Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]



Dos dias portugueses

por Torradaemeiadeleite, em 10.06.16

 

 

 

 

 

Torradaemeiadeleite

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

O Torrada a ser ele próprio

por Torradaemeiadeleite, em 06.05.16

 

 

 

Há nove anos.

 

 

TorradaMeiaDeLeite

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.


 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As asas servem para voar II

por Torradaemeiadeleite, em 11.10.15



torradaemeiadeleite


Fotografia de Torradaemeiadeleite ( banco de jardim com gravura da fotografia "I Wait" de Julia Margaret Cameron )

 




Aqui está uma casa iluminada num promontório obscurecido, que tem palavras imóveis no momento em que deveriam sair, a adiarem indefinidamente os seus passos, privando-se de circular mundo afora até que o cansaço as esgotasse, ou a vontade as saciasse. Mudas, paralisadas, sincopadas, na soleira da porta da casa que resplandece.
Precisarão de energia, uma forma qualquer de energia que seja eficaz para resolver desacertos de movimento. Até empurrá-las servirá, a pontapé irão, ameaçadas com castigos antigos, riscadas em azuis, torturadas. Terão de ir porque ficar é um despropósito. Estáticas, congeladas, catalépticas. De que serve podermos sair se não nos aventuramos para lá da soleira da porta?

Estão cegas pela escuridão, é isso, ou então será um vento forte ou uma chuva invisível sem tino que arrepiam mais porque só são sentidos por dentro; detidas aqui na porta, mas desejando uma oportunidade para caminhar.
Algo mais, porém, me
desconvence destas hipóteses de imobilidade e levo-me a espreitar para além delas e nenhuma razão palpável acolhe os louros da impossibilidade que me arrelia.

Procuro então outros motivos, outros que talvez lhes atenuem a culpa de não se mexerem, outros que não precisam de corpo para se manifestarem e existirem.

Sinto que estão muitas outras palavras lá fora, invisíveis após tanto desgaste e mau uso, teimosamente avolumando-se como um ar pesado que não vemos mas ocupa todos os lugares, palavras destituídas de poder e empoleiradas umas nas outras. E saudosas. Palavras em desuso e remetidas para a memória. Inconformadas. Palavras que ninguém quer voltar a ouvir e palavras abandonadas. Estão encurraladas à porta de uma casa que não quer readmiti-las e rejeitadas por um mundo que quer progredir. Ocupam uma área de eterna transição. Não podem entrar e não querem deixar sair.

Há ainda outra hipótese, menos evidente e mais abstracta que explica o inusitado fenómeno da casa iluminada com palavras que não saem. Acredito que pode nem haver chão para lá da porta e será a evidência duma queda livre sem fim à vista que torna as palavras angustiadas, a certeza do embate que espalha a sua densidade e multiplica o desvario da queda, que faz das palavras umas temerosas súbditas da morte e da incompreensão, que são uma e a mesma coisa no mundo verbal. E assim, desejosas de escapar mas manietadas pela incerteza do que será ainda, não avançam para lá da soleira da porta, tementes duma força invisível que deixa lastro mesmo quando ameaça afundar-se de vez.

Eu quero construir-lhes umas asas. Se não há chão seguro para pisar, invente-se alternativas para sair. Cada uma das palavras teria modo de escapar à queda com voo impressionante, descoberto efeito planante, só para renascerem do lado de fora da sombra de si mesmas.

E atentemos: que não espante a ausência de chão que provocou esta invenção escrita. As casas das letras são construções inusuais. Tenho mesmo por evidência segura que crescem em altura mais do que muitas outras construções pensadas como sólidas e inabaláveis, imutáveis - alongando-se dos seus alicerces, vão até aonde a gravidade não pode ter qualquer acção sobre as coisas, aonde as palavras alcançam transcendência e perdem o medo de cairem num fim ou embaterem nos atavismos da História.

A casa das palavras deverá ser livre para seguir a inacessibilidade das alturas do pensamento.

Muitas palavras são caladas, ameaçadas, ignoradas, humilhadas, desmembradas. Mas a liberdade tem asas de perseverança, e as asas, as asas servem para voar.




Autoria e outros dados (tags, etc)

Liberdade, um retrato a cores

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.15





Liberdade. Celebrar-te com as botas gastas e descoradas das meninas da fanfarra, que da cor branca pura passaram a cinzento, ao baço brilho e viço perdido. As cores da corporação não auguram horas saturadas de ânimo, antes a lonjura desse teu dia que será cada vez mais reclamado. Desfilam ao som da cerimónia.

