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Sem Título

por Torradaemeiadeleite, em 05.12.13

"La machine qui voulait savoir" de Marc Giai-Miniet.


Batucam, assediam-me com o ritmo, desafiam-me a dançar com as palavras - leituras, livro, cativou, recomenda - e ainda algarismos para complicar a coreografia, 2013, 18 e 12, precisamente e por ordem decrescente porque sou meticulosa. Atiçam-me mais, só para me ver rendida sem condições, com mais estas: preferida, receber livro. Sinto que a vontade já bate o pezinho ao som da música mas o como é que me troca as voltas do corrupio. Voltear, dar a volta, quem diz na dança diz também no assunto e é por aqui que vou tentar, sempre gostava de ver como me assentaria ser uma preferida.

Explicar escolhas ou ditar conselhos nem sempre surtem o melhor efeito, a primeira revela tanto pelo que afirma como pelo que deixa por dizer, é preciso saber ler nas entrelinhas ou, como se diz que disse Agostinho da Silva, "lerás bem quando leres o que não existe entre uma página e outra da mesma folha"; a segunda, sobre os conselhos, já se sabe, quem mais precisa deles é quem menos os ouve. Portanto, tirará conclusões do que eu escrever quem para esse lado estiver virado ou quem seja generoso e dedique tempo a estas divagações pessoais.

Se a escolha é um livro e não obriga a edição deste ano, nem à portugalidade exclusivamente,  sinto que não desrespeito o desafio ao revelar que ( respiração suspensa, pupilas dilatadas, ritmo cardíaco acelerado ) o meu livro de apontamentos de leituras é o tal. Esta edição de autor com capa dura reúne na sua singularidade o que li até agora durante o ano de 2013 com impressões, comentários, desenhos, transcrições, colagens de pequenas coisas que coincidiram com as leituras, "googladas" e alguma escrita em moto próprio, inspirada pelo que leio ou adivinho. Para mim faz sentido esta escolha porque ler também pode ser escrever, reescrever e as minhas andanças livrescas são interdependentes, destacar só um é injusto, um livro chegou puxado por outro: o autor referiu de outra obra efeitos, admiração, aversão, o título seguinte era a continuidade lógica do primeiro ou eu quis mudar radicalmente de assunto, narrar um fenómeno social, natural, científico fez-me indagar determinado tema, o meu filho leu a obra infantil, enfim, sem caminho pré-definido, veio tudo ligado por algum fio condutor, às vezes é o sim que arrastou tantos não e, com tudo isto, alcancei maior riqueza e entendimento da narrativa, do autor, da época, do lugar. Muitas vezes, procuro também na leitura a sua circunstância.  Este é o meu feitio livresco e o dos outros pares tem com certeza a mesma legitimidade e igual realização.

Para mais, adianto que a minha leitura preferida está, pelo exposto, em perene construção e sei também que já estou imbuída do espírito dos livros que lerei em 2014, assim me seja permitido.

Na impossibilidade de sugerir o meu livro porque esgotou e não está prevista reedição, recomendo aos leitores igual iniciativa, há pelo menos uma editora que me imitou e tem à venda um livro dos livros com as páginas prontinhas a ganhar outras vidas ( e escrevo que é a Bertrand porque arrisco que me mandem um, livre de encargos, pela menção ).

Quase a terminar, esperança-se o meu texto por afirmar a recompensa que vem da coexistência de autores de diferentes nações e credos, da continuidade do que já se escreveu no que se escreve hoje e no que virá depois, da igualdade de força dos diferentes géneros literários, a recompensa, volto eu, é encontrarmos o melhor de nós mesmos. O meu melhor, com o teu melhor e com o melhor do outro, ah, tantas possibilidades.

Poderemos falar de uma homenagem aos livros em tons de verde com olhinhos amarelos?

Mas se um livro de notas, transcrições, desenhos, comentários, colagens, não é uma boa sugestão literária então fica provado que não consegui dar a volta ao assunto.

Salva-se em todo o caso esta boa horinha por ter aceitado o desafio para uma dança de ritmo acintoso e para o flirt multipessoal - com uns comes e bebes ainda arranjamos festas dionisíacas.

 

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