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De onde vem a criatividade

por Torradaemeiadeleite, em 02.08.12

 

Falo de novo de Jonah Lehrer. Aqui elogiei o seu primeiro livro "Proust era um neurocientista", o responsável em parte pelo tsunami de leitura que me apanhou em seguida e pela sede de conhecimento literário que experimentei então. Tudo isto continua a ser verdade e nada poderá retirar a este cientista escritor a qualidade desse trabalho. Mas também por causa desse assombro inicial me custa agora digerir a decepção, o popular "não havia necessidade" que se me depara ao saber que Jonah inventou factos no mais recente livro "Imagine - de onde vem a criatividade". Em concreto, atribui a Bob Dylan, um dos seus exemplos no livro, citações inventadas por si, outras do cantor que foram manipuladas e outras ainda descontextualizadas.

Lamento que um autor talentoso e campeão de vendas tenha recorrido a citações falsas e, pior ainda, que tenha continuado a mentir quando confrontado inicialmente com essa dúvida ( agora um facto admitido pelo próprio ). Jonah fazia parte do quadro de jornalistas do "The New Yorker" desde Junho passado, uma honra feita do seu mérito científico e literário, mas demitiu-se na sequência da polémica formalizando um pedido de desculpas público: "the lies are over now. I understand the gravity of my position. I want to apologise to everyone I have let down, especially my editors and readers".

Comenta-se que a pressão e o medo de não estar à altura dos sucessos anteriores levam muitas vezes a decisões imponderadas e artisticamente fatais, ou então é a ambição desmedida a culpada do infortúnio, como um Ícaro que voou alto demais. Penso que o "porquê" não é aqui fulcral e nem se presta à empatia, apenas serve um propósito de análise mais abrangente já que não se trata dum caso isolado na literatura ou em qualquer outra forma artística. Inventar citações, plagiar, dar como suas as experiências vividas por outros ou mesmo imaginá-las e afirmar que são reais, são muitas as medidas do erro no campo da escrita e errar, bem o sabemos, é intrínseco à natureza humana. A forma como o ultrapassamos é que é diversa e desenha também o perfil e a integridade de cada um de nós.

Talvez  Jonah Lehrer ultrapasse esta situação usando até o próprio infortúnio como rampa de lançamento. Poderá retratar-se perante o público leitor com maestria numa obra futura ainda mais procurada porque será real e exemplar.

O tempo dirá se este acontecimento veio para asfixiar ou para dar um novo fôlego à carreira literária de Jonah.

 

Fotografia: googlada.

 

"Como a Arte antecipa a Ciência "

por Torradaemeiadeleite, em 11.08.09

 

 

                                                 Marcel Proust retratado por Jacques Emile Blanche (1892).

 

Jonah Lehrer é um jovem cientista que se estreou nos livros com o título "Proust era um Neurocientista". O livro é editado em Portugal pela Lua de Papel e a primeira edição é de Fevereiro deste ano.

Faltam-me três capítulos para o acabar de ler e já não acredito que seja nesses que eu  vá encontrar algo que me desiluda! Os que li até agora já são suficientes para o recomendar aos restantes mortais que ainda não o conhecem.

É com grande simplicidade que Jonah nos mostra como a Arte consegue antecipar algumas "descobertas" da ciência, como é que as ideias e  os talentos das mais diversas áreas artísticas previram aquilo que , mais tarde, os cientistas comprovaram no laboratório.

Para mim já cativa assim, mas ver depois o rol dos  protagonistas que o autor pesquisou e perceber que contributo, para além do cultural, deram em termos científicos foi o click que desencadeou um maremoto de curiosidade e inevitavelmente a compra do livro. Ora vejam: Marcel Proust, Igor Stravinsky, George Eliot, Walt Whitman, Auguste Escoffier, Virginia Wolf, Gertrude Stein e Paul Cézanne. Temos quatro romancistas, um compositor, um poeta, um chefe de cozinha e um pintor.

A memória, a origem da música, a biologia da liberdade, a substância do sentimento, a essência do paladar, a consciência do "eu", a linguagem e o processo da visão são os temas abordados e que nos fazem conhecer melhor aqueles artistas e simultaneamente o funcionamento do nosso cérebro.


"Lehrer mostra que há um preço a pagar quando se reduz tudo a átomos, acrónimos e genes: medir não é o mesmo que compreender e é aqui que a Arte suplanta a Ciência".


Então, o maremoto da curiosidade chegou aí?


 







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