasteira perceber o porquê desta escolha para um blogue que, afinal, move-se entre vários mundos e precisa de os unir para se sentir feliz.
Nestes dias que ainda restam até ao dia, o tal que é certo, vou tirando do labiríntico viver deste meu espaço mais factos que a experiência de ser Torradaemeiadeleite não permite que sejam negados.
Encarem isto como um "programa das festas" sujeito a alterações de última hora e descontroladamente controlado pela vontade de brincar desta vossa mordoma da festa.

 

 

Título

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.







 

 

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Evoluir

por Torradaemeiadeleite, em 02.10.14

 

Saio uns instantinhos e quando volto tenho a casa remodelada. Habituo-me ainda ao novo rosto do SAPO nos bastidores do Torrada, mas para já estou impressionada, bem impressionada.
É também com a evolução que tem vindo a imprimir ao longo da sua vida que o batráquio luso me cativa. Estagnar é morrer. Caminhar reflectindo é progredir.
Obrigada, SAPO e até já.

 

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

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Os meios de comunicação social

por Torradaemeiadeleite, em 01.02.14
Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Não foi assim há tanto tempo. Bom, é uma maneira de dizer, se há assunto que se presta a relativismo é este do tempo, mas percebo que a evolução tecnológica se dá por saltos.  Passinhos de bebé, lentos, hesitantes, ora para a frente ora parado ou a voltar ao princípio são mesmo próprios do bebé e, para já, iguais em todas as eras.

E é então nos saltos que sou apanhada de surpresa, não que me espante por ter vivido em anos que não contemplavam o uso banal de computador e telemóvel, mas surpresa porque percebo o vórtice em que me vejo mergulhada, sem saber o que prever, e procuro postes fortes onde possa apoiar-me um pouco e respirar, para de novo ser apanhada. Aqui pouco importa se quero ou não ser parte do vórtice, essa é outra abstracção.

Já se vê, este é um clássico das conversas da minha geração, a das transições de épocas, de modos e costumes, aqueles que ainda viram e viveram num teatro centenário no qual agora são empurrados, abanados, forçados mesmo a actuar, ou então ameaçados - fora de cena quem não é de cena. Geração das tantas certezas que nos contemplavam, tantas quantas as dúvidas que agora nos assistem em relação ao futuro, o nosso e daqueles que damos ao mundo.

Dou conta que a introdução vai demorada, ela própria já basta como reflexão e recorre a piscadelas de olho à actualidade nacional - as voltas que isto dá, não foi assim há tanto tempo, dizia eu. Assumo estas deambulações, seguem pelo caminho mais longo, como as deambulações devem seguir. Assumo que dialogo com o teclado e com o ecrã quando prefiro a conversa de viva voz com os olhos a embelezar os diálogos. Mas é abraçando esta espécie nova de comunicação que assumo ainda o desprezo pelo monólogo, porque estas palavras podiam morar só nos meus cadernos mas é nos vossos olhos que o fazem. Estas palavras, assim nadas e criadas, têm quem as leia e a conversa pode mesmo fluir, começa na minha cabeça e nos meus dedos e percorre o espaço de quem lhe presta tino.

Sobre este tema das novas tecnologias e meios de comunicação ou qualquer outro que escolha iluminar aqui, discorre esta certeza de que comunico cada vez que escrevo no Torrada. Sim, quando não é possível noutro lugar, invento o meu espaço de tertúlia com a ajuda dum computador e a certeza dos que me lêem.

E talvez o vórtice seja menos vórtice assim, quando eu encontro postes de segurança nestes pensamentos assistidos. O tempo e a distância mais curtos - ou mais fáceis de percorrer.

 

 

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Sem Título

por Torradaemeiadeleite, em 05.12.13

"La machine qui voulait savoir" de Marc Giai-Miniet.


Batucam, assediam-me com o ritmo, desafiam-me a dançar com as palavras - leituras, livro, cativou, recomenda - e ainda algarismos para complicar a coreografia, 2013, 18 e 12, precisamente e por ordem decrescente porque sou meticulosa. Atiçam-me mais, só para me ver rendida sem condições, com mais estas: preferida, receber livro. Sinto que a vontade já bate o pezinho ao som da música mas o como é que me troca as voltas do corrupio. Voltear, dar a volta, quem diz na dança diz também no assunto e é por aqui que vou tentar, sempre gostava de ver como me assentaria ser uma preferida.

Explicar escolhas ou ditar conselhos nem sempre surtem o melhor efeito, a primeira revela tanto pelo que afirma como pelo que deixa por dizer, é preciso saber ler nas entrelinhas ou, como se diz que disse Agostinho da Silva, "lerás bem quando leres o que não existe entre uma página e outra da mesma folha"; a segunda, sobre os conselhos, já se sabe, quem mais precisa deles é quem menos os ouve. Portanto, tirará conclusões do que eu escrever quem para esse lado estiver virado ou quem seja generoso e dedique tempo a estas divagações pessoais.

