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Sim, é uma Hasselblad

por Torradaemeiadeleite, em 10.03.14
Neil Armstrong e Edwin 'Buzz' Aldrin com uma máquina Hasselblad, 1969.

 

Poucos nomes se podem orgulhar de estarem associados a acontecimentos marcantes da história humana. Na verdade, do modo como eu penso, as mais insignificantes contingências e banalidades são também importantes neste percurso, mas aqueles momentos que dividem o tempo em "antes de" e "depois de" serão sempre o exemplo, a prova, o mais definidor instante de uma época.

Assim entendo a "conquista" espacial - que de conquista tem certamente a sedução, por vezes muito trabalho e ainda a sonora vaidade ao pronunciá-la ( embora destituída do sentido de domínio ou de subjugação que a palavra encerrará noutros contextos ).

O caminho a percorrer no último território estrangeiro à nossa espécie será sempre marcado com bandeiras e símbolos de que a Lua é porventura o mais inspirador. E é à Lua que vou juntar um nome com perfil que assenta bem ao périplo deste texto - Hasselblad.  De Victor Hasselblad nasceram as máquinas fotográficas que foram modificadas para acompanharem as missões Apollo da NASA entre 1969 e 1972, e das quais uma apenas regressou à Terra. As restantes, dum total de catorze, tiveram que ceder lugar e peso às recolhas feitas na superfície da Lua, pois todos os gramas contam para que uma viagem espacial seja bem sucedida.

A fotografia contribuiu decisivamente para aproximar as "irreais" conquistas ao olhar humano, num modo particular do ver para crer, agigantou a inspiração que tais fenómenos suscitam e libertou a percepção das nossas possibilidades. O salto sobre o abismo que a ciência empreendeu e a aproximou da comunidade não científica foi possibilitado pelos registos "fora de portas" que os astronautas legaram à humanidade, esses documentos que eu nomeio de infinitude, beleza e libertação.

A única máquina Hasselblad que foi à Lua e voltou pode ser adquirida em leilão dia 22 de Março, em Viena, na galeria Westlicht. Está obviamente imbuída de espírito, o que é notável para uma máquina, mas a isso obrigou a aura que tanta história lhe confere. 

Fico-me pelas deambulações contemplativas e por este amor à fotografia, à história e à ciência, mais à Filosofia que está sempre, sempre tão discretamente unida a tudo, também a esta fotografia "à la Hasselblad".

 

 

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