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Lugares para ler e lugares para serem lidos

por Torradaemeiadeleite, em 05.08.17

 

 

 

Torradaemeiadeleite



Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

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Into the blue

por Torradaemeiadeleite, em 27.02.17

 

Eu subiria até o ar me faltar e o azul saturado ceder sob a mudez do espaço negro.
Aí eu me quedaria, no colo imenso da inconsciência, para que o segredo da morte soprasse em meu ouvido a sedução do que é inexplicável.


torradaemeiadeleite

 

 Fotografia de Torradaemeiadeleite. Fevereiro de 2017.

 

 

 

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O Torrada gosta de iluminar os detalhes

por Torradaemeiadeleite, em 03.11.16

 

 

 

Torradaemeiadeleite

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

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Torrada fora de portas

por Torradaemeiadeleite, em 01.04.16

 

 

 

 

Torradaemeiadeleite

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.






 

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Entre o branco e o negro

por Torradaemeiadeleite, em 01.03.16

 

 

 

 

Torrada

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

 

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Um outro azul

por Torradaemeiadeleite, em 16.09.15

 

 

"With the twilight breaking through
It's a different kind of blue"

 

 

( retirado de "A Different Kind of Blue" de U2/Brian Eno, álbum Passengers de 1995 )

 

 

 

Torradaemeiadeleite

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Castro Laboreiro, 2008.









 

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Lugares para ler e lugares para serem lidos XI

por Torradaemeiadeleite, em 26.02.15

 

 

 

Lugares

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

 

 

 

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A pergunta em volta

por Torradaemeiadeleite, em 30.12.14

 

 

Planalto

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

Os intervenientes são essencialmente os mesmos e a linguagem que partilham veicula afinal as mesmas impressões, todavia os campos da sintaxe denunciam a era desta reflexão, esta escrita e a sua forma moderna não pertencem a todos os tempos, só a aspiração do registo - cotejar com o tempo universal e ser veículo de interpretação e perpetuação.
É possível encarar o Sol da origem e o recorte repetido da paisagem que sustém as raízes deste dia, as cores e as linhas erodidas que desenham o velho horizonte, o solo a estalar, como as plantas geladas, debaixo dos pés, que não são todavia as únicas figuras cristalizadas nas sombras perenes do arco baixo de luz; é possível, com todo o corpo, elencar o que se manteve imutável na paisagem até hoje e arriscar o que será diferente.
Sem o calor do sangue, porém, toda esta terra não seria mais do que as suas esculpidas formas milenares, as suas reiteradas gerações de carbono, muitas mais vezes certas do que erradas e dos erros ainda aproveitando as promessas dos melhores e dos mais aptos. Mas nem mesmo isto seria se não houvesse consciência e dúvida razoável para interpretar e exprimir, isto e o tempo, que cinzela todas as matérias, a da consciência inclusive.
Com afluentes de vária ordem que o caminhar livremente pode proporcionar, forma-se a constatação de que é breve o período terreno para perceber e presenciar tanto que se revela ante nós e de como, apesar da explosão da consciência e da técnica, não nos situamos ainda além do que é meramente superfícial.
Reflui o caudal deste rio que é o pensamento para se aproximar da origem da paisagem e para que alguém repita que nas horas especulares desta que é imprimida, os homens da pedra e do fogo, os homens do bronze, os homens do ferro que aqui moraram, detiveram o seu afã e renderam os seus sentidos e a sua razão ao que era à sua volta - uma imensa pergunta de terra e de gelo, sombra e céu, ossos e coração.
As vistas navegando ao largo foram, e são, tão essenciais à vida como a urgência instintiva da sobrevivência, e procurando respostas, e no correr imparável de novas perguntas, os homens alteraram o relevo do solo que estala e as plantas ciclicamente geladas aproximando os seus mortos dos candelabros celestes. Não é debaixo da terra que a luz nos invade e eleva. A luz, sempre a luz, que interromperá a incomensurável noite.
Aos mortos o posto mais alto, aos mortos a autorização para se individualizar da matéria e da multidão, aos mortos a entrega de muitas dúvidas na esperança de que eles nos devolvam respostas que não alcançamos vivendo.
Contra os factos académicos pode argumentar-se que, afinal, entre o perene e o efémero e entre o sensível e o racional, não haverá maior distância do que aquela que une as letras de um mesmo alfabeto que revisitamos e exploramos sempre que nos detemos perante a imensa pergunta à nossa volta.