Liberdade. Não trazias tu no teu peito a força dum emblema-flor, o vermelho transbordando dos silêncios finalmente rendidos? Na vez de balas, a explosão das vozes e das armas apontando corolas e a união que ninguém poderia jamais voltar a vencer, eras tu, não eras?
A tua cor continua num fio desde essa madrugada de Abril até este branco puído das botas das meninas da fanfarra, que não sabem que a liberdade também está nos seus pés e segue arrastada nas capas e meias-solas há muito devidas, que vai com o som dos passos que se condoem a compasso, quando o que fazia falta era ir mesmo no grito que alguém soltasse a dizer do estado do calçado que a Liberdade usa. O rapaz da corneta anuncia o fim da desfilada e o princípio do engano. Discursam.
A tua cor chega desde essa quinta-feira clara, mas não no anil do céu low-cost ou da albufeira tardia do Alqueva, nem nos lenços amarelos dos coros que ecoam as profundezas do ser, os corpos unidos numa cadência interior que hoje não conhece fronteiras nem precisa de tradução. Chega, sim, no azul ímpio dos mares onde se afogam as esperanças, na cor da bandeira com círculo de estrelas esquecida de si mesma e do seu verbo, vem na cor dum litoral cada vez mais distante do Sol que se põe atrás dos montes da nossa incompreensão.
A tua cor inefável continua hoje, discretamente igual à dos olhos das crianças que têm fome neste tempo de abundância, discretamente igual à dos corações apertados dos pais que não vislumbram dias mansos para os seus filhos e discretamente igual à cor da pele de todas as mãos que, em garra sobre as pernas, se acham perdidas de utilidade e transidas de esperas vãs.
Ainda não chove. A fanfarra recebe o diploma. As botas gastas permanecem em formação.
A tua cor, liberdade, feita de muitas cores, é hoje um estandarte agitado ingloriamente por figuras que não te conhecem, que não sabem do que és feita e para o que foste feita, os mesmos que pretendem, mesmo na tua celebração, obnubilar os dias de quem te quer, usando como armas o medo, a culpa e o esquecimento.
Eras tu, Liberdade, que combatias o medo, a culpa e o esquecimento, não eras? Fizeste-o desobedecendo, saíste da formação e levavas as armas sem balas na câmara. Agarraste o cravo rubro que a senhora te estendia e a essa cor juntaste a mais bela, aquela que a esperança tem quando um peito aberto não teme as balas.
Isso foi naquele dia, o do princípio da possibilidade. E hoje, que tom queres dar ao retrato que eu te pintei?




Autoria e outros dados (tags, etc)

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sete, de corpo e alma.

por Torradaemeiadeleite, em 29.05.14

 

 

Ilustração de Travis Bedel.

 

 

Lembrar uma data poderá ser ou não a representação do tempo em "antes de" e "depois de" mas implica sempre o reconhecimento do que a destacou. Vale o que vale e aplica-se a datas de boa e de má memória. Este exercício fará mais sentido se dele conseguirmos reter alguma aprendizagem ou, ainda, se com tão pouco ( ou com tanto ) nos for possível arrumar ideias e seguir caminho. Veja-se isto ainda como uma forma de deve e haver, uma mania da consciência e certamente a procura de sentido para o que nos vai acontecendo. 

Por agora, e para o que quero expor, é um modo de afirmar uma existência no mundo, de repetir um prazer e de reproduzir um instante peculiar - lembro a materialização do Torrada e os seus sete anos de molecular identidade.

Por vezes, os blogues são alter-egos ou avatares do seu autor, tantas vezes as fracções de mundos que vivem da sua imaginação. Nos outros casos, serão mesmo a heróica tentativa de mostrarem tal e qual quem os assina. Mas mesmo reais ou alternativos e imaginados são, a meu ver, um fiel reflexo, acentuo o reflexo, do seu mestre bonecreiro - o "eu" tem tanto daquilo que somos como do que não somos e não arrisco sequer responder qual das partes nos define melhor.

O Torrada não é um alter-ego e não é um avatar, mas revela, em pequenas pinceladas, a luz e a sombra do meu mundo e, como em qualquer mundo, convivem aqui o real, a fantasia e o sonho.

Em cada texto, em cada imagem, em cada música e poema estão as moléculas que remetem para a sua filiação e está também o que se fez independente de heranças parentais.