Se a escolha é um livro e não obriga a edição deste ano, nem à portugalidade exclusivamente,  sinto que não desrespeito o desafio ao revelar que ( respiração suspensa, pupilas dilatadas, ritmo cardíaco acelerado ) o meu livro de apontamentos de leituras é o tal. Esta edição de autor com capa dura reúne na sua singularidade o que li até agora durante o ano de 2013 com impressões, comentários, desenhos, transcrições, colagens de pequenas coisas que coincidiram com as leituras, "googladas" e alguma escrita em moto próprio, inspirada pelo que leio ou adivinho. Para mim faz sentido esta escolha porque ler também pode ser escrever, reescrever e as minhas andanças livrescas são interdependentes, destacar só um é injusto, um livro chegou puxado por outro: o autor referiu de outra obra efeitos, admiração, aversão, o título seguinte era a continuidade lógica do primeiro ou eu quis mudar radicalmente de assunto, narrar um fenómeno social, natural, científico fez-me indagar determinado tema, o meu filho leu a obra infantil, enfim, sem caminho pré-definido, veio tudo ligado por algum fio condutor, às vezes é o sim que arrastou tantos não e, com tudo isto, alcancei maior riqueza e entendimento da narrativa, do autor, da época, do lugar. Muitas vezes, procuro também na leitura a sua circunstância.  Este é o meu feitio livresco e o dos outros pares tem com certeza a mesma legitimidade e igual realização.

Para mais, adianto que a minha leitura preferida está, pelo exposto, em perene construção e sei também que já estou imbuída do espírito dos livros que lerei em 2014, assim me seja permitido.

Na impossibilidade de sugerir o meu livro porque esgotou e não está prevista reedição, recomendo aos leitores igual iniciativa, há pelo menos uma editora que me imitou e tem à venda um livro dos livros com as páginas prontinhas a ganhar outras vidas ( e escrevo que é a Bertrand porque arrisco que me mandem um, livre de encargos, pela menção ).

Quase a terminar, esperança-se o meu texto por afirmar a recompensa que vem da coexistência de autores de diferentes nações e credos, da continuidade do que já se escreveu no que se escreve hoje e no que virá depois, da igualdade de força dos diferentes géneros literários, a recompensa, volto eu, é encontrarmos o melhor de nós mesmos. O meu melhor, com o teu melhor e com o melhor do outro, ah, tantas possibilidades.

Poderemos falar de uma homenagem aos livros em tons de verde com olhinhos amarelos?

Mas se um livro de notas, transcrições, desenhos, comentários, colagens, não é uma boa sugestão literária então fica provado que não consegui dar a volta ao assunto.

Salva-se em todo o caso esta boa horinha por ter aceitado o desafio para uma dança de ritmo acintoso e para o flirt multipessoal - com uns comes e bebes ainda arranjamos festas dionisíacas.

 

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Livros itinerantes III

por Torradaemeiadeleite, em 17.08.12

 

 

 Fotografia do blogue streetbooks.org.


A um nível ainda mais abrangente de universalidade bibliófila encontra-se literalmente a pedalar esta bibliotecária itinerante. Aos sem-abrigo e tantas vezes sem uma identidade "oficial" ( o que dificulta o acesso a uma biblioteca pública ) chega semanalmente a bicicleta com livros de Laura Molton, de Portland no estado de Oregon.

Inicialmente a preocupação maior do projecto era  a não devolução dos livros emprestados. A biblioteca ambulante falharia por delapidação do património? O facto é que, um ano após a estreia ( Verão de 2011 ), a taxa de devolução situa-se nos setenta por cento e o princípio da confiança mútua deu enfim frutos, tantos que a iniciativa já foi galardoada pela National Book Foundation.

Na sua breve vida, esta ciclobiblioteca já juntou histórias peculiares à roda dos livros que empresta sem prazo fixo de entrega, todas elas registadas no blogue, com muitas fotografias  e relatos na primeira pessoa. A bicicleta faz o mesmo roteiro duas vezes por semana com romances, ficção científica, policiais e outros géneros literários, tudo em pequenas doses porque bicicleta e ciclista têm limites físicos.

Sem complicações burocráticas e sem mercantilismo, nesta missão não são só os tostões que contam. Há paixões e iniciativas que crescem quando são repartidas e há pessoas que se agigantam quando dão parte de si.

 

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Acordo Ortográfico

por Torradaemeiadeleite, em 27.06.12

Do blogue "Bibliotecário de Babel":

 

"Creio que é uma situação inédita. Na ficha técnica do romance Macau, do escritor francês Antoine Volodine, editado por estes dias pela Sextante (do grupo Porto Editora, que aplica com raras excepções o Acordo Ortográfico), pode ler-se: «Por decisão do autor, o presente livro não segue o novo Acordo Ortográfico.»
É certo que Volodine tem uma relação forte com Macau e com alguns portugueses que conheceu por lá, mas não deixa de ser extraordinário que um autor de língua francesa seja mais aguerrido na defesa das nossas consoantes mudas do que muitos escritores portugueses, indiferentes ou cúmplices perante as amputações e alterações absurdas à grafia da língua."

 

Eu ainda tenho esperança que o dito Acordo se volatilize.

