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Refeições de História

por Torradaemeiadeleite, em 27.06.08

 

 

Angkor Wat - imagem "emprestada" pelo Google.

 

Digo eu que nem todos os seres se podem gabar de ter na sua cadeia alimentar monumentos milenares, estátuas endeusadas ou ruínas de culturas já desaparecidas.  Nas situações em que  não são o repasto  em si mesmas são, pelo menos, a mesa de jantar de cianobactérias, fungos ou outros micróbios responsáveis, em última análise, pela destruição de grande parte do património ancestral espalhado pelo globo.

As ruínas hindus de Angkor Wat ( Cambodja ), os templos maias do México, as estátuas da Ilha de Páscoa, a Acrópolis de Atenas ou os locais arqueológicos da cultura nativa americana no Oeste dos E.U.A, entre outros, têm a sua longevidade comprometida pela acção metabólica de seres invisíveis a olho nu.

Absorvendo a água e o calor à sua volta, estes seres alojados nos poros da pedra, do mármore ou de outros elementos de construção, provocam contracções e dilatações cíclicas dos materiais ao longo do dia, dos meses, dos anos e as maravilhas da História degradam-se a grande ritmo. Outros destroem-nas porque digerindo o  carbono da própria rocha ou de factores poluentes existentes no ar, libertam ácidos que corroem as estruturas envolventes.

Estes fenómenos têm sido estudados há décadas e o caminho aponta mais para o controlo destas micro-populações e/ou  dos seus produtos metabólicos e não tanto para a sua erradicação, que é uma missão impossível.

O processo de preservação é obviamente mais fácil em ambientes fechados do que ao ar livre, pois neste as variáveis que têm de ser atendidas multiplicam-se e ainda não se compreende  totalmente os verdadeiros factores desencadeantes e todas as relações  causa-efeito a longo prazo.

Pretende-se adiar o mais possível uma perda que parece certa, segundo os especialistas, mas reflicto sobre o poder que o mundo “invisível” que nos rodeia tem sobre nós e sobre as nossas manifestações culturais e artísticas...

Alheios a estes valores, os micro-organismos simplesmente fazem aquilo que a sua biologia lhes “dita” e cabe a nós todos aprender a viver com  a relatividade do tempo e com a inevitabilidade de um fim nas mais diversas áreas do mundo que nos rodeia e do nosso próprio mundo.

 

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