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Imagem "emprestada" pelo Google.
Para provar que uma Segunda-feira não é só o lamento de mais uma semana de trabalho que começa mas que até traz coisas boas, já está à venda "Dig, Lazarus, Dig", o novo álbum de Nick Cave & The Bad Seeds.
Este é o seu 14º trabalho de estúdio, produzido durante o Verão passado, em Richmond.
Espreitem esta mini-entrevista e apreciem o aperitivo.
Fotografia de Gerhard Hüdepohl ( ESO Press Photo 04c /07- 17 Janeiro 2007 ).
O próximo filme do agente 007 ( "Quantum of Solace", no original ) dá-nos a conhecer este lugar único: o deserto de Atacama, no Chile, e o Observatório do Monte Paranal ( que é a casa dos 4 maiores, entenda-se mais potentes, telescópios terrestres ).
Para além dalgumas cenas de exterior também é aproveitada pela produção do filme, a "Residência" da equipa que trabalha neste observatório, pela sua arquitectura e design fora do vulgar.
Estas instalações encontram-se a uns "modestos" 2600 metros de altitude e são a "menina dos olhos" da ESO( European Organisation for Astronomical Research in the Southern Hemisphere ).
Gosto dos filmes James Bond, gosto dos seus genéricos sexy e bem musicados, dos vilões inteligentes e ricos, dos gadgets e carros hiper-equipados, das fugas quase impossíveis e mais ainda da oportunidade que criam para viajar pelo Mundo, incentivando-me a saber mais sobre este ou aquele "cenário".
Chiiiiiu... não digam nada, não façam barulho... os lobos andam por aqui...
Tal como eles, não reconheço a Primavera, assim vestida de Inverno e sinto frio no ar que inspiro.
Rendida aos humores da atmosfera, alheia ao calendário, roubo este instante e faço do chão dos lobos o meu também...
Fotografia de Torradaemeiadeleite
Ilustração de Danuta Wojciechowska.
Porque não se decide a chuva a tocar o chão? Assim a pairar no ar, indecisa, que espera ela?
As dúvidas acabam por revelar os sentimentos e os segredos duma família, cujo elemento mais novo é também o narrador duma história fora do vulgar.
A escrita é peculiar ( inconfundível... ) e as palavras são mimadas; todo o texto revela o seu autor, Mia Couto.
Somos ainda brindados com humor e ilustrações também muito belas...
A pensar nos mais novos, dizem, mas um bom livro não sabe reconhecer idades!
" Espreitámos na janela: era uma chuvinha suspensa, flutuando entre céu e terra. Leve, pasmada, aérea. Meus pais chamaram àquilo um chuvilho . E riram-se, divertidos com a palavra.
Até que o braço do avô se ergueu:
_ Não riam alto, que a chuva está é dormindo... "
...
" (...) Que a sua tristeza não era o morrer. Era o não saber terminar. Se ele aprendera tanta coisa, até a posar para a fotografia. Não sabia, contudo, posar para a morte. Que palavra, que rosto preparamos para esse momento final? "
...
" Como ele sempre dissera: o rio e o coração, o que os une? O rio nunca está feito, como não está o coração. Ambos são sempre nascentes, sempre nascendo. Ou como eu hoje escrevo: milagre é o rio não findar mais. Milagre é o coração começar sempre no peito de outra vida. "
Mia Couto, " A Chuva Pasmada " ( edit . Caminho )
( A Coffee Cup perguntou e eu respondo...)
No início, havia uma sala cheia ( de nada ) que depois ficou vazia... Seguidamente desejos nómadas procuravam um lugar para ficar ( de vez ):
" A sala não é má de todo... queremos dizer... é bonita, mas triste... talvez seja deste vazio, mas falta-lhe luz e se a pudermos abrir ao exterior, bom... então aí ficaria à nossa medida e gosto!"
Não tive tempo de negociar, puseram logo mãos à obra...
Estou a gostar das alterações. A "sala" está, de facto, mais luminosa e assim "aberta ao exterior" multiplicou o seu espaço! Agora está cheia... de desejos... e estes têm espaço para viver e multiplicar-se.
P.S.: agora vou ali ao Café com Leite para saborear um café feito com bom gosto, muito feminino, literário e algo mais.
Fotografia de Michael Nagle ( para N.Y.Times )
Leonard Cohen está de volta ( ao Mundo )!
Este senhor da música, com 73 anos, tem agendada para este ano uma digressão mundial com início a 6 de Junho ( em Toronto ) e final previsto para o dia 29 de Agosto, em Vienna. Portugal não foi esquecido e podemos esperá-lo em Lisboa, no Passeio Marítimo de Alcântara, no dia 19 de Julho.
Ainda esta semana passou a fazer parte do "Rock and Roll Hall of Fame", numa cerimónia que agraciou também Madonna e John Mellencamp, entre outros. Foi o "senhor" Lou Reed quem apresentou Cohen e entregou, em mãos, o galardão.
Fiquei a saber que só é elegível para este Hall of Fame o artista cujo 1º single ou álbum tenha nascido há 25 anos, no mínimo.
De facto, há pessoas a quem a palavra "reforma" não assenta bem... abençoados!!
Mesmo Baco não ficaria desiludido com os néctares presentes nesta exposição!
O próprio Palácio da Bolsa enriquece os sentidos...
Cada vinho conta a história da terra, das castas, do Sol, da chuva, do ano em que nasceu e das mãos que o cuidaram, colheram e compuseram.
Porque têm um ser próprio, e porque nós também somos todos diferentes, uns conquistam-nos de imediato, outros intrigam-nos, uns aprendemos a admirar e há ainda aqueles dos quais simplesmente não gostamos.
Trago desta experiência a confirmação da variedade e qualidade dos vinhos portugueses, a crescente aposta na diferença, a necessidade de adequar a razão qualidade/preço, a importância de fazer valer os nossos produtos além fronteiras e a consciência de que ciência e tradição podem ser aliados.
Uma nota de desagrado para a exposição gourmet, pelo menos no que diz respeito à exposição de produtos, pois não tive oportunidade de apreciar o trabalho dos chefes ou participar nos workshops. Faltou-lhe, a meu ver, o factor "novidade" ou exclusividade, pois tornava-se até mais desinteressante que algumas boas lojas gourmet que agora vão povoando as nossas ruas ou centros comerciais.
Vale a pena conhecer o que Portugal produz e como o faz. Vale a pena promovê-lo e dá-lo a conhecer aos próprios portugueses.
Fotografia: de Torradaemeiadeleite - Porto, Palácio da Bolsa.
Fotografia de Torradaemeiadeleite
Acompanha-me o teu embalo
De água que passa bravia
Sobre granito milenar
Que não cede no tempo duma vida.
Acompanha-me o teu rosto
De moinhos e pontes esquecidas,
Sou antiga e terna amante
Da tua beleza agreste e escondida.
Acompanha-me enfim o teu viver
Com histórias de luz e sombras,
Reflexos ímpares e modos de vida,
Para sempre estarão no meu ser.