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Blogosfera

por Torradaemeiadeleite, em 23.01.12

Gosto de fotografia e gosto de livros. Ainda bem que há muitos mais assim, embora só de vez em quando apareça um que resolve expor-se mais e tornar-se o herói dos restantes. Refiro-me ao(à) autor(a) do blogue Acordo Fotográfico que deixa de lado a timidez, algo que me tolhe frequentemente e regista com as imagens e com a conversa os hábitos de leitura daqueles com quem se cruza.

Sigo com prazer os resultados desta boa ideia,  felicito-a e recomendo-a.

 

 

 

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Com título para ser dito "à la" Manuel Alegre

por Torradaemeiadeleite, em 11.05.11

"Ah, a Literatura!" é um registo diferente da sisudez televisiva que era habitual na abordagem da literatura. A qualidade veste-se aqui com descontracção e humor.

No Q ( canal 15 da MEO ) aos sábados pelas 22 horas. Eu sigo-o na blogosfera.

 

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Herdeiros da blogosfera

por Torradaemeiadeleite, em 08.01.10

 

 

             Fotografia de Torradaemeiadeleite ( Aveiro, 2009 ).

 

Este blogue vai a caminho de completar três anos de vida digital. Não sei por quanto mais tempo continuará a ser actualizado, mas já dei por mim a desejar a sua permanência daqui a 20 ou mais anos, mesmo que na forma duma memória dos anos em que foi escrito. Pode até ser que eu já nem esteja cá para o ver, mas ficaria esta forma de legado, algo mais a juntar às fotografias e cadernos manuscritos e rasurados que pululam cá por casa e ao dispor dos que me rodeiam permanentemente.

Imagino o meu filho, que ainda não sabe ler, a procurar nos textos e fotos blogadas os ecos dum dia-a-dia que só conhecerá muito depois de terem sido produzidos. 

Apesar de pessoal,  o Torrada reflecte o contexto social e cultural em que foi gerado, pode ser um artefacto arqueológico muito curioso daqui a muitas eras digitais... Bom, mas o que eu também quero escrever é o seguinte: há outros blogues em que o património acumulado é muito mais relevante ( e, sem dúvida, mais útil ) mas que  acontecerá à informação acumulada quando os seus autores já não andarem por este Mundo? Há alguma forma de conseguir a longevidade no mundo dos pixeis?

Se tiverem tempo, leiam este artigo do PÚBLICO online "Na internet há vida depois da morte", que evidencia as limitações actuais desta forma de herança ( a digital ) e a necessidade de esclarecer numa base legal as suas incongruências. Não deixa de ser, porém, uma piscadela de olho ao futuro e um manancial de temas para reflectir.

 

PS: longa vida ao SAPO!!

 

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O meu segundo texto culinário

por Torradaemeiadeleite, em 07.10.09

Porque é que alguém que não gosta de cozinhar lê um blogue com receitas culinárias? Porque é que alguém que não gosta de cozinhar se inspira para escrever algo que tenha a ver com tachos? A culpa é do Tertúlia de Sabores, que não é um blogue só de receitas. Penso até que a parte da receita, em si mesma, não é o  âmago do seu ser. É sim, a história que cada prato e bebida comportam, as referências históricas, familiares, geográficas, culturais... tudo o que uma combinação de alimentos nos pode trazer.

Como diz o nome do blogue, trata-se sobretudo duma tertúlia e, assim, sabores e saberes  encontram-se despretensiosamente para trocas de ideias, experiências e partilha de conhecimento.

Bom, mas os meus textos culinários são sobretudo à minha maneira ( já deu para perceber pelo primeiro ) e por isso hoje contribuo simplesmente com uma erva aromática que, aliás, é bem apresentada neste post no Tertúlia. Não pretendo copiar, apenas fazer notar a oportunidade de me ter cruzado pessoalmente com um exemplar de Pelargonium crispum poucos dias depois de ter lido o texto da Moira.

Encontrei-o no jardim da Fundação de Serralves, no cantinho das aromáticas ( e que diversidade ali é apresentada ), apertei-lhe as folhas e... que cheirinho a limão!!

Obrigada Moira, pela partilha das tuas experiências e aqui vai a lição aprendida em jeito de fotografia...

  

 

 

 Fotografia de Torradaemeiadeleite ( Jardins de Serralves, Porto ).

 

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Blogues no papel

por Torradaemeiadeleite, em 28.01.09

 

 

 Fotografia de William C. Shrout (Chicago, 1941).

 

Nem mais, nem menos, é mesmo acerca de blogues impressos em papel que escrevo. Quando os jornais se tornam online, os blogues saltam para o suporte de celulose.

Um jornal diário, gratuito e cuja equipa jornalística pode ser toda uma comunidade de blogues locais é a mais recente novidade nas ruas de Chicago e São Francisco. Constrói-se com os posts daqueles que queiram participar, com as fotos de sites de partilha e sobrevive  à custa do  espaço dedicado à publicidade local que, assim, atinge o público alvo duma forma mais barata e directa.

A fórmula parece então agradar a todos os intervenientes e confesso-me curiosa para ver o futuro desta ideia já palpável.

Espreitem esta notícia  e o site para saber com detalhe como ganha vida este novo jornal.

 

 

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