Reconhecemo-nos também pelo que somos nos outros ( e com os outros, e para os outros ) e um blogue, embora não sendo gente mas feito por uma anima pulsante, vive a mesma dicotomia. O Torrada alterou-se assim na interacção com o que o rodeia, torna-se pouco a pouco mais complexo, em camadas que vai encorpando e admitindo debaixo da sua pele - chamemos-lhes experiências, revelações, inspirações ( e tombos, precipícios, derrapagens ). E deixo este reparo de que do que é complexo não posso abstrair conotação boa ou má, apenas o estado diferente daquilo que já foi e muito seguramente do que virá a ser.

Já me detive, em diversas ocasiões, nos textos dos primeiros anos e comparo. Se me recuso a apagar textos antigos que já nada me dizem ou que os penso mal escritos, é por sentir que o passado não deverá ser um obstáculo ou uma vista resguardada do meu próprio olhar, mas antes uma força que me incita e uma luz que me justifica. Reconheço que, sem aquele passado, não haveria este presente e este presente é a única coisa que de facto é. Dos primeiros textos e imagens, as pegadas fossilizadas que o tempo não apaga mas que o tempo ele mesmo contextualiza e ameniza culpas.

Basta de divagar ( vamos ao "dipressa" ): com o que já vai escrito, remato como nas outras singelas celebrações desta data, sem fazer promessas nem jurar compromissos, mas à espera de mais caminho para andar, sendo que é de aprendizagem que falo e não de distância a percorrer. Registo "em voz alta" a única certeza que neste momento me assiste, a de que continuo a gostar de torradas e de meias de leite.

Até já.

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

As asas servem para voar

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.14

 

Gravura de Albrecht Dürer, 1512.

 

 

Aqui está uma casa iluminada num promontório obscurecido, que tem palavras imóveis no momento em que deveriam sair, a adiarem indefinidamente os seus passos, privando-se de circular mundo afora até que o cansaço as esgotasse, ou a vontade as saciasse. Mudas, paralisadas, sincopadas, na soleira da porta da casa que resplandece.
Precisarão de energia, uma forma qualquer de energia que seja eficaz para resolver desacertos de movimento. Até empurrá-las servirá, a pontapé irão, ameaçadas com castigos antigos, riscadas em azuis, torturadas. Terão de ir porque ficar é um despropósito. Estáticas, congeladas, catalépticas. De que serve podermos sair se não nos aventuramos para lá da soleira da porta?

Estão cegas pela escuridão, é isso, ou então será um vento forte ou uma chuva invisível sem tino que arrepiam mais porque só são sentidos por dentro; detidas aqui na porta, mas desejando uma oportunidade para caminhar.
Algo mais, porém, me
desconvence destas hipóteses de imobilidade e levo-me a espreitar para além delas e nenhuma razão palpável acolhe os louros da impossibilidade que me arrelia.

Procuro então outros motivos, outros que talvez lhes atenuem a culpa de não se mexerem, outros que não precisam de corpo para se manifestarem e existirem.

Sinto que estão muitas outras palavras lá fora, invisíveis após tanto desgaste e mau uso, teimosamente avolumando-se como um ar pesado que não vemos mas ocupa todos os lugares, palavras destituídas de poder e empoleiradas umas nas outras. E saudosas. Palavras em desuso e remetidas para a memória. Inconformadas. Palavras que ninguém quer voltar a ouvir e palavras abandonadas. Estão encurraladas à porta de uma casa que não quer readmiti-las e rejeitadas por um mundo que quer progredir. Ocupam uma área de eterna transição. Não podem entrar e não querem deixar sair.

Há ainda outra hipótese, menos evidente e mais abstracta que explica o inusitado fenómeno da casa iluminada com palavras que não saem. Acredito que pode nem haver chão para lá da porta e será a evidência duma queda livre sem fim à vista que torna as palavras angustiadas, a certeza do embate que espalha a sua densidade e multiplica o desvario da queda, que faz das palavras umas temerosas súbditas da morte e da incompreensão, que são uma e a mesma coisa no mundo verbal. E assim, desejosas de escapar mas manietadas pela incerteza do que será ainda, não avançam para lá da soleira da porta, tementes duma força invisível que deixa lastro mesmo quando ameaça afundar-se de vez.

Eu quero construir-lhes umas asas. Se não há chão seguro para pisar, invente-se alternativas para sair. Cada uma das palavras teria modo de escapar à queda com voo impressionante, descoberto efeito planante, só para que renasçam do lado de fora da sombra de si mesmas.

