Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]




Lugares para ler e lugares para serem lidos XI

por Torradaemeiadeleite, em 26.02.15

 

 

 

Lugares

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

 

 

 

 

 

 

 

Os Invernos do Mundo

por Torradaemeiadeleite, em 24.02.15



 

 

Nevoeiro

Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 






Se a informação não transbordasse para estas paragens escondidas, eu poderia acreditar, olhando só este retrato, que não há terror, negociações a prazo, fome e barbáries aquém e além-terra.
Convencer-me-ia, pela visão, de que tudo em meu redor se pode abreviar numa estrada com sentido para casa e de que o único inverno do mundo é este, o do repouso natural, em que o nevoeiro tem a humana densidade de quem procura um colo para se aninhar.




 

 

Porto Ilustrado

por Torradaemeiadeleite, em 21.02.15

 

 

 


Porto Ilustrado

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Porto, Fevereiro 2015.



 

 

 

 

Porto Ilustrado II

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Porto, Fevereiro 2015.







 

 

Tags:

Intervalo fotográfico

por Torradaemeiadeleite, em 11.02.15



Porto

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Porto, Fevereiro de 2015.




Diz que é antiqualha. Diz que é restauro e revivalismo.
Eu digo que sim, que há almas com Porto dentro.





 

Tags:

Figurações

por Torradaemeiadeleite, em 09.02.15



Fresco de Esztergom

Fresco de Esztergom, Hungria - As Quatro Virtudes.

 



O eléctrico 22 passa com dois ou três passageiros sentados às janelas abertas e a publicidade em tamanho grande acrescenta-o de cor. Reparo nas intrincadas ferragens debaixo do habitáculo, os freios chiam e há uma grade que tremelica mesmo sem solavancos na via. Quando passa, fico com a vista do teatro, o Sol como um resplendor do edifício e em contra-luz a Fortaleza, a Justiça, a Temperança e a Prudência - as virtudes, sim, talvez sejam - todas juntas e altas na sombra, na sombra e assombrando.
Aqui convergem os que rondam a hora de encontrar, entrar ou sair e os que pedem moeda, cigarro, sentido. Há esplanadas, comércio, escritórios e trânsito.
De bandeja sai um café e um bolo, noutra mesa as bolhas do fino sobem e juntam-se na espuma arrastada do bordo do copo. Entre golos, os lábios murmuram o que lêem e os dedos escrevem na margem da folha. Um caderno num colo. A cidade. ( Agora, toda a cidade és tu. ) Antes que o pé me falhe e eu fique sem retorno, agarro rápido estas letras desta urbanidade com tarde e minutos de calor nas costas das mãos livres no cabelo em desalinho mais curto que o meu lápis e anoto. As horas da modernidade têm menos minutos que as horas dos dias antigos. Mas a revoada de pombas toma-me de súbito o raciocínio e projecta as suas sombras aladas sobre a esplanada inteira, o espaço fica cada vez mais pequeno e o brilho entrecortado. A tarde todavia agiganta-se porque há muito para acontecer ainda. Mesmo na míngua de horas a variedade de tarefas não cessa e, contudo, não é verdade que se viva mais intensamente. Sigo-lhes o voo por mais uns segundos, até que o movimento alado se esconde no brilho daquele mesmo resplendor atrás dos coruchéus e da cegueira da luz. Ei-los, os dias modernos e os velhos, sentados, estão imóveis nos bancos da praça.
O meu olhar desce ao copo com marca de bebida na imagem da ponte Luiz I. Sobre as águas minerais destacam-se as linhas breves, estilizadas, verdes, na caligráfica "D. Luís I". Sei bem que o "Dom" não pertence ao baptismo da ponte, mas pertence à vida, ao arrebatamento desassossegado e doloroso com que lucidamente amamos as breves eternidades. Rápido, anoto. ( A eternidade transpira, somos eu e tu. )
No sentido inverso do primeiro, outra vez um eléctrico a cortar o espaço, leva mais passageiros, de novo as janelas mais ocupadas que, assim abertas, são o istmo das metades da praça separadas na passagem como as de um mar dito Vermelho. Lembrei-me desta comparação porque a publicidade que leva é a das letras brancas em fundo vermelho - a cor não estará desta vez pelo destino de um povo, mas pela referência ao desculpado prazer duma bebida nas ruas e nas esplanadas. Não adiar a nossa sede. É mais fácil adiar o futuro, como o destes rostos novos que conscientemente se convencem, debaixo do Sol e das ensombradas virtudes, de que a espera não é uma rendição. E não é. É uma migalha de dignidade. As dores continuam a doer mas é assentido que doa em tragos na vez duma corrente contínua e há justiça nesse contrato solitário. 
Os contornos físicos da tarde são infungíveis: o que se observa para lá dos gestos que prolongam o corpo num pedido de algo, e para cá dos olhares estendidos que envergonhados substituem esses gestos, continuará imperturbável, apesar das nossas esperas ou dos nossos méritos.
Esta tarde não muda nada. ( Só nós dois transfiguramos o mundo porque assumimos a sua incompletude. )




