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O Retorno

por Torradaemeiadeleite, em 25.04.12

Feliz coincidência esta de saber o final do livro de Dulce Maria Cardoso em festejos de Abril. Na voz de Rui, um adolescente de quinze anos, a literatura de ficção portuguesa ganha pontos num aspecto que eu entendo ser legítimo a toda a ficção mas mais descurado por cá: o de prencher lacunas da nossa história recente, o de assimilar e tratar os episódios que nos construíram socialmente, o de poder ser um documento do dia-a-dia das pessoas, o de poder ser no futuro um objecto de estudo sobre o nosso modo de entender o que nos vai acontecendo.

( Onde eu já vou... volto ao livro ).

O repatriamento dos cidadãos portugueses então a viver nas colónias como uma das consequências imediatas da revolução na metrópole, o impacto que as suas vidas dele absorveram e a revelação dum Portugal desorganizado e imaturo evidenciado também pela sua chegada são os fios condutores do enredo. Não se tomam partidos nem se exorcizam demónios nesta escrita que admirei. O que li mostrou-me vários lados dum facto do nosso passado recente em que o dia-a-dia da família protagonista é o veículo para essas informações, umas bem explícitas, despudoradas e sem rodeios como o pode ser o olhar e entendimento dum adolescente e outras que a autora entrega ao nosso discernimento.

Questões sociais, culturais e geracionais são escalpelizadas com mestria mas também com a vivência do repatriamento pela autora, uma mais-valia pelos detalhes reveladores que não vêm nos livros de história.

Não há pontos de exclamação nem pontos de interrogação, reticências ou ponto-e-vírgulas. E nunca lhes senti a falta ( como em Saramago, Valter Hugo Mãe ou Gonçalo M. Tavares ). Sonho, ilusão, medo, culpa, desilusão, raiva, incompreensão, alegria e esperança sucedem-se sem que a pontuação nos tolha o entendimento.

"O Retorno" de Dulce Maria Cardoso, editado pela Tinta-da-China em Outubro de 2011 é também um retorno à certeza de que temos escritores excepcionais. Não hesito ao recomendar a sua leitura.

 

 

 

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