E atentemos: que não espante a ausência de chão que provocou esta invenção escrita. As casas das letras são construções inusuais. Tenho mesmo por evidência segura que crescem em altura mais do que muitas outras construções pensadas como sólidas e inabaláveis, imutáveis - alongando-se dos seus alicerces, vão até aonde a gravidade não pode ter qualquer acção sobre as coisas, aonde as palavras alcançam transcendência e perdem o medo de cairem num fim ou embaterem nos atavismos da História.

A casa das palavras deverá ser livre para seguir a inacessibilidade das alturas do pensamento.

Muitas palavras são caladas, ameaçadas, ignoradas, humilhadas, desmembradas. Mas a liberdade tem asas de perseverança, e as asas, as asas servem para voar.

 

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sim, é uma Hasselblad

por Torradaemeiadeleite, em 10.03.14
Neil Armstrong e Edwin 'Buzz' Aldrin com uma máquina Hasselblad, 1969.

 

Poucos nomes se podem orgulhar de estarem associados a acontecimentos marcantes da história humana. Na verdade, do modo como eu penso, as mais insignificantes contingências e banalidades são também importantes neste percurso, mas aqueles momentos que dividem o tempo em "antes de" e "depois de" serão sempre o exemplo, a prova, o mais definidor instante de uma época.

Assim entendo a "conquista" espacial - que de conquista tem certamente a sedução, por vezes muito trabalho e ainda a sonora vaidade ao pronunciá-la ( embora destituída do sentido de domínio ou de subjugação que a palavra encerrará noutros contextos ).

O caminho a percorrer no último território estrangeiro à nossa espécie será sempre marcado com bandeiras e símbolos de que a Lua é porventura o mais inspirador. E é à Lua que vou juntar um nome com perfil que assenta bem ao périplo deste texto - Hasselblad.  De Victor Hasselblad nasceram as máquinas fotográficas que foram modificadas para acompanharem as missões Apollo da NASA entre 1969 e 1972, e das quais uma apenas regressou à Terra. As restantes, dum total de catorze, tiveram que ceder lugar e peso às recolhas feitas na superfície da Lua, pois todos os gramas contam para que uma viagem espacial seja bem sucedida.

A fotografia contribuiu decisivamente para aproximar as "irreais" conquistas ao olhar humano, num modo particular do ver para crer, agigantou a inspiração que tais fenómenos suscitam e libertou a percepção das nossas possibilidades. O salto sobre o abismo que a ciência empreendeu e a aproximou da comunidade não científica foi possibilitado pelos registos "fora de portas" que os astronautas legaram à humanidade, esses documentos que eu nomeio de infinitude, beleza e libertação.

A única máquina Hasselblad que foi à Lua e voltou pode ser adquirida em leilão dia 22 de Março, em Viena, na galeria Westlicht. Está obviamente imbuída de espírito, o que é notável para uma máquina, mas a isso obrigou a aura que tanta história lhe confere. 

Fico-me pelas deambulações contemplativas e por este amor à fotografia, à história e à ciência, mais à Filosofia que está sempre, sempre tão discretamente unida a tudo, também a esta fotografia "à la Hasselblad".

 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Ciber-aniversário

por Torradaemeiadeleite, em 30.05.13
Há seis anos à mesa deste café com uma Torrada e Meia de Leite.


Café Terrace, Arles - Vincent Van Gogh, 1888.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Capitão Fernando José Salgueiro Maia

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.13

Fotografia de Alfredo Cunha - 25 de Abril 1974.

 

"Meus senhores, como todos sabem, há diversas modalidades de Estado. Os estados sociais, os corporativos e o estado a que chegámos. Ora, nesta noite solene, vamos acabar com o estado a que chegámos! De maneira que, quem quiser vir comigo, vamos para Lisboa e acabamos com isto. Quem for voluntário, sai e forma. Quem não quiser sair, fica aqui!".

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Sobre Fernando Assis Pacheco e o Dia das Livrarias

por Torradaemeiadeleite, em 30.11.12

"Morrer numa livraria chateia tanto como morrer noutro sítio qualquer, suponho. Mas se é mesmo preciso praticar essa maçada de morrer, que seja em serviço. Foi isso que Fernando Assis Pacheco fez numa manhã de 1995, num 30 de Novembro. Saiu de casa para ir trabalhar, passou pela livraria de todos os dias, apagou-se.
A morte-merdeira não tem atenuantes. A puta infame tem quanto muito coincidências. E neste caso coincide ser Dia das Livrarias a 30 de Novembro.
Acho que sei quem saberia rir da coincidência. E brindo a isso."

