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Praça da Batalha

por Torradaemeiadeleite, em 29.10.09

 

 

            Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Uma das versões para a "Batalha" no nome desta linda praça do Porto conta que neste local se guerrearam sarracenos de Almançor e os habitantes da cidade, no séc. X, cabendo a estes a derrota e o consequente cenário de destruição quase total.

Muitos outros confrontos tiveram aqui o seu espaço mas nada, nos rituais de hoje, nos lembra belicismo e a praça é sobretudo palco de lazer e cultura, guardada serenamente pelo olhar de D. Pedro V, pelos edifícios antigos e pelo Teatro Nacional São João.

Em redor, muitas esplanadas acolhem turistas que experimentam as francesinhas e estudam no mapa a próxima atracção. Confundem-se os idiomas e muitos grupos cruzam a praça fotografando tudo com avidez.

Juntam-se também os portuenses enganando o tempo e observando os novos invasores que do alto do autocarro panorâmico ou do interior dos carros eléctricos comentam animadamente os jeitos da cidade.

Desta praça derivam algumas ruas estreitas e sinuosas que abrigam lojas pequenas, artífices e comerciantes de várias nacionalidades, montras escuras e portadas antigas. As varandas em ferro dos velhos prédios brilham em contraluz  e os estendais competem pelo Sol da tarde que aqui espreita apenas, deixando espaço para muitas sombras. Derivam ainda outras ruas que assumem a sua condição burguesa e ostentam os brilhos das montras e das marcas internacionais.

A Praça da Batalha é um convite por si mesma mas também pelas ruas que nela começam  ou acabam, todas com diferentes rostos e interesses; é porto de chegada e partida para estudantes, trabalhadores e turistas e é ainda porto de sensações para todos os que amam esta invicta cidade!

 

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O cavaleiro de armadura reluzente

por Torradaemeiadeleite, em 24.10.09

 

 

  Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Ele percebeu o que iria acontecer. Eu andava distraída.

Pensei que aquela transformação recente se devesse apenas a uma mudança de atitude, que fosse uma consequência da maturidade há muito devida.

Já me tinha habituado àquele delírio sonhador que o fazia travar lutas contra a sua própria natureza. Queria crescer atá ao céu, ultrapassá-lo até, libertar-se da terra que o agrilhoava a uma vida banal ou escapar, por fim, à força da gravidade. Ser diferente dos outros e, se já tinha uma armadura reluzente, porque não poderia partir em busca de aventuras, defender os que não podiam defender-se sozinhos, usar o seu ar agressivo para o Bem?

Sentado na terra. Encontrei-o assim, há dias. Sentado na terra mas com o olhar fixo nos céus. Resignado, percebo agora. Não soube ler os sinais.

Ontem, como um prenúncio que só mais tarde se identifica como tal, fotografei-o repetidamente. Nunca o tinha feito. Sob uma luz benfazeja que compreendia a origem de tal serenidade, apercebi-me dos detalhes exteriores da sua singularidade.

Esperou pacientemente que eu terminasse o trabalho irrepetível, como um herói que se sacrifica pela sua causa e tombou enfim por terra, sem protestos ou lamentos, digno e belo.

O peso da sua exuberância, o exagero da sua força interior, prenderam-no ironicamente àquela terra da qual parecia querer fugir, a mesma  que nutria afinal todo o seu sonho.

O silêncio e eu sentámo-nos pensativamente a seu lado.

 

 

Esta é a história dum cacto  comum ( aparentemente ) que me foi oferecido, há já muitos anos, com uma embalagem de iogurtes numa campanha de supermercado ( não me admiraria se fossem iogurtes "Longa Vida"... ). Sucumbiu por fim porque a sua base não suportou o peso e a altura que atingiu. Ninguém previu que resistisse muitos anos ou que crescesse tanto mas, sobretudo, que se transformasse em protagonista dum texto escrito.

 

 

Clássicos Outonais

por Torradaemeiadeleite, em 20.10.09

 

 

                                                     Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Ainda não tinha brincado ao Outono com a máquina fotográfica. Domingo passado surgiu essa oportunidade e este ano a rentrée celebra-se com luz serena e cogumelos a reinar, uma fotografia ao estilo "rés-do-chão", em vez das habituais folhas coloridas que tanto encantam.

Esta espécie de cogumelos é comestível, mas este exemplar portou-se tão bem na fotografia  que resolvi poupá-lo ao abraço do fogo.

Entretanto, chegou a chuva, mais um clássico outonal e a temperatura máxima abaixo dos 21ºC... Por mim, está óptimo!

 

 

O que já não é um clássico outonal são os bilhetes esgotadíssimos para ver os U2 em Coimbra no próximo ano!! Queremos outro concerto, já!

 

"Inglourius Basterds"

por Torradaemeiadeleite, em 13.10.09

Há várias maneiras de abordar uma história e Tarantino encontra a forma mais original para o fazer.

