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Sobre o Curiosity

por Torradaemeiadeleite, em 08.08.12

 

Imagem googlada.


A N.A.S.A sempre teve talento para baptizar os seus robots espaciais. O Curiosity justifica na sua graça aquilo que nos motiva a atravessar a "última fronteira". Marte e a sua exploração tem sido tema do Torrada desde 2008, quando o então inovador robot Phoenix registou uma imagem de que gostei muito, aquela da "pegada" mecânica.

Já não está em questão a existência de água naquele distante solo, isso foi plenamente confirmado. A investigação vai avançando os seus milhões de dólares ( dois mil e quinhentos milhões na missão do Curiosity ) no sentido da exploração do terreno, na procura de vida microbiana e na esperança final de enviar um humano com espírito de entrega suficiente para passar dez meses em viagem de ida, ficar por lá dois anos e voltar para contar.

O sucesso da viagem, da aterragem no passado dia seis e do estabelecimento das comunicações deste mini-laboratório de novecentos quilos, motivaram os festejos que a foto registou. Mais do que pó vermelho, braços metálicos ou pedras mudas, escolhi desta vez o lado terreno para actualizar os meus textos sobre a exploração celestial. É deste ponto de partida, da curiosidade humana, que se alimenta o trabalho duma equipa vastíssima  que  personifica a vontade intemporal duma espécie para entender o que a rodeia e aí interferir para benefício próprio. Consciente e inconscientemente foi esse processo que nos trouxe aos dias de hoje.

 

O "Spirit" da água

por Torradaemeiadeleite, em 16.12.09

 

 

                Imagem "googlada".

 

De vez em quando, deparo-me com notícias marcianas que vão dando continuidade ao primeiro post que dediquei àquele planeta.

O robot Phoenix  ainda não renasceu das cinzas mas a velhinha Spirit, que já conta com 5 anos de missão, continua o seu labor mesmo que ironicamente os seus updates sejam fruto de desaires mecânicos. Não fosse esta sonda ter ficado presa nas areias de Tróia ( nome dado pelos cientistas àquela área de Marte e que inspira uma epopeia lírica no Espaço... ) e não saberíamos que lá se encontram restos de sulfatos e hidróxido de ferro, minerais que só existem na presença de água.

A Spirit não tem capacidade para escavar o solo como fazia o robot Phoenix mas  tantas derrapagens para se libertar das areias foram suficientes para expor aqueles achados e apoiar a teoria da existência de água no subsolo de Marte.

Num planeta votado à aridez inspiram-se muitas perguntas que para já continuarão sem resposta, mesmo que se confirme que outrora  a água era nele abundante. Mas terá existido alguma forma de vida? Que acontecimentos ditaram o actual rosto de Marte? Haverá condições para outro tipo de explorações marcianas? E poderemos alguma vez vislumbrar algum paralelismo entre Marte e o futuro da Terra? Bom, entro já na "devaneios zone" mas não é de todo inoportuno pensar na água do nosso planeta e no seu ( nosso ) futuro, mais ainda quando Copenhagen pretende ser Hopenhagen.

 

Eeeh láááá!!... tu queres ver que...?

por Torradaemeiadeleite, em 24.04.09

( ou ainda... Do pensar ao fazer ainda vai alguma distância. )

 

 

 

 

 Imagem "googlada".

 

Receei, por instantes, que as minhas aventuras fotográficas não se repetissem... Recordam-se dumas "ondas cerebrais a fazer ricochete" e "revoltosas" que senti há dias? Pois  está confirmado, na prática, que essas ondinhas invisíveis têm o poder de mover dispositivos electromagnéticos ( a.k.a robôs ) e , como se não bastasse, agora podem fazê-lo a grandes distâncias ( assim como 1500 Km ).

A experiência mais recente que me fez tremer e temer pelo pior decorreu entre Genebra e o Laboratório do Instituto de Sistemas e Robótica da FCT de Coimbra. Vou simplificá-la: Sara Gonzales e Rolando Grave, dois cubanos a trabalhar no Hospital Universitário de Genebra, concentraram-se num ponto luminoso à direita no ecrã do computador e, em Coimbra, um robô virou à direita.  Concentraram-se depois noutro ponto luminoso à esquerda e o robô virou à esquerda. A monitorizar a participação lusa estavam o português José Prado e o iraniano Hadi Aliakbarpour.

Imaginem as possibilidades que daqui podem nascer!

Transponham agora esta experiência bem sucedida para o meu plano pessoal e compreenderão o tremor e temor iniciais de que vos falei: alguém concentrado na minha máquina fotográfica, caladinho e sossegadinho, impede o seu correcto funcionamento e consegue finalmente vingar-se do meu espírito chato e inoportuno. Lá se vão as fotografias espontâneas, lá se vai a fotografia tipo "kinder surpresa" e ainda os posts de "toma lá que é p'ra aprenderes!!". Triste, muito triste...

O crime perfeito, sem impressões digitais ou outras provas materiais e, no fim, aquela frase perversa disfarçada de inocência: "eu??... mas eu nem me mexi!!..."

Felizmente a minha máquina não tem rodas nem os sensores necessários para perceber ordens electromagnéticas e, que eu saiba, as mentes que costumam rodear-me não têm poderes paranormais, portanto, respiro de alívio. 

Só assim o meu espírito "entediante" pode ameaçar: I'll be back!!

 

  

Nota: espreitem aqui para saber os pormenores desta experiência tão promissora.

