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(...)
"Pois é preciso saber que a palavra é sagrada
Que de longe muito longe um povo a trouxe
E nela pôs sua alma confiada
De longe muito longe desde o início
O homem soube de si pela palavra
E nomeou a pedra a flor a água
E tudo emergiu porque ele disse"
(...)
Sophia de Mello Breyner Andresen (excerto de "Com fúria e raiva" - livro "O Nome das Coisas")
Foto AP Photo/ NGS, Chris Rainier
Hoje em dia, encontramos redutos de línguas antigas nos diferentes continentes que sobrevivem apenas no saber dos mais velhos. Noutros tempos eram faladas por todas as gerações e permaneciam dinâmicas.
Num mundo cada vez mais "globalizado", onde a maioria da população fala apenas 1% das cerca de 7.000 línguas existentes, aqueles idiomas correm risco de extinção. Podemos apontar razões sociais, económicas e políticas para o abandono progressivo das línguas mais antigas em favor de outras faladas pela maioria da população, mas importa salientar aqui o esforço empreendido por algumas entidades para as preservar.
O "Living Tongues Institute for Endangered Languages " organizou um projecto que visou a listagem e o mapeamento das regiões do Mundo com maior diversidade linguística, maior risco de extinção e com línguas menos estudadas.
Este Instituto aliou-se à "National Geographic " e apresentaram o "Enduring Voices Project " em Setembro de 2007. Com expedições aos locais prioritários pretendem, com base nos dados recolhidos, entender a distribuição geográfica, determinar a relação entre diversidade linguística e biodiversidade e alertar a consciência da população mundial.
Nestas vozes antigas encontramos testemunhos únicos da história e tradição dum povo, da sua interacção milenar com o seu ambiente e do modo como resolviam os seus problemas. Podem também evidenciar a evolução da capacidade comunicativa humana.
Com base na documentação, manutenção, preservação e revitalização das línguas antigas perpetuar-se-á o património cultural, social e científico que cada uma encerra e evitamos assim a privação destes conhecimentos às gerações vindouras.
Certo dia, numa das minhas deambulações citadinas, encontrei um livro de bolso muito curioso: "Uma recordação de Infância de Leonardo da Vinci " ( Biblioteca Editores Independentes ) escrito por Sigmund Freud. O título prendeu-me a atenção e apressei-me a verificar se não seria uma qualquer parábola ou figura de estilo, mas aquelas palavras não enganavam. Através das pinturas e desenhos, dos relatos dos contemporâneos de Da Vinci e dos poucos registos biográficos , Freud adianta explicações para a excepcionalidade artística, fervor científico, temas de eleição, relação com a igreja, estilo de vida, sexualidade e desejos do artista. Recorre a alguns princípios da psicanálise, explicados de uma forma simples, e detém-se nos mais pequenos detalhes, naqueles que o comum mortal não valoriza.
Será coincidência encontrarmos o sorriso de Mona Lisa nos rostos femininos de " A Virgem com o Menino e Santa Ana" ? De que modo este sorriso marcou o próprio Da Vinci , porque o pintou repetidamente e que sensações lhe remetia? Que outros significados poderão estar subjacentes neste quadro?
Neste pequenino livro podemos descobrir de que forma as impressões da infância influenciam o nosso ser e fazer e como o processo criativo artístico é o reflexo do próprio autor. Vale também pela humanização que confere a uma das figuras mais exaltadas do legado cultural humano.
A manhã revela-se fria mas a caminhada até aqui faz-me bem. O Sol é tímido mas a sua luz é meiga. As ruas que vou percorrendo libertam-me da rotina e aqui ou ali detenho-me nas montras. Reflicto...
Ponho o açúcar de parte, aconchego a chávena com as mãos e ela devolve-me calor. A torrada espera enquanto provo o primeiro café com leite. Pequenos rituais que me prendem a mim mesma. Reflicto...
Este Outono chegou sem o esplendor e a pontualidade a que me tinha habituado. O vento não leva o meu desconforto nem me traz os meus desejos. E a chuva? Quem a guardou só para si? Vou comendo enquanto penso nos pequenos e grandes nadas. A chávena está vazia. Reflicto...