Em "Sacanas sem Lei" escreveu e realizou ( com todas aquelas marcas que lhe são próprias ) um desfecho diferente para os principais intervenientes nazis da 2ª Grande Guerra. Morrem, sim, mas sem controlo próprio sobre esse facto. E aos olhos de Tarantino, que melhor forma de os terminar se não todos juntinhos numa sala de cinema?

Há sem dúvida uma homenagem ao cinema e à sua capacidade interventiva. Até há tempo para aprender alguns factos sobre a arte cinematográfica. Mas este é apenas um dos aspectos; o facto de Tarantino ter imaginado um grupo de "inglourius basterds" maioritariamente judeus e a dona do cinema que arquitecta o grand finale ser também judia, soa mesmo a uma vingança catártica.

Absolutamente inesquecível é o desempenho do actor austríaco Crhistoph Waltz como coronel Hans Landa, que aliás ganhou no Festival de Cannes o Prémio de Interpretação Masculina.

E por fim, um elogio à música escolhida que, vim depois a saber, já fez parte de outras bandas sonoras ( mais uma homenagem... ). Entre muitas memoráveis, ficou-me esta do grande David Bowie de 1982...

 

 

Exercício de metamorfose

por Torradaemeiadeleite, em 09.10.09

 

 

 Fotografia "Texturas 1" de M.Cruz.
 
Demoro-me num namoro imaginário com esta imagem de mar tranquilo.

Nalgum horizonte tropical, entre Câncer e Capricórnio, deixo o olhar navegar sobre estas águas de Paz.

Perfilo, sem pressa, toda a inocência azul e segredo os meus queixumes às nuvens rasgadas que pairam. Indiferentes ao meu ser, preocupam-se apenas com o seu reflexo e demoram-se vaidosas em esculturas variadas.

Deixo as prima donnas.
 
Não insisto mais. Esta calma é imperturbável. Os trópicos não me contemplam.
 

O meu segundo texto culinário

por Torradaemeiadeleite, em 07.10.09

Porque é que alguém que não gosta de cozinhar lê um blogue com receitas culinárias? Porque é que alguém que não gosta de cozinhar se inspira para escrever algo que tenha a ver com tachos? A culpa é do Tertúlia de Sabores, que não é um blogue só de receitas. Penso até que a parte da receita, em si mesma, não é o  âmago do seu ser. É sim, a história que cada prato e bebida comportam, as referências históricas, familiares, geográficas, culturais... tudo o que uma combinação de alimentos nos pode trazer.

Como diz o nome do blogue, trata-se sobretudo duma tertúlia e, assim, sabores e saberes  encontram-se despretensiosamente para trocas de ideias, experiências e partilha de conhecimento.

Bom, mas os meus textos culinários são sobretudo à minha maneira ( já deu para perceber pelo primeiro ) e por isso hoje contribuo simplesmente com uma erva aromática que, aliás, é bem apresentada neste post no Tertúlia. Não pretendo copiar, apenas fazer notar a oportunidade de me ter cruzado pessoalmente com um exemplar de Pelargonium crispum poucos dias depois de ter lido o texto da Moira.

Encontrei-o no jardim da Fundação de Serralves, no cantinho das aromáticas ( e que diversidade ali é apresentada ), apertei-lhe as folhas e... que cheirinho a limão!!

Obrigada Moira, pela partilha das tuas experiências e aqui vai a lição aprendida em jeito de fotografia...

  

 

 

 Fotografia de Torradaemeiadeleite ( Jardins de Serralves, Porto ).

 

Amendoins americanos

por Torradaemeiadeleite, em 02.10.09

 

 

                       Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

O "Big Bang" de Peanuts aconteceu a 2 de Outubro de 1950. A partir de então, todo o universo de Charlie Brown e restante companhia não respondeu senão a uma expansão de talento do seu criador Charles Monroe Schulz.

O início foi igual ao de muitos outros bonecos que chegaram aos nossos dias: primeiro como tiras cómicas em jornais, depois como banda desenhada, animação de televisão e longas metragens. O merchandising completou o sucesso e tratou de os imortalizar.

O Snoopy é uma das estrelas mais memoráveis. Este beagle com complexo de Walter Mitty ( as coisas que se aprendem a posteriori... ) enredava-se  e a nós também nas suas representações de personagens aventureiras com as quais sonhava no tecto da sua casota.

E quem fala em Snoopy fala em Woodstock, o passarinho desgrenhado e amarelo que o acompanhava fielmente.

Qualquer uma das outras figuras tinha traços de personalidade bem distintos e isso só enriqueceu as vidas dos que assistiam aos episódios na TV, até a professora do Charlie Brown vive ainda na minha memória com o discurso próprio de quem fala debaixo de água...

 

Longa vida, meu amigo Charlie Brown e parabéns a você, nesta data querida... 

 




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