 

Relatos marcianos

por Torradaemeiadeleite, em 24.03.09

 

 

Imagem NASA/JPL - Caltech // University of Arizona/ Texas A&M University

Nota: os pequenos cristais azulados no centro das três escavações são formações de gelo.

 

Em Junho do ano passado, escrevi nestas "páginas" a inspiração que, então uma estreante, sonda marciana me proporcionou. É agora devida uma actualização dessa missão espacial.

O estudo do planeta Marte continua, mas agora sem a ajuda da Phoenix. O Inverno marciano ganhou a batalha e silenciou a nossa exploradora... Já era esperado. A actual ausência de luz solar, que era o seu combustível, as temperaturas negativas extremas e a formação de gelo de dióxido de carbono impossibilitam o seu trabalho e talvez esta Fénix não volte a nascer das cinzas.

Em todo o caso, é de alguns sucessos que a sua história se faz  pois, além da eficiência técnica e do facto de ter sobrevivido mais do que os 3 meses previstos ( a missão durou 5 meses ), deu provas concretas da existência de gelo no subsolo e também de sais de percloretos que, embora se trate duma família vasta e de valor relativo, levam a novas reformulações das teorias sobre o clima, habitabilidade e inclusive sobre a hipotética biologia de Marte.

De todos os robots que emigraram para aquelas longínquas paragens, este era o único com capacidade para "ver" além da superfície do planeta. Outros continuam então as suas tarefas de exploração geográfica como a Spirit e a Opportunity que, aliás, celebraram recentemente o seu 5º ano de actividade. Mesmo com alguns piripaicos de memória e de movimentos são um caso de longevidade e  de valioso contributo para o conhecimento de Marte.

Já se discutem nomes para mais um robot explorador .

Nestes casos é assim, "a persistência é o caminho do êxito" ( Charles Chaplin ).

 

E ao sexto dia...

por Torradaemeiadeleite, em 04.06.08

 

 

 Fotografia de "NASA Jet Propulsion Laboratory and University of Arizona"

 

Esta imagem “fala-me” de muitos temas e percorre o tempo nos dois sentidos: passado e futuro.

Vemos parte duma máquina, pequenas rochas, chão poeirento e uma impressão que até se parece com uma pegada, embora não humana.

Não são muitos elementos,  não mostra nada que nos leve a identificar o local, o ano ou era em que foi tirada, a hora do dia, a estação do ano,… Enfim, se parece tão limitada naquilo que a compõe porque é que me diz tanto?

Não é nenhum mistério, os mais atentos às “conquistas” espaciais não hesitam em identificá-la. Mas mais do que uma identidade eu refiro-me às questões que ela encerra.

Vou organizar, então, as ideias: a máquina é a Phoenix, a sonda da NASA que pousou os pezinhos na superfície de Marte no passado dia 25 de Maio; aquela impressão que parece uma pegada  é da autoria do seu braço mecânico que vai escavar o solo de Marte para recolher amostras e analisá-las com recurso aos instrumentos alojados no corpo da sonda.

O entusiasmo e as questões sobre o  espaço perdem-se na memória da humanidade. Desde a simples observação até à intervenção, não passou muito tempo ( tendo em conta obviamente a escala temporal que dita a formação do nosso planeta, o aparecimento desta espécie orgânica intrigante que somos nós e a evolução do nosso córtex motor e cognitivo… ). E não se trata apenas de conseguir pôr o Homem noutros planetas, fazer voos interplanetários e chegar mais longe que esta galáxia… Para mim é fascinante o caminho que se percorre até chegar ( sim, quem sabe? ) àquelas metas! Para mim é também fascinante a superação de obstáculos e de nós mesmos, a capacidade inventiva e a curiosidade infindável do Homem.

A exploração de Marte, ou direi melhor, o seu reconhecimento passou da teoria à comprovação prática nos idos anos  60 do século passado, com o lançamento de “engenhocas” ( as sucessivas sondas e satélites MARINER ) que orbitavam o planeta e enviavam fotografias para a Terra.

Mas não bastava orbitar o planeta e então cruzou-se a sua atmosfera, “passeou-se” na sua superfície e agora vamos escavar o seu solo a uma profundidade nunca antes explorada!

É mais um passo para tentar perceber a “anatomia”, a geologia, o clima e até prepará-lo para ser explorado pela mão humana, em vez de mãos robóticas.

E não é lícito perguntar porquê tanto interesse em Marte? Claro que sim! Para já é o irmão  mais próximo de nós ( tal como a Terra e o restante sistema solar, formou-se há 4.6 biliões de anos e está já ali, a 10 meses de viagem... ), é aquele que evidencia características físicas mais interessantes, que fazem até lembrar as da Terra há muitos, muitos anos e  dele chegam-nos ainda evidências da existência de água em grandes quantidades.  Por fim, este último argumento leva-nos a outro deveras revelador, que é saber se já existiu alguma vez vida em Marte.

Penso que não são necessárias mais explicações. No fundo, no fundo, o que nos move é a justificação da nossa existência, é este “complexo de orfandade” ( um conceito que ouvi a um investigador  português, já não me recordo qual, e  que achei delicioso ), a consciência do ser, as velhinhas perguntas “quem somos, de onde vimos  e para onde vamos”…

Por tudo isto me afeiçoei àquela imagem, ao seu simbolismo e àquela impressão do braço mecânico num solo árido e desconhecido. Mas também por tudo isto, prezo ainda mais esta bolinha colorida entre Vénus e Marte.

 







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