Do inconseguimento ( se a palavra existisse )

por Torradaemeiadeleite, em 01.02.15

 



Turner teria interpretado aquela luminosidade com instinto e sabedoria, na repetição das águas, na volubilidade das nuvens matizadas, nos barcos desbotados de lonjura. Da sua obra nasceriam, mais uma vez, primeiro impressões sedutoras das pinceladas e depois ensaios enigmáticos. Eu fico frustrada no êxtase, perplexa nos sentidos que transbordam de inexplicabilidade porque, consciente de que nada é insignificante, esbracejo descontroladamente numa vã tentativa de nadar entre ondas de inspiração. Por exemplo, esta areia varrida da marginal pelo vento inconforme do ponto norte, este delírio de grãos, não é um fenómeno normal e despojado de valor, é uma sementeira atirada para campos férteis com golpe resoluto de mão treinada, invisíveis campos férteis das antigas, mas perenes, auroras do conhecimento. E, como se fossem sulcos lavrados e húmidos que recebem as sementes, percebo as poças de água ( da água evoluímos ) intermitentes nos paralelos da nossa civilização, onde se confunde terra com céu e brilho com ouro e, lá está, paralelos com paralelos com paralelos.
Turner fundiria os elementos e a humanidade numa tela de duas dimensões mas multiplicaria os significados, com coerência, até à ordem do transcendente. E isso permaneceria imanente e belo, geração após geração.
Eu divido e subtraio porque não sei que nomes dar ao que me espanta e não sei que arroubo de vontade hei-de saciar primeiro. Pessoas, areia, nuvens e aves, vejo-os todos num mar revolto de emotividade e descoberta que eu preciso alvitrar.
Encosto-me, à laia de oportunista, aos ombros dos que tentaram dissolver a sua angústia com sais de génio e de coragem. Talvez percebendo-lhe o ritmo da respiração, as hesitações das mãos e o fremir mudo do corpo que antecede cada nova "eureka!", consiga decifrar, para já, a quantidade de energia que precisarei despender para não naufragar.
Por agora, a luminosidade é de Turner.

 

 

 

 




subscrever feeds




Pesquisar

  Pesquisar no Blog

Torradas com bolor

  1. 2020
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2019
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2018
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2017
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2016
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2015
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2014
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2013
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D
  105. 2012
  106. J
  107. F
  108. M
  109. A
  110. M
  111. J
  112. J
  113. A
  114. S
  115. O
  116. N
  117. D
  118. 2011
  119. J
  120. F
  121. M
  122. A
  123. M
  124. J
  125. J
  126. A
  127. S
  128. O
  129. N
  130. D
  131. 2010
  132. J
  133. F
  134. M
  135. A
  136. M
  137. J
  138. J
  139. A
  140. S
  141. O
  142. N
  143. D
  144. 2009
  145. J
  146. F
  147. M
  148. A
  149. M
  150. J
  151. J
  152. A
  153. S
  154. O
  155. N
  156. D
  157. 2008
  158. J
  159. F
  160. M
  161. A
  162. M
  163. J
  164. J
  165. A
  166. S
  167. O
  168. N
  169. D
  170. 2007
  171. J
  172. F
  173. M
  174. A
  175. M
  176. J
  177. J
  178. A
  179. S
  180. O
  181. N
  182. D