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Foto de Leonel de Castro/ JN.
Para mim, foi uma vitória convincente. Não foi absoluta, mas isso não é necessariamente mau.
Os últimos anos não têm sido pêra doce, quer a nível nacional quer internacional, e qual o governo que não sairia pelo menos "beliscado" de tão dura prova? Penso até que outros não seriam contemplados sequer com uma nova hipótese e portanto ser reeleito nestas circunstâncias tem valor. Mais ainda quando o segundo partido mais votado teve o pior resultado de sempre.
Claro que nem tudo correu bem no último mandato e nalgumas pastas menos faladas, como a da Agricultura, ainda pior. Nas mais polémicas, como a Saúde e a Educação, os "abanões" e as reformas eram necessárias há já muito tempo e, pela sua natureza jamais seriam consensuais ou fáceis de implementar.
Ao fim e ao cabo, este resultado eleitoral traduz concordância com as linhas gerais desenhadas anteriormente mas imprime agora um cunho de moderação. A meu ver, prova também que não há, entre os líderes partidários actuais, uma figura que represente uma mais-valia em relação a José Sócrates.
Espero, talvez utopicamente, que um diálogo elevado e realista entre o Governo e a Oposição ajude a construir, passo a passo, um caminho de progresso e afirmação nacionais.
Fotografia de Torradaemeiadeleite.
Hoje gostava de ficar assim, quietinha e meia submersa, só com os "periscópios" à tona da água, corajosamente à espera dos 21º de temperatura máxima e das brisas redentoras dum Outono preguiçoso!
E vou comer um gelado ( ou cem ) enquanto espero!
Fotografia de Torradaemeiadeleite.
Li recentemente na Ípsilon online um texto de Mário Lopes sobre a relação entre a tecnologia e a música. Aconselho a sua leitura. O começo é original: "A Cidade e as Serras" de Eça de Queirós introduz um assunto que aparentemente não tem nada a ver e continuamos por aí fora até chegar ao "upgrade informático".
Releio o texto mas é nas cassetes que me detenho. Vou buscar as minhas e pego na máquina fotográfica. Mais tarde comecei a escrever.
Não foi nos anos 80 que mais as utilizei , nessa época contentava-me com os "discos pedidos" na rádio e com o "Top Disco" no canal 1. Ironicamente foi já na era do compact disc que as minhas cassetes cresceram e se multiplicaram.
Na primeira metade da década de 90 "acordei" para a música e para a escrita ( a primeira inspirava frequentemente a segunda ), adquiri livros com as letras dos U2 e dos Pink Floyd e foi nesse tempo que senti a necessidade de "transportar" a minha música preferida. O meu walkman era muito mais económico que o leitor de CD portátil e a cassete continuava a ser o meio mais acessível e universal para difusão e troca de música com os colegas de escola. Foi com as suas gravações que conheci os Doors, os Guns n' Roses, a "Angie" dos Rolling Stones ou ainda o "Stairway to Heaven" dos Led Zeppelin. Foi com os registos do namorado que ouvi pela primeira vez Gary Moore, Sisters of Mercy e All About Eve.
Fazer selecções "especiais" para oferecer, apurar a qualidade da gravação, adicionar ao vocabulário mono ou stereo, noise reduction, write protection, auto reverse, embelezar a caligrafia para os nomes das músicas, escolher as cassetes da marca X porque tinham mais qualidade de som e as de 90' porque davam para mais que as de 60'... todos estes rituais fizeram parte da minha adolescência ( fisiológica e musicalmente falando ).
Mas como resistir à mais-valia da tecnologia? Um MP3 é muito mais pequeno que um CD ou uma cassete e nele cabem, como diz Mário Lopes, "20 mil orquestras e 40 mil bandas", já para não falar na limpidez dos sons que reproduz.
As minhas cassetes continuam a ocupar o seu ( e meu ) espaço, ouvi-las será um acto puramente revivalista e, tenho certeza, quantas vezes cómico!
Corre por aí o rumor de que a cassete voltará à ribalta... E se o vinil consegue, por que não aquela caixinha plástica com fita magnética?
Pronto... esta colou-se aos meus "receptores" logo na primeira vez que a ouvi e ainda não consegui "descolá-la"...
Made in U.K.
Fotografia de Carabineiro.
À distância, segue demorado o rebanho de ouro. De cabeças baixas e passos miudinhos, revolvem o chão e escondem-se no pó. Apenas a lã, nos lombos reluzente, quebra brilhando o tom monótono do entardecer. Parecem conspirar ou segredar e delongam, em surdina, a chegada a casa e a exangue luz do dia.
Na paisagem de fogo apenas dois vultos negros, sentinelas do crepúsculo, figurinos perpétuos do guardar e do cuidar. Caminho afora, vara em riste, recebem no rosto e na roupa a terra a esvoaçar, miríade de partículas com brilho suspensas no ar e, sob os passos resolutos mas abreviados pelo torpor do rebanho, o chão mais seco que a seca a torturar.
Resolve-se gradualmente a nuvem poeirenta em direcção ao Sol posto, vai perdendo o ouro, vai perdendo a luz, funde-se depois nas sombras dos penedos projectadas, de mansinho, até que um novo dia lhe restitua a preciosa envoltura.