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Onde os lobos uivam, 1911.

por Torradaemeiadeleite, em 23.08.12

 

Exulto sempre que encontro documentação fotográfica ou crónicas mais antigas sobre Castro Laboreiro. Em grande parte das freguesias portuguesas passar por outras décadas é relativamente fácil, mas da minha geografia sentimental pouco se encontra registado. Quando se perfila diante dos meus olhos um intervalo de tempo maior que cem anos, como nestas fotografias, então suspendo-me. Demoro e contemplo, oriento-me com as idades dos meus avós e sei que em 1911 todos estavam ainda por nascer.

O relevo granítico não mente e não mente também a mão humana que pôs o cruzeiro no "eirado" da Vila donde se erguem pontos cardeais para a minha orientação. Não há dúvidas e a fachada grande da "casa dos carabéis" assevera a origem deste teatro rural.

Destes pontos referenciais parto depois para aqueles que não conheço: casas que agora são outras, o pequeno mar de fatos e chapéus para o discurso dum jornalista ( Hermano Neves, asseguram-nos ) - pois bem longe ficaram os tempos em que a multidão se juntava para ouvir discursar o jornalista - as saias compridas, as blusas cingidas e os homens de barbas trazem costumes que não vi e aproveito para inventar a figura dos meus parentes.

Outro momento - com a luz do fim da manhã que se atira e rosna aos guarda-sóis e um lisboeta ( também jornalista, Bruno Buchenbacher ) que conhece Castro pela primeira vez. Desta paragem e de outras escreve com leveza, humor e desprendimento para as folhas da revista Ilustração Portugueza de 31 de Julho de 1911. Pela "obrigação profissional" mais do que por romeira curiosidade, Buchenbacher não esconde a agrura dos caminhos mas celebra a "fabricação" dos chocolates, a beleza das "cachopas" e os "cães formidáveis", os da boca negra, leais e corajosos companheiros de seus donos. Sobe ao castelo e vê aberto "um livro de história". Não se demora muito. Agradece a amabilidade  do professor de instrução primária Mathias Sousa Lobato ( de quem o meu pai conta a boa acção que fez quando iam presos castrejos trabalhadores tidos como desertores na Primeira Guerra ) e segue em caravana de burro, com as trouxas bem apertadas e temendo pela vida, nos trilhos e com as gentes da Peneda.

Das suas mãos nasceram estas fotografias e o texto que adivinho exóticos na Lisboa de 1911, mas são-no ainda mais hoje com o tempo a escrever os continuados epílogos.

 

 

 

 P.S.:  As palavras e as fotos que me inspiraram podem ser consultados no Blogue do Minho ou na Hemeroteca digital.

 

 

 

 

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