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Tempo frio pede quentura

por Torradaemeiadeleite, em 09.01.14

 

Arousa. Fotografia de Torradaemeiadeleite.

 

Cinco anos volvidos e do lustro de completa ausência física nasceu uma nova Arousa, a da cumplicidade. Assumindo já o direito de ser ponto de encontro estival, este rechan galego reservou encontros e partilhas que, vislumbro, não estão ainda resumidas.

Os primeiros êxtases levam os segundos e os terceiros, e mais quantos uma rede de amizade pode apanhar. Assim nas margens das águas transparentes, idas e regressadas com as marés do Atlântico, permanecem pegadas que nenhum tempo pode lavar.

"Mira, uã de mexillóns pa Portugal!", sim, o prefácio para um livro de honesta volúpia. É bem provada a comunhão à mesa que a nossa espécie cultiva, negócios e amor, amizades e sonhos tantas vezes construídos com a perenidade dos sabores. 

Culpada de não menosprezar este manancial sensorial que um acaso cósmico ( e quem é Deus? ) me permitiu, vivi a ilha de uma forma diferente daquela de 2008, ano em que a conheci.  Degustar, rir, apimentar, fintar o Sol nas horas quentes, aconchegá-lo nas horas do nascer e do morrer, torturar os pés nas conchas volvidas ocas, conhecer pessoas, embalar a amizade, caminhar e pôr as cañas a correr, charlar ( muito ), respirar a sombra do pinhal a estalar de calor, musicando batucando, ler, sugerir, descansar, descansar, descansar.

A vida não deve jamais esgotar-se nestes breves testemunhos, mas as horas de Arousa rodaram sobre si mesmas com pronúncias lusas, galegas e apetites exemplares, numa justiça que as faz assim, sem pecado.

Nós, natureza, quem se atreve a separar-nos? Uns com os outros mitigámos os males do Mundo, por breves dias, numa pequena ilha, uns com os outros, deixámos as conchas e explorámos caminhos que nos levaram de regresso a nós mesmos.

 

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Lugares para ler VII

por Torradaemeiadeleite, em 01.09.13

 

  

Fotografia de Torradaemeiadeleite. Ilha de Arousa.

 

"Lugares para ler" é um título com dois seres, duas leituras afinal. Literalmente é dos lugares que convidam à leitura mas é também dos lugares que se prestam eles próprios a ser lidos. 

Abracei esta dualidade no nascimento da rubrica. Já são sete e o sete é um número bom. Inspiro. Inspiro-me.

 

Brilhos e vela no mar, postal clássico, mas também há barcos em terra, vejam bem que não há só gaivotas em terra, cantiga antiga, quando um homem se põe a pensar, uma antiga é uma cantiga que perdeu o "c", de contemporânea, com tempo, com tempo ia mais longe mas tenho de voltar à terra, àquele caminho de terra pisada, e pisar o "s" para ouvir a piada ou ser terra piada do pio das  aves, a voar, como sementes da pinha gorda que estala, está lá? tão longe, o que há lá longe? tenho de ir, há ir e voltar, não, vou ficar, ficar, fica o ar, para respirar, quieta a respirar, de olhos fechados, um raio de sol nas pálpebras, quente, como fogo a luz, a luzir, para a luz ir, portátil, para levar e usar, não desperdiçar, reciclar, guardar para depois, e depois? ficaram os bois, a pastar, e esta agora dos ruminantes, que queres? também não havia fogo, mas isso foi associação de ideias, comparação poética, e deu nos bois, a pastar, sim espera, a pastar, a pastar, a pastar estou eu, a empastar, lá vai rima, e tem a ver, reduzir a pasta, pasta? de papel, empastar também é reduzir a pasta de papel, ah, para escrever, para ler, nos lugares. Lugares para ler. 

 

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Uma tarde galega

por Torradaemeiadeleite, em 23.08.08

  Fotografias de Torradaemeiadeleite.

 

Entre braços de terra e num colo de águas oceânicas encontrámos esta ilha galega. Do seu recorte nascem ambientes singulares e da sua Natureza assimilam-se odores, cores e sons tranquilizadores.

A Ilha de Arousa casa com sabedoria o ser agitado e fresco do Atlântico com a familiaridade e brandura do continente.

Se fugirmos do lado mais concorrido para guarda-sóis e toalhas, defronte aos montes galegos e nos embrenharmos nos trilhos ladeados por pinheiral, rumo a oeste, deparamo-nos com o lado mais sedutor da pequena ilha.

Aqui sujeitamo-nos mais ao temperamento e humores do oceano e também aqui me demoro em fotografias quase sôfregas. Inspirada pela calma das pequenas enseadas e pelas ofertas que as águas deixaram nas areias, vou caminhando cada vez mais para longe e, no final, percorri um trajecto de 3,6 km. De permeio, um ambiente distinto, o dos pinheiros altos e escultóricos, chão de caruma e pinhas abandonadas, dunas suaves e odor resinoso. Aqui e acolá sobreiros de pequeno porte  acrescentam singularidade a este lugar.

Seguem-me os passos as aves que por ali se fixam ou descansam de outros voos, inspiro a essência de mar e de pinho, das algas naufragadas e das diversas plantas que atapetam o terreno.

Os pequenos areais, com milhões de conchinhas brancas esmagadas pela erosão, convidam-me e não resisto a caminhar sobre eles. Ao largo, pequenas embarcações vão passando e adivinha-se a sua preciosa carga: peixe, marisco e bivalves.

A tarde vai já no fim,  as cañas mataram a sede e os pratos de mexilhões revelam o vazio das conchas negras amontoadas. 

Fica a vontade de lá voltar.

     

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