 

João Pacheco


( Mensagem de filho que li no sítio da Fundação Saramago. Em boa hora. )



Autoria e outros dados (tags, etc)

Doodlecá, doodlelá.

por Torradaemeiadeleite, em 09.11.12

 

A ideia dos doodles do Google está "a cantar" e a encantar o mundo dos  píxels desde 1998. No Torrada moram já alguns que fui apanhando em flagrante e hoje temos mais um, literário.

Abraham ( Bram ) Stoker nasceu no dia 8 de Novembro de 1847, em Dublin, e celebrizou-se com "Drácula", uma história de vampiros editada em 1897 que exponenciou o folclore de alguns países europeus e imprimiu com maior  ou menor derivação a imagem que actualmente cultivamos de vampiros.

Mas serviu esta efeméride para me pôr a buscar as origens da "doodlemania" do Google e acabei no armazém dos que já passaram mas que continuam curiosos. As propostas de temas podem chegar de qualquer pessoa em qualquer parte do mundo. No tempinho que dispunha viajei por cá e por acolá só para cheirar a variedade. Lá estão os lusos com Amália, o Euro 2004, Garrett, Quental, Pessoa e até o Vitinho lá dorme.

Basta ir aqui para cusquices intercontinentais.



 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Bond, James Bond II

por Torradaemeiadeleite, em 06.11.12

 

Segue a enciclopédia à la Bond com a letra "C" de carros e de cinquenta, os anos contados desde o primeiro filme.

Nem sempre o espião teve um carro, ou pelo menos "o carro", o acessório rolante que afirmava o seu estatuto e gritava a sua distinção. Nos primeiros dois filmes ( Dr No e Da Rússia com Amor ) o propósito dos veículos não era espectacular, nem eles eram em si mesmos memoráveis. A acção não incluía duelos sobre rodas em fugas habilidosas, capacidades futuristas ou performances impróprias para o normal ritmo cardíaco.  Serviam isso sim para o espião ir do ponto A ao ponto B mais rápido do que a pé.

Mas chega 1964, o ano que nos revela Goldfinger, o terceiro filme, e chega borbulhando novidades,  acicatando o desejo do mundo com uma das maravilhas do tempo moderno: o Aston Martin DB5. Nasceu uma estrela e quarenta e oito anos mais tarde ela voltaria a brilhar, nas estradas e planos do realizador do mais novinho Bond, Skyfall. Vi, vi muito bem e admirei. Abençoados os que desenharam tal chisme1, incólume à passagem do tempo, lindo, lindo, que na era da "hiper-técnica" empresta ainda tanta elegância,  charme  e segurança à acção do filme. Quando eu for grande quero ter um assim.

Desde então guardou-se sempre espaço nas aventuras de 007 para máquinas marcantes, umas mais do que outras, ao sabor das eras, dos realizadores, dos orçamentos, da competição entre marcas para ganhar o destaque no filme seguinte.

Sim, mais tarde era prestigiante aparecer num Bond mas dizem-me as minhas fontes que foi o bom e o bonito para conseguir negociar com a Aston Martin a aquisição daquele modelo. Pormenores à parte, conseguiu-se fechar o negócio e em tempo útil se planeou a modificação do carro para incorporar metralhadoras, assento ejectável, vidros anti-bala, matrículas cambiantes e mais algumas habilidades para fintar os meliantes.

São cinquenta anos de James Bond, cinquenta anos que desafiam as preferências de cada um de nós e cinquenta anos celebrados com Skyfall, um filme com realização de Sam Mendes que foi para mim memorável: no plot, no vilão, no espião, no carro, na fotografia, na música e no genérico, mais ainda  no regresso à natureza primordial de Ian Fleming como quem fecha um ciclo ( mas promete mais ).

O conjunto dos filmes Bond reúne a passagem das décadas nos ideais de beleza masculino e feminino, nos perfis psicológicos dos vilões, nos carros, nas armas, nos motivos pelos quais se mata, manipula ou se quer ver o mundo a arder e ainda se vê a passagem das décadas nos medos que nos assistem como sociedade.

Tanto como uma enciclopédia, os Bond davam na verdade um bom estudo antropológico.




1Vocabulário crastejo: chisme (pronunc.  tchisme) - mecanismo, engenho mecânico, geringonça.


 

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Com sotaque açoriano

por Torradaemeiadeleite, em 18.04.12

 

Celebrando o 170º aniversário do nascimento de Antero de Quental.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Related Posts with Thumbnails







Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Torradas com bolor

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2016
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2015
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2014
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2013
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2012
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2011
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2010
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2009
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2008
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2007
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D