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É bom rever um dos momentos inesquecíveis do percurso dos U2:

Fotografia de Hugo Correia ( Reuters ).
" E sequem-se-me os dedos a cabeça
estoire e não fique de tudo uma palavra
se a maldição for tanta que eu te esqueça
e não reste sequer o chão e não de quantas ruas e
não já reste a cidade
e seja a memória deste homem um escárnio ocultado por quinze
gerações de vindouros
com seus cães que se deitam aos pés das pessoas e parecem adivinhar
a linguagem monstruosa
das narinas resfolegando
se a maldição for tanta e tão perfídia
que eu te esqueça na morte, que eu te esqueça " (...)
Fernando Assis Pacheco
( excerto de Memórias do Contencioso, 1980 em
A Musa Irregular - ed. Assírio e Alvim, Nov. 2006 )
Em Lisboa de 24 de Abril a 13 de Maio, Parque Eduardo VII.
No Porto de 31 de Maio a 17 de Junho, Av. dos Aliados.
Por ser Domingo, destaco estas estrofes de entre tantas outras, com outras perspectivas e tantos temas diferentes que fazem deste livro e do seu autor seres singulares. Mais um talento que a contemporaneidade literária portuguesa nos dá.
"Tudo necessita de constante atenção e
aperfeiçoamento, até o Eterno. Se o Eterno
é hoje o mesmo que era no século XII então
percebe-se a desligação geral do povo
às orações com frases desactualizadas.
O Eterno cheira a século XII, poderia
gritar um provocador bem informado,
mas o importante é isto: até o imutável
se não mudar será empurrado. O Céu, na minha opinião,
tornou-se um lugar parado de mais."
Uma Viagem à Índia (canto VIII-31), Gonçalo M. Tavares.
"A Europa lava ao fim do dia os pés
num balde de moedas, e em novas carteiras
baratas - compradas à entrada do Metro -
já está previsto espaço para o Espírito.
O Espírito cabe aqui,
Os cartões de identificação mais abaixo.
Tudo tem o seu lugar, e o século XXI já o percebeu.
(Valeu a pena viajar, pensa Bloom.)"
Idem (canto X-79).
Crastejos e galegos partilham crenças e saberes, bailham juntos a dança do falar. Pelo trabalho documental de Vanessa Vilaverde, Eduardo Maragoto e João Aveledo confrontamo-nos de novo com estas singularidades que unem as duas culturas, como as histórias de estântegas, acompanhamentos e candeias que nos arrepiavam noite dentro, até aos sonhos. E como eram magnetizantes estes "passos" contados "achegados ó lume", davam-nos medo na mesma proporção da vontade de os ouvir. Contos que se eternizavam nos gestos, os olhos baixos e a passagem apressada nos locais onde, com toda a certeza que o medo confere, tinham sucedido e servido de lição aos mais incautos.
Tudo era familiar, tudo era perto e bem podíamos ser nós mesmos os próximos a "especar" perante um acompanhamento.