 

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Planalto com poente

por Torradaemeiadeleite, em 26.12.14

 


 Planalto

Fotografia de Torradaemeiadeleite.


 

A quietude chega envolta em farrapos de neblina que os ventos da raia arrastam, agiganta-se nos brilhos silentes do poente e, eterna, renova-se.
O planalto, nesta quietude, sabe da água a correr nos veios e sabe da terra marcada em contra-luz pelos ritmos dos últimos vigilantes.
O planalto traz o tecto do mundo para os dedos das mãos. O tecto do mundo é frio e grave.
Tudo respira ainda entre as pausas dos ponteiros do relógio - nada se excede e nada fica aquém daquilo que deveria ser.





 

 

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Gerador de amor a Castro Laboreiro

por Torradaemeiadeleite, em 08.09.14

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. 

  

 

Em Castro Laboreiro temos cafés geograficamente centrais mas nenhum patronimicamente "Central". Nas mesas dos nossos cafés geramos conversas, batotices e estados futebolísticos, geramos mitos e chistes, mas também geramos crenças em futuros despovoados. Futuros como os nossos caminhos, as nossas eiras, os nossos montes e os nossos estendais. Despovoados.
É também nas mesas dos cafés que Castro Laboreiro tenta reinventar-se, principalmente com o turismo, com os "de lá de baixo" e com os galegos, com todos aqueles que tantas vezes gostariam de encontrar aqui, para além da natureza arrebatadora, aquilo que muitos de cá preferiram esquecer e perder - a cultura portuguesa nem sempre foi o guardador das  diferenças que agora urge abraçar, reabilitar e assumir como nossas. Essa "cultura" e muitos dos seus intervenientes foram preconceituosos durante demasiado tempo e nós mesmos, os castrejos, atarefados na adaptação e na assimilação do que é de outros, fomos diluindo cada vez mais a nossa identidade nesse seguro e conforme mar da igualdade cultural. Aprende-se cedo que, na maioria das vezes, ser diferente dos outros não é fácil nem confortável.

Hoje em dia, esta terra raiana é em si mesma um coração que recebe temporariamente, em cíclicas e ritmadas pulsações, muitos que precisam de oxigénio e de descanso e bombeia para as distâncias do Mundo o seu próprio sangue, forte e novo. É assim que, além-mar e além-terra, há castrejos geradores de rendimentos e de sonhos, geradores de saudades e geradores de descendência que volta uma vez por ano às mesas dos cafés onde muitos avós não chegaram a conviver porque estes cafés não são antigos.
Saio do café para um outro gerador de centralidade, aqui neste meu lugar, quando o central se refere àquilo que não é marginal. Sento-me à mesa que a vista me oferece a partir de um dos pontos abertos e desimpedidos. Não é, portanto, marginal todo o território fragoso e monumental que susteve, protegeu mas também alienou um modo de vida e uma forma de ser. Como não foi marginal a vontade de partir para onde o trabalho dava proveito. Partidas que melhoraram as nossas condições de vida e mudaram irrevogavelmente o modo de aqui existirmos. Foram-se os homens e foram-se depois as mulheres, e foi quando as mulheres partiram levando os seus filhos que o futuro castrejo passou a ser, ele sim, marginal.

E quase tudo isto se percebe mirando bem a paisagem e sentindo a inclemência dos climas de maior altitude. Depois, percorrê-la  a pé para lhe tomar de perto mais cores e idiossincrasias. Só que é com este mesmo exercício, e à luz do que se viu e se aprendeu noutras paragens, que ainda ouso ter esperança na reinvenção sustentável deste território e na preservação da nossa fala e das nossas memórias.
E assim, à mesa deste "Central" com vista desconcertante, leio a  promissora revista Gerador em Castro Laboreiro. Gerador de amor à cultura portuguesa, diz o número um. Faz sentido, mesmo tratando-se do amor.

Castro Laboreiro é cultura portuguesa e precisa mais do que nunca de acreditar na sua permanência, no seu futuro, mesmo quando os dias são de tormenta - não, sobretudo quando os dias são de tormenta.

Este tempo português é o de sair: saem as pessoas, sai a confiança no país, sai o ânimo para o exílio. Mas há os que ficam e os que chegam pela primeira vez. E há os que voltam. Que haja sempre os que, de algum modo, voltam. Todos geradores de vontade de mudar e de, na mudança, gostarmos de ser portugueses.
À espera do próximo número Gerador e entre amores e reflexões.

 

 

 

 

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De cem em cem

por Torradaemeiadeleite, em 13.08.14

 

 

 

Quase, quase a celebrar o centenário do primeiro Concurso Monográfico do Cão de Castro Laboreiro, o tempo leva-me ainda para outros registos com marca igualmente ancestral:

 

Onde os lobos uivam, 1911.

 

 

 

 

 

 

 

 

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Apontamentos

por Torradaemeiadeleite, em 06.08.14

 

 

"É pau, é pedra, é o fim do caminho
É um resto de toco, é um pouco sozinho
É um caco de vidro, é a vida, é o sol
É a noite, é a morte, é o laço, é o anzol"

 

(...)

 

de Tom Jobim - "Águas de Março".

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

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Breve história das pedras

por Torradaemeiadeleite, em 26.04.14

 

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite - Castro Laboreiro.

 

 

Prontos mundos, germinado verbo.

O granito em estado selvagem e o granito domado.

Grande o génio, maior o tempo, infinita a poeira que em tudo é.

 

 

 

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Revisitar o Entroido

por Torradaemeiadeleite, em 24.02.14

( Fui ao sótão buscar um texto que escrevi e publiquei no blogue há um ano a propósito do Carnaval de outros tempos. Sacudi-lhe o pó, distribuí alguns pormenores na roupagem e reedito-o com o mesmo pretexto, celebrar e recordar. )

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Entram os farrangalheiros com cara rendada e andrajos às cores, uma ponta arriba e outra abaixo. As vozes alteradas adensam o mistério. Os tchistes cabeludos soltam as gargalhadas, mais os saiotes garridos que sacodem o ar pesado do fumo do lar, as momices com pernas e braços a gingar ou então não, se o actor faz de velho que manda paulada em tudo que mexe porque lhe aborrece tanta genica dos outros.

Ai que fronças esta da panoleta às flores, voz fininha de cana rachada, cinta redonda de pipa pesada. Ai não é esta, é este -  deix'ás moças ca lebas uã arrotchada! Chora o enjeitado, leva o mandil à cara p'ra secar as lágrimas ruidosas de tanto responso aturar, e desabafa com mui dramática pena, que ninguém o quer, que tem corpo airoso mas pernas de garabato, escatchadas e tortas de tantos anos bailhar.

Batem com os socos no sobrado, acertam sentidas galhetas uns nos outros e encenam desfile de namorados que vão à Vila casar. As perutchas de papel a abanar no cocuruto  vão também sem parar e seguem o ritmo dos saltos, aprimorando o  fato já de si galhofeiro, um prolífico atentado à elegância e ao bem trajar.

Saem p'ró caminho, lá vão aos tropeções. São velhinhos arrebitados que ainda roubam moças p'ra dançar, vão pelo braço a morrer de riso, melhor fora se para longe da vista dos pais.

Chegam outros a desfilar as caretas de cavalo, de bicho medonho ou de diabo com dentes arreganhados, não são só os dentes, é o demo também no corpo ou corpo de demónio à solta, à procura da beleza fresca para tentar e condenar. 

As varas e cajatas, os chocalhos e as campainhas anunciam de longe tão grotesca chegada. Vem a canalha à roda tentando  desapossá-los de tudo o que têm, destituí-los do medo, do poder e das proibições. Desassossegados, urrai agora vós da desfeita que vos fazemos, ide corridos, ide perseguidos batendo os calcanhares no farto e disforme rabo, ao menos uma vez provai vós o amargo gosto da humilhação. Libertador.

Nas eiras, nas casas e pelos caminhos a cirandar noite adentro sem parar, correm aos lugares de fora para que ninguém fique privado do folguedo. Quatro dias com sete bailharicos p'ra cumprir, o tocador à mercê da mocidade que roda e roda, esbanja energia e bebe do vinho. Nos campos não andam eles assim, não, que é preciso picá-los co'aguilhada para pôr o trabalho em dia.

Dias fartos de borga, de carnes e de pão, aguardados com ansiedade e celebrados com fantasia. Quem dera não acabassem nunca. Dias que não emprestam qualquer outro cuidado para além deste de celebrar o corpo vivo.

Saíram de vez os farrangalheiros da cara rendada. Levaram os andrajos, as perutchas e o mandil. Levaram as provocações e a vontade de virar o mundo ao contrário. Deixaram a noite. Deixaram a mudez.

Tivessem, ao menos, levado a morte e o medo com eles.

 

 

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