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Clássico outonal

por Torradaemeiadeleite, em 05.11.12

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite, Out 2012.

 

Num dia de clássicos em Guimarães, Outono genuíno nas cores e na atmosfera, raptei esta testemunha das bibliotecas itinerantes portuguesas. De 1986 até 2003 serviu a Câmara Municipal de Ponte de Lima levando livros e revistas pelos caminhos limianos. Foi doada, após um interregno de inactividade, ao Clube Limiano de Automóveis Clássicos que a recuperou ( primorosamente  acrescento, que a vi ao vivo e a cores ) e reabilitou as prateleiras para livros temáticos de automóveis clássicos e livros de autores limianos. No sítio deste clube podemos ver as etapas da Fénix renascida.

Elogio o interesse na preservação da memória que a viatura transportava, o destaque das fotografias do legado cultural itinerante da Fundação Calouste Gulbenkian e a fomentação do património cultural limiano. Do velho fez-se novo e a um passado meritório acrescentou-se valor, préstimo e longevidade.

 

 

Fotografia de Torradaemeiadeleite, Out 2012.

 

 

Livros itinerantes

por Torradaemeiadeleite, em 20.07.12

 

Quando a leitura e a educação cultural pela leitura não eram desígnios estatais e esclarecer os cidadãos era perigoso para os governantes, a Fundação Calouste Gulbenkian desenvolveu um projecto, ainda hoje exemplar, para universalizar o acesso ao livro e promover a leitura. Se ainda hoje há diferenças marcantes entre Litoral e Interior, Continente e Ilhas, há mais de cinquenta anos essas linhas pareciam impressionantes abismos.

Em 1958 estreava-se o Serviço de Bibliotecas Itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian cuja imagem de marca eram as carrinhas Citroën HY. Nas suas prateleiras acomodavam-se inicialmente livros de literatura geral para crianças, adolescentes e adultos, livros de assuntos técnicos e livros de História. As escolhas bibliográficas não eram fortuitas, eram pensadas para abranger vários tipos de público e respectivas diferenças de idade.

O livro era um bem material inacessível a grande parte da população portuguesa, a taxa de analfabetismo na década de cinquenta do século passado ultrapassava os 40% e os acessos entre localidades eram diminutos. As carrinhas Citroën ofereciam literalmente a oportunidade de ler àqueles leitores deslocados dos centros urbanos, com poucas horas de lazer e sem meios económicos para comprar livros. Aos que não sabiam ler era dada a oportunidade de ouvir leituras partilhadas. O empréstimo gratuito do acervo bibliográfico das bibliotecas itinerantes depressa se notabilizou e deixou inclusive muitas saudades quando em 1987 ( ano em que o Programa Nacional de Leitura Pública deu os primeiros passos ) o número de unidades em circulação decaiu abruptamente, extinguindo-se o serviço definitivamente em 2002.

Em cerca de trinta anos muitos foram aqueles que iniciaram as suas caminhadas literárias influenciados pelos livros itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian. Quantos prazeres, quantas escolhas profissionais, quantos horizontes e quantas dúvidas ( sim, porque a dúvida e a pergunta impelem o nosso conhecimento ) terão ganhado asas em cada dia que a biblioteca rolante estacionou no largo da aldeia, na praça da vila, na rua da cidade.

A universalidade nasce também assim, de gestos luminosos em tempos de escuridão.

 

 

 A fotografia que apresento foi "apanhada" em pesquisa no Google e desconheço o seu autor. Um pequeno tesouro.

 

Aperitivo

por Torradaemeiadeleite, em 17.07.12
Para antecipar um tema que quero mimar no Torrada.

 

Fotografia googlada. 1958.


Lucie

por Torradaemeiadeleite, em 05.05.12

 

 

Lucie de Souza Cardoso, 1890-1987

 

Do arquivo fotográfico da Biblioteca de Arte - Fundação Calouste Gulbenkian.

 

Não me perguntem pelos caminhos que se percorrem na "world wide web", é que mesmo perdidos podemos encontrar assuntos interessantes. Quando no FLICKR THE COMMONS investigava Portugal sabia que me poderia cansar na caminhada. Mas eis a surpresa: depois de tantas fotografias de património material encontro Lucie de Souza-Cardoso com a sua longevidade ( 1890 - 1987 ) e sento-me na beira do caminho. Quis saber se o apelido era o do nosso pintor Amadeo de Souza-Cardoso e a rede devolveu-me a confirmação, Amadeo casou com uma jovem francesa de nome Lucie Meynardi Picetto em 1914.

Esta fotografia ( com data incerta entre 1914 e 1918 ) apanhou-me pela intimidade que escapa vaporosamente da atitude de Lucie. Entregue, descontraída, sensual. É, ao mesmo tempo, a dona do momento e a adivinhada vítima do artista atrás da câmara fotográfica.

Um mimo intemporal.